Backstage News nº. 30 Tracker Consultoria (13/10)

Rodrigo Rollemberg anuncia novo secretariado; Leany Lemos é vista com Hélio Doyle um dia antes de reforma administrativa; aliados brigam por mais espaço no governo; servidores continuam com a greve. Esses são alguns temas selecionados para o Backstage News nº. 30.

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CORREIO BRAZILIENSE

Eixo Capital
Ana Maria Campos

Sem espaço para um super-homem
Um simples prefixo foi o causador da maior discórdia recente dentro do governo. No mês passado, Rodrigo Rollemberg anunciou que criaria a Supersecretaria de Trabalho, Turismo, Agricultura, Ciência e Tecnologia e Desenvolvimento Econômico. A perspectiva da demissão de aliados e da nomeação de um novo “super-homem” do GDF gerou uma guerra fratricida. Diante da dificuldade de agradar a todos os correligionários e do risco de criar uma figura forte demais dentro do Palácio do Buriti, Rollemberg voltou atrás. “Decidi rever o modelo da supersecretaria”, revela o governador. “O grande desafio é fazer o enxugamento da máquina garantindo funcionalidade, para mantermos a execução das políticas públicas”, justificou Rollemberg à coluna.

Ciúmes de você
O distrital Joe Valle (PDT) foi consultado para assumir a supersecretaria, mas, até o fim de semana, a tendência era o PSD ficar com a pasta. O partido do vice-governador Renato Santana, que já comanda o Desenvolvimento Econômico, ficaria grande demais – o que causou ciumeira dentro do PSB de Rollemberg. Daí a decisão de implodir a superestrutura antes mesmo de oficializá-la.

O quase deputado
Os distritais pedetistas Joe Valle e Reginaldo Veras continuam cotados para o primeiro escalão. Se um deles for para o Executivo, quem assume é o suplente Roosevelt Vilela (PSB), atual administrador do Núcleo Bandeirante, da Candangolândia e do Park Way. Amigos do bombeiro já o tratam como deputado, mas ele prefere a cautela. “Como militar, eu só acredito quando sair publicado no papel”, justifica Roosevelt.

Segunda instância
O MP apresentou recurso contra a absolvição do ex-governador José Roberto Arruda da denúncia de fraude em licitação. Ele foi acusado de beneficiar empresas de familiares do ex-distrital Benedito Domingos em contratações. Os promotores citam os votos de dois desembargadores no julgamento de Benedito, em 2013. “Não posso afirmar que esse crime teria ocorrido sem a participação dos senhores Benedito e Arruda”, afirmou, à época, o desembargador Romão Oliveira. “A atuação do denunciado foi, ao lado daquela do então senhor governador, a mais decisiva para a prática dos delitos”, declarou o desembargador Mário Machado. O advogado de Arruda, Ticiano Figueiredo, diz que o MP faz “argumentação retórica” e afirma que , no processo contra Benedito, “Arruda não teve direito ao contraditório”.

CB. Poder
Ana Maria Campos, Guilherme Pera e Helena Madler

Rollemberg convoca reunião para dizer quem sai e quem fica
O governador Rodrigo Rollemberg (PSB) convocou todo secretariado para uma reunião às 12h30 desta terça-feira (13), na Residência Oficial de Águas Claras. Ele vai informar os nomes que irão compor o primeiro escalão com a redução de 24 para 16 pastas.
Pessoas próximas ao chefe do Executivo local contam que ele mal conseguiu dormir na última noite finalizando a montagem do xadrez político para anunciar os novos secretários, às 15h desta terça no Palácio do Buriti.

Rollemberg procura maneiras de agradar ao PSB
Caso Joe Valle aceite a supersecretaria de questões sociais, o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) teria mais um problema a resolver: o que fazer com o atual secretário de Desenvolvimento Humano e Social, Marcos Pacco. Candidato a deputado federal mais votado pelo PSB na última eleição, ele é uma das apostas dos socialistas para 2018.
Pacco poderia ficar como adjunto de Joe, mas há o entendimento entre governistas que o GDF não tem ninguém para tratar das pautas positivas a serem tocadas a longo prazo. Por isso, cogita-se criar uma coordenadoria de programas estratégicos. A estrutura seria ligada ao gabinete do governador, acomodaria Pacco e agradaria ao PSB, que deve perder em representatividade no primeiro escalão e não está nada satisfeito com isso.

Novo secretariado de Rollemberg começa a se definir
Aos poucos, a composição do novo secretariado de Rodrigo Rollemberg (PSB) começa a se desenhar. Com a ida de Marcos Dantas para a Secretaria de Mobilidade, o atual chefe da pasta, Carlos Tomé, deve se tornar o chefe de gabinete do governador. Rômulo Neves, que está no cargo atualmente, pode assumir alguma diretoria na Terracap ou em outra empresa estatal.
Uma supersecretaria de questões sociais, que englobaria Desenvolvimento Social, Trabalho, Mulher, Igualdade Racial e Direitos Humanos, deve ser criada. A pasta já tem endereço: ficaria na cota do PDT. O distrital Reginaldo Veras foi convidado para o posto, mas recusou. Rollemberg aguarda uma reposta de Joe Valle, a quem também foi oferecido o comando do novo órgão. Se Valle recusar, outro nome possível seria o do presidente regional da sigla, Georges Michel. Mas, como ele foi secretário no início do ano e já deixou o governo, não aceitaria voltar, principalmente por causa dos desentendimentos em relação ao Memorial de João Goulart — ele era a favor, mas o GDF vetou a construção da estrutura no Eixo Monumental.
Assim, ganha força o atual secretário do Trabalho, Thiago Jarjour. Por ele ser jovem, no entanto, o PDT calcula se seria a melhor indicação. “Ele é muito bom, muito capacitado, mas talvez seria muito poder e ele correria o risco de se queimar. É a mesma coisa que botar uma joia da base para jogar a final da Copa do Mundo”, compara um pedetista. Uma saída seria chamar alguém ligado ao PDT nacional, como o atual superintendente Regional do Trabalho, Miguel Nabuco.
Com Desenvolvimento Social nas mãos dos trabalhistas, hoje chefiada pelo socialista Marcos Pacco, o PSB perderia espaço no primeiro escalão. Para acalmar o partido, Rollemberg deve nomear como secretário adjunto da Casa Civil e responsável pela relação com a Câmara Legislativa o administrador de Brasília, Igor Tokarski. No lugar dele deve ficar, interinamento, o chefe de gabinete do órgão.

 

JORNAL DE BRASÍLIA

Do Alto da Torre
Eduardo Britto

O dragão aqui é mais bravo
A inflação já está mostrando sua cara feia há alguns meses e deve fechar o ano, segundo previsão da maioria dos economistas, nos dois dígitos. Mas a carga de aumentos enfrentada pelo brasiliense é ainda maior, graças ao aumento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que faz parte do pacote de medidas econômicas do GDF, encaminhado pelo governador Rodrigo Rollemberg e já aprovado pela Câmara Legislativa. E se engana quem acha que só produtos de luxo ou considerados supérfluos foram afetados.
Não há nem como afogar as mágoas, uma vez que o ICMS para as bebidas alcoólicas aumentou para 29%. Para quem pita um cigarrinho a situação ficou ainda pior: o Governo queria um aumento de 25% para 29%, mas descobriu que havia uma proposta do deputado distrital Bispo Renato (foto)elevando o tributo ainda mais (35%). É claro que o GDF fingiu de mortinho, retirou a proposta e aprovou a alíquota maior. E vale para fumo e seus derivados, cachimbos, cigarreiras, piteiras e até isqueiros. Parece que o governo também não quer ver as moças muito arrumadas. O ICMS sobre o batonzinho e demais produtos de maquiagem subiu para 29%. É a mesma alíquota para quem quer vai comprar uma joia. E quem quiser fugir dos aumentos e ficar em casa vendo um filme na TV também não vai conseguir: o ICMS da TV por assinatura subiu de 10% para 15%.
E aquela recomendação para quem ficar estressado com tanto aumento – vai pescar! – também não esta valendo: o ICMS para a compra de embarcações também foi reajustado para 29%.

E subiu tudo
Os aumentos não param por aí. Há um segredinho amargo que nem jiló embutido no projeto do governo: a alíquota modal, que vem a ser uma alíquota interna, referencial, utilizada em todas as operações com ICMS. Trata-se de uma taxação seletiva e pesa de acordo com a essencialidade do produto. O que é considerado supérfluo é mais caro – por exemplo, joias, embarcações, bebidas alcoólicas. O que é considerado essencial – como produtos da cesta básica – têm alíquota menor. Todo o resto é tributado pela alíquota modal, que subiu de 17% para 18% – e neste pacote estão refrigerantes, material de construção, móveis, eletrodomésticos e outros produtos; tudo fica mais caro, porque é lógico que a maioria dos comerciantes repassa os custos para o consumidor.

Um brinde
A Ambev – maior fabricante de cervejas do mundo e que hoje só tem um entreposto comercial em Brasília, depois do fechamento da fábrica do Gama – decidiu que não vai aumentar o preço da cerveja e do chope. O próximo reajuste fica para o ano que vem; por enquanto a empresa vai absorver o aumento de impostos.

Ponto do Servidor
Milena Lopes

Silêncio do governo é criticado pelos sindicatos
O governador Rodrigo Rollemberg tem sido duramente criticado pelos servidores. Primeiro, porque não apresentou proposta para pagar os reajustes salariais neste ano – ou, pelo menos, no início do próximo. Depois, por ter levado à Justiça as greves, deflagradas desde quinta-feira. Para a presidente do SindSaúde, Marli Rodrigues, o governador se nega a negociar com as categorias, por não ter habilidade para fazê-lo. E diz que o sindicato vai recorrer assim que for notificado da decisão judicial de que a paralisação é ilegal: “O governo tem que amadurecer, crescer e discutir com quem faz a saúde pública pública funcionar”.

Multa
Além do SindSaúde e dos agentes penitenciários, cujas paralisações foram declaradas ilegais pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), os agentes socioeducativos também foram obrigados a voltar aos postos de trabalho ontem, sob pena de multa diária de R$ 50 mil ao sindicato que representa a categoria.

Risco
O governo alegou abusividade de greve contra o Sindicato dos Servidores da Carreira Socioeducativa do DF que a paralisação coloca em risco a vida e a segurança dos internos e de seus familiares. Outro argumento foi a suspensão de serviços como escoltas, visitação de parentes, atendimentos ambulatoriais e recreação dos adolescentes internados.

Greve
Além dos servidores da Saúde, dos agentes penitenciários e dos agentes socioeducativos, estão em greve também os médicos e servidores do Complexo Penitenciário da Papuda, da Defensoria Pública do DF, do Departamento de Trânsito (Detran), do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), da Fundação Hemocentro de Brasília, da Fundação Jardim Zoológico de Brasília, do Instituto Brasília Ambiental (Ibram), do Instituto Médico Legal (IML), do Instituto de Defesa do Consumidor (Procon), do Na Hora, do Serviço de Limpeza Urbana (SLU) e da Vigilância Sanitária.

 

TRACKER CONSULTORIA

Riscos e Tendências
José Maurício dos Santos

Doces ou travessuras
O Dia das Bruxas (Halloween), comemorado nos Estados Unidos em 31 de outubro, será antecipado para o governador Rodrigo Rollemberg. Após adiar por mais de uma semana o anúncio do novo secretariado, chego o dia. No entanto, muitos presságios já começam a ser decifrados pela Tracker Consultoria nos últimos dias. Rollemberg terá a missão impossível de querer agradar a todos diante de um escasso capital político. Prática que durante o ano mostrou-se equivocada. Agora, com a redução das secretarias e o enxugamento da máquina para tentar reequilibrar as contas do governo deixará Rollemberg em uma situação difícil. A criação do Rede, e a insatisfação de aliados como PRB, PDT e o próprio PSB aumenta o desafio. Como costumo dizer, que é na pressão que os erros aparecem, mais um desgaste poderia ter sido evitado neste feriado quando a secretária de Planejamento, Leany Lemos, foi vista se aconselhando com o ex-supersecretário de Rollemberg, Hélio Doyle (ex-chefe da Casa Civil), sobre a reforma que será anunciada hoje. Isso será negativo para o governo haja vista que muitas decisões que irão na contramão de aliados serão creditadas ao antigo secretário do GDF. Com a popularidade em baixa, os servidores em greve generalizada e com os aliados parecendo crianças sem presente no Dia das Crianças, Rollemberg vai ter que saber ser pragmata diante do dilema: “doces ou travessuras”.

Pessimismo
A expectativa da Tracker é que Rollemberg mantenha a sua linha de antipatia ao pragmatismo e insista em nomes técnicos em detrimento de aliados políticos para cargos estratégicos, fragmentando ainda mais a relação com a base social e política. A articulação não é o forte do governador.

 

ONs & OFFs
Celson Bianchi

Francisco Caputo fala ao CB

CB – Como você avalia a atual gestão da OAB?
Caputo: A OAB é uma obra coletiva, que não acaba nunca. Nesse passo, todos aqueles que têm a honra de presidir nossa Casa contribuem para o seu aperfeiçoamento institucional. Isso não é diferente com a atual gestão, que deixará sua contribuição para a Ordem.

CB – Na sua avaliação o legado deixado a frente da ordem ainda permanece?
Caputo: Com certeza! Precisávamos resgatar o protagonismo da OAB na luta pelos interesses da sociedade. No episódio do pedido de intervenção federal feito pela PGR, a Ordem mobilizou mais de sessenta entidades da sociedade civil e conseguiu afastar esse fantasma que ameaçava a autonomia político-administrativa do DF. Ao assim proceder, a Ordem resgatou seu prestígio perante a sociedade e voltou a ser demandada a intervir nos assuntos do DF.

CB – O que deu errado para você não vencer as últimas eleições da ordem?
Caputo: Faltou voto, como disse meu ilustre conterrâneo, Milton Campos. Além disso, cometemos alguns erros políticos e não conseguimos passar para os advogados a grande revolução que empreendemos na OAB. Achamos que o trabalho realizado nos três anos de gestão seria suficiente para sensibilizar o eleitor. Não foi.

Sem crise
O Tribunal de Justiça do Distrito Federal abriu concurso para os cargos de Analista Judiciário e de Técnico Judiciário. A banca será o Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção (Cebraspe), o antigo Cespe. Serão oferecidas 80 vagas distribuídas em 15 cargos, com reserva para pessoas com deficiência e candidatos negros.

Nem tão longe
A isenção de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na aquisição de automóveis, por titulares de permissão ou concessão governamental para instalar quiosque, trailer ou feira e que os utilizem como instrumento de trabalho ou apoio, para a montagem de food trucks, por exemplo, esteve em ebate na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. A audiência pública foi solicitada para instruir a análise do projeto que estende a isenção — hoje prevista apenas para veículos de motoristas de táxi, cooperativas de táxi e pessoas com deficiência — a esse outro segmento. A proposta é de autoria do ex-senador Gim Argello.

 

METRÓPOLES

Grande Angular
Lilian Tahan

Papo de rei e rainha: Leany encontra-se com Hélio Doyle
Na manhã desta segunda (12), a secretária de Planejamento, Leany Lemos, tomou um café com o ex-chefe da Casa Civil Hélio Doyle.
O encontro ocorreu na padaria Martinelli, da 207 Sul. Leany e Doyle não se falavam há quase dois meses. Conversaram sobre os rumos do DF e a reforma de secretariado prevista para ser anunciada nesta terça (13).
Para quem assistiu ao encontro de butuca, ficou claro que Leany se aconselhava com Doyle, que mesmo fora do GDF desde junho continua com prestígio no governo.
Leany deve ser coroada nesta terça com uma supersecretaria, que unirá Planejamento, Orçamento e Gestão e Gestão Administrativa e Desburocratização. Como quem um dia foi rei nunca perde a majestade, esse, certamente, foi um café com tempero palaciano.

 

BLOG DO DONNY SILVA

Quase pecando de raiva…
O governador Rodrigo Rollemberg (PSB) se mostrou ser grande descumpridor de promessas e pelo visto, continuará. Nesta terça (13), ele anunciará a redução do número de administrações regionais e de secretarias. E deverá chamar ao menos três deputados distritais para assumir Secretarias de Estado para tentar amenizar as coisas na Câmara Legislativa.
Mas tudo indica que ele não cumprirá com o suplente de distrital e líder católico, Washington Mesquita (PTB). O Padre Moacir já está quase pecando de tanta raiva e decepção…

 

BLOG DO CALLADO

O dia 13 de Rollemberg: em busca de mais espaços, PRB, PSB e Joe travam reforma administrativa
O governador Rodrigo Rollemberg tem um desafio e tanto pela frente. Ao mesmo tempo que pretende reduzir a estrutura do primeiro e segundo escalões do Buriti, tem que compor a base aliada. E manter a governabilidade. Um governo nunca precisou tanto de apoio na Câmara Legislativa.
Nesta terça-feira (13), Rodrigo vai anunciar a reforma administrativa. Ou parte dela. Não está fácil costurar as mudanças que pretende e precisa fazer. O anúncio de criação das supersecretarias ouriçou partidos e políticos. O que era pra ser fácil, se tornou uma ação complexa.
Partidos e parlamentares querem uma megaestrutura para chamar de sua. E ainda manter o espaço existente dentro do governo. Ou seja, Rodrigo entrou em mais uma enrascada. Não tem como agradar todos. A reforma pretendida e os cortes não comportam a busca de mais espaços por aliados.
Algumas áreas já estão definidas. A cozinha do governador foi o mais fácil de resolver. A fusão da Casa Civil e Relações Institucionais (Serpi) vai gerar a Secretaria de Governo. Sérgio Sampaio ficará à frente da nova pasta. A Comunicação deve perder o status de secretaria e ficar debaixo da asa do governador.
Marcos Dantas deixa a Serpi e está certo na Secretaria de Mobilidade, no lugar de Carlos Tomé. Leany Lemos, do Planejamento, incorpora a Gestão Administrativa, de Alexandre Ribeiro, que passa a ser adjunto.
André Lima, atualmente no Meio Ambiente, é o nome certo para tocar a pasta, que será fundida à Gestão de Território e Habitação. Filiado a Rede, sua permanência no primeiro esaclão do governo é martelo batido.
Até aqui tudo fácil de se resolver. Quando a reforma chega nos partidos e nos políticos, a engrenagem trava. O PSB, partido do governador, não aceita perder espaço. A mudança de Marcos Dantas é um duro golpe para os socialistas. É a primeira perda da legenda do governador, já que Tomé também é da cota do PSB.
Se concretizar a mudança na Secretaria de Turismo, o PSB ameaça de rebelar. Uma carta foi enviada ao gabinete de Rodrigo relatando a insatisfação do partido. O atual titular, Jaime Recena, é o vice-presidente da legenda. Dantas é o presidente.
Recena poderia estar tranquilo. No início do governo, o Turismo seria trasformado em empresa pública. Ele mesmo bateu o pé pelo status de secretário. A amizade com o governador bastou para o Turismo ser mantido como secretaria. Uma diretoria na Terracap pode ser a solução. O salário beira os 50 mil reais, além de mordomias. Mas politicamente, não é interessante.
Outro nó na reforma é a negociação com o deputado Joe Valle, convidado mais de uma vez para ocupar uma supersecretaria. Mudou até seus planos políticos. Nome certo para se filiar a Rede Sustentabilidade, se manteve no PDT para ocupar o supercargo. A Rede não permite que parlamentar vá para o Executivo, sob risco de perda de mandato.
Joe Valle não esconde de ninguém que pretende ocupar uma supersecretaria. Mas enfrenta um dilema. Só irá se a Agricultura não entrar na fusão e se mantiver como secretaria. E que o titular, José Guilherme Leal, fosse mantido no cargo. Se conseguir convencer o governador, Joe ganha o Turismo, o Trabalho, a Ciência e Tecnologia e o Desenvolvimento Econômico e de quebra ainda mantém sua indicação na Agricultura.
E Rodrigo Rollemberg coloca na Câmara o suplente de Joe, Roosevelt Vilela, do PSB, e tenta acalmar o seu partido
Se Joe recusar e preferir permanecer na Câmara, se cacifa como nome para suceder a presidente do Legislativo, Celina Leão. E o PSD se coloca como opção para a supersecretaria. Arthur Bernardes é o nome do partido do vice-governador Renato Santana e do deputado federal Rogério Rosso.
O PRB, da secretária de Esporte, Leila Barros e do líder do governo, Júlio Cesar, é outra dor de cabeça de Rodrigo. A Secretaria de Educação vai aglutinar o Esporte. Julio Cesar baté o pé e não aceita que o partido fique fora do primeiro escalão. E se for para ocupar também uma supersecretaria, melhor ainda. Para completar, o nome de Júlio é o mais cotado.
O destino de Leila será a Câmara Legislativa, como suplente do próprio Júlio Cesar. Mas ela não aceita ir para um gabinete sem poder nomear seus próprios assessores. Vai acabar tendo que engolir a situação, se o governador optar em levar o deputado para o Buriti. A pressão do PRB é grande.
No final na história, o que era para ser uma solução para o governo, pode trazer mais problema para Rodrigo Rollemberg.

 

BLOG DO FRED LIMA

PT, mais uma vez, tenta interferir na eleição da OAB-DF
Não bastasse a tentativa frustrada do atual presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal (OAB/DF), Ibaneis Rocha, de barrar o registro de advogado do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e relator do processo que julgou o mensalão no ano passado, Joaquim Barbosa, agora Ibaneis está travando uma guerra sangrenta e vermelha para fazer o seu sucessor no cargo, o advogado Juliano Costa Couto. Para isso, vem contando com o auxílio do PT nacional e local, que quer porque quer manter a influência em uma instituição que deveria ser apolítica, face a sua importância para a advocacia nacional e brasiliense.
“Os servidores do Judiciário estão em greve há mais de 100 dias, e o SindJus nada faz pelo simples fato do presidente da OAB/DF, Ibaneis Rocha, ser o advogado do sindicato”, afirmou uma advogada da capital, que pediu para não ser identificada. “Ele deixou os advogados na mão na greve do Judiciário”, concluiu.
Não é novidade na política nacional as críticas que o PT recebe por tentar aparelhar o Estado, incluindo suas instituições. A última foi feita pelo ministro do STF, Gilmar Mendes, que disse que a OAB “não pode virar aparelho de partido”, ao responder uma nota da entidade, que classificou sua postura como “grosseira, arbitrária e incorreta” durante julgamento da ação que questiona doação de empresas a campanhas eleitorais.
As eleições da OAB/DF vão ocorrer no dia 16 de novembro para escolha dos membros da Diretoria e do Conselho Pleno.

É hoje!
Sou um defensor desde o primeiro semestre de uma reforma no secretariado do Governo de Brasília. Existem secretários que nunca deveriam ter ido para o governo. O ex-chefe da Casa Civil, Hélio Doyle, era um deles. Inteligente e estrategista, Doyle é o chefe de campanha que todo político gostaria de ter, mas seu perfil não se encaixa no Executivo local. João Batista jamais deveria ter sido secretário de Saúde. É um acadêmico e técnico, ou seja, um profissional que conhece bastante a teoria, mas não tanto a prática gerencial da saúde.
Nomes como o de Marcos Dantas, secretário de Relações Institucionais e Sociais, e de Jaime Recena, secretário de Turismo, foram ótimas cartadas do governador Rodrigo Rollemberg até agora. Articulado e aberto ao diálogo, Dantas salvou o governo de vários apuros, incluindo a crise política das gravações dos distritais, onde alguns tiveram suas conversas gravadas com o governador. Quanto a Jaime, seu esforço imenso de tentar fomentar o comércio local por meio do turismo é reconhecido pela classe política e jornalística da cidade.
O problema dos nomes até então especulados é que um ou outro vão jogar fora de suas posições, isto é, longe da função onde são especialistas. O atual chefe da Casa Civil, Sérgio Sampaio, foi uma escolha acertada de Rollemberg para o cargo, mas ele é conhecido por ser um expert em trabalhos internos. Daria certíssimo como chefe de gabinete, se a Casa Civil for extinta. Como colocá-lo na poderosa Secretaria de Governo e Relações Institucionais, sendo que o perfil dele é introspectivo, de quem trabalha olhando para dentro do governo? E para onde vai as Relações Sociais do governo? Será extinta? Ora, estamos com vários indicativos de greves, incluindo algumas categorias que já estão. Pergunto: quem fará o papel de interlocutor do governo com os sindicatos e movimentos sociais? Até agora Dantas vem fazendo, mas Sampaio, um profissional que trabalha internamente, vai conseguir fazer?
Talvez assistiremos um “jogo” onde o “goleiro” poderá ser o camisa 10 do “time”, responsável por armar jogadas para se chegar à vitória. Sérgio trabalha discretamente e na defesa, não na articulação. Foi Diretor Geral do Senado, cargo que ocupou com bastante competência, mas se tratava de uma função interna, administrativa.
Quanto a Recena, a pasta do Turismo não deveria ser unificada com outras. Por quê? Simples: Brasília está mergulhada em uma imensa crise financeira, seja pelo impacto negativo do cenário econômico nacional ou pela herança deixada pelo governo passado. Em qualquer estado, em período de crises, o turismo se torna um setor estratégico, que visa trazer recursos às cidades. Se for unificado com outras pastas, perderá o seu caráter emergencial e estrategista, podendo ser tratado como uma secretaria de mero expediente.
O govenador quer acertar. Até demorou bastante para fazer a reforma que será anunciada hoje, mas o time continuará desentrosado se jogadores jogarem em posições onde nunca atuaram. Talvez o problema não seja o esquema tático, mas os jogadores. Secretarias como a do Turismo e das Relações Institucionais e Sociais não deveriam ser unificadas ou extintas. São pastas estratégicas. Merecem um cuidado maior.

 

BLOG DO ODIR RIBEIRO

O dia D
O mistério da reforma administrativa irá acabar nesta terça-feira,13. O governador Rodrigo Rollemberg irá anunciar as 15h a tão misteriosa troca de secretários e extinção de algumas secretarias.
Até lá algumas perguntas ficarão no ar: O governador irá conseguir ter um deputado secretário? Os amigos ficarão a ver navios? Chico Leite e Cláudio Abrantes irão cair na Rede?
As respostas só depois das 15h.

Greve da saúde deve continuar
Apesar de a Justiça ter declarado ilegal a greve da Saúde, o SindSaude realiza assembleia nesta terça-feira (13) para decidir os rumos do movimento.
A tendência é de que a paralisação continue. “Não fomos notificados e não temos proposta alguma do governo”, adiantou Marli Rodrigues, presidente da entidade.
A assembleia ocorre às 10h no estacionamento do ambulatório do Hospital de Base.

O grupo dos oito
A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) é o principal ponto das articulações e decisões políticas nos próximos dias na capital. Mas o fato é que o governador Rodrigo Rollemberg irá completar 10 meses de gestão e não conseguiu uma base aliada para chamar de sua.
As dificuldades encontradas na CLDF são responsáveis de parte da atual situação no GDF. Os distritais rebeldes deixaram o governador em apuros por diversas vezes nesse período de gestão.
Um exemplo é o aumento dos impostos. Rollemberg queria o reajuste do IPTU e taxa da limpeza. No entanto, aliados e oposição jogaram contra. O pacote só foi aprovado parcialmente. Podemos dizer que foi uma derrota e tanto para o Palácio do Buriti engolir.
Somente os articuladores do Buriti não perceberam que um núcleo de oito parlamentares são influenciadores das pautas que chegam ao plenário. O time é formado pela presidente da casa, Celina Leão (PDT); Bispo Renato (PR); Joe Valle (PDT); Agaciel Maia (PTC); o líder do governo, Júlio César (PRB); o oposicionista, Chico Vigilante; Raimundo Ribeiro (PSDB); além de Wellington Luiz (PMDB).
O foco das insatisfações, juntamente com as derrotas amargas passam por esses distritais que, vira e mexe, fazem reuniões e monopolizam as conversas ao pé de ouvidos.
Até mesmo na reforma administrava, parte dos parlamentares mantêm as conversas. Podemos afirmar que esses distritais estão ajudando a emperrar as negociações.
Em política é bom saber onde são os focos de “incêndio”.

O Backstage News é um produto diário da Tracker Consultoria que reúne os melhores colunistas de política do DF com informações dos bastidores do Poder.



Jose Mauricio dos Santos
Autor: Jose Mauricio dos Santos
Jornalista, Cientista Político e especialista em Marketing Político.

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