ANÁLISE POLÍTICA: os desafios de Rollemberg após a reforma administrativa

 

Rollemberg_tracker-consultoria

*Por José Maurício dos Santos

O governador Rodrigo Rollemberg anunciou na tarde desta terça-feira (13) a tão esperada reforma administrativa que reduz o número de secretarias de 24 para 17. A falta de conformidade com a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) diante da falta de um senso realista do governo no início do mandato levou Rollemberg a fazer esses cortes que afetarão diretamente a sua popularidade.

Segundo o relatório de gestão fiscal, referente ao segundo quadrimestre de 2015, aponta que o Executivo atingiu 50,8% da receita corrente líquida com o pagamento de pessoal, quando o tolerável pela LRF é 49%. Diante desta situação, o governo pode reduzir até 20% dos cargos comissionados, que será realizada gradualmente.

O anúncio foi mais negativo do que positivo para o Buriti de acordo com aliados. Os novos secretários devem tomar posse na terça-feira (20).

As decisões de Rollemberg serão o tema da semana e a Tracker Consultoria fez algumas ponderações.

Acabou a novela, pelo menos por hora, em torno do nome do deputado distrital Joe Valle (PDT) como Supersecretário do governador Rodrigo Rollemberg.

O deputado recusou o convite do governador apesar de Rollemberg ter mantido a Agricultura com o status de secretaria, e o secretário José Guilherme Leal, como havia sugerido o distrital. No entanto, o motivo alegado por Joe Valle para não assumir a pasta o aproxima novamente da Rede, de Marina Silva.

O parlamentar não poupou Rollemberg e disse que recusou o convite porque era meramente político, sem levar em consideração a sua capacidade técnica. Rollemberg se elegeu com o discurso de pôr fim no “toma lá da cá” de cargos públicos em troca de favores ou submissões, os chamados clientelismo e fisiologismo.

Marina havia alertado que a Rede é um partido que traz em seu Estatuto a vedação ao fisiologismo, ou seja, proíbe que parlamentares da Rede assumam cargos no Executivo com pena de expulsão e perda do mandato, como prevê a legislação eleitoral, salvo por deliberação da Executiva Nacional.

A Tracker entrou em contato com o parlamentar e sua assessoria não descartou a sua ida para a Rede. Ele tem até o dia 22 de outubro para se filiar a um novo partido sem que seja acionado por infidelidade partidária.

A decisão de Joe Valle também frustrou os planos do governador de fortalecer a sua bancada com a possível ida do 1º suplente da coligação PSB-PDT-SD, Roosvelt Vilela (PSB) para o lugar do pedetista. As únicas possibilidades agora para Rollemberg seria indicar os deputados Reginaldo Veras (PDT) ou Sandra Faraj (SD) para a Secretaria de Trabalho, Desenvolvimento Social e Direitos Humanos a fim de abrir a vaga para Vilela.

O tom do pedetista não foi ameno. Isso põe em dúvida a possibilidade de o deputado assumir a liderança do governo na Câmara com a iminente saída de Júlio César (PRB). Joe que é o nome em evidência do PDT na Casa, ao lado da presidente Celina Leão, que não pode acumular as duas funções.

No entanto, resta saber se Rollemberg vai seguir o critério de manter o líder do mesmo partido ou coligação, abrindo a possibilidade de escolher Agaciel Maia (PTC) como novo líder do governo.

Outros três nomes que correm por fora e podem ser escolhidos para a liderança do governo, por motivos distintos, é o retorno de Raimundo Ribeiro (PSDB) que está em conflito com o seu partido, o de Liliane Roriz (PRTB) ou de Rodrigo Delmasso (PTN). Mas a falta de confiança em seus pares é outro desfio de Rollemberg que deve enfrentar forte rebelião nos próximos dias na Câmara.

Joe Valle também almeja suceder Celina Leão no comando da Câmara para o biênio de 2017-2018. E isso independe da sua permanência no PDT, haja vista que a Rede também é da base aliada e, com a ida de Joe Valle para a nova legenda, ela se tornará a maior bancada com quatro parlamentares, o que lhe credencia naturalmente em disputar a presidência. Quem também está de olho nessas oportunidades são os distritais Luzia de Paula (Rede) e Claudio Abrantes (Rede), haja vista que Chico Leite acaba de receber a presidência da Rede-DF.

Até hoje nesta 7ª Legislatura, apenas o PT não formou blocos partidários na Câmara para efeito de cálculo do princípio da proporcionalidade (distribuição de cargos na Casa – Comissões e Mesa Diretora). O que deverá ser revisto pela bancada de oposição para fins estratégicos.

Rollemberg se indispôs com o seu próprio partido ao preterir o presidente e o vice do PSB, Marcos Dantas e Jaime Recena, por técnicos em áreas em que ambos estavam desempenhando papéis satisfatórios dentro da realidade da atual conjuntura.

Como previu a Tracker, Rollemberg deixou o consultor legislativo da Câmara dos Deputados, Sérgio Sampaio, com características técnicas, na coordenação política.  Rollemberg já havia escolhido anteriormente o consultor legislativo do Senado, Flávio Gondim, para a Saúde. Gondim que não tem características técnicas da área e nem de agregado fator político.  Ao contrário do presidente do Sindicato dos Médicos do DF, e 2º suplente da coligação PSB-PDT-SD, na Câmara Legislativa, Dr. Gutemberg Fialho (PSB).

Jaime Recena está sem destino por enquanto, apesar de ter como eventual opção uma ofuscada e discreta diretoria na Terracap. Outro que teve que deixar o governo e também deve ter uma diretoria em uma estatal como consolo é o ex-chefe de gabinete de Rollemberg, Rômulo Neves. O problema é que ambos visam algo maior em 2018 e cargos como estes não dão visibilidade, apesar do alto salário.

Em contra partida, ingressaram para o governo o secretário de Políticas para Crianças, Adolescentes e Juventude, o historiador pernambucano e morador de Brasília há 30 anos, Aurélio de Paula Guedes Araújo; e o auditor mineiro do Tribunal de Contas da união (TCU), Henrique Moraes Ziller, para a controladoria-geral.

Pelo visto Rollemberg está se garantindo no apoio declarado por Marina Silva, a presidenciável mais votada do DF no primeiro turno das eleições de 2014. Não é um aliado qualquer. A legenda chegou para fazer mudanças substanciais na política local e nacional.

No entanto, com a possibilidade de ainda aumentar a sua bancada na Câmara Legislativa, a Rede ainda precisa ter a sua fidelidade ao Buriti posta à prova, uma vez que Marina não é uma pessoa fácil de lidar. PT e o próprio PSB que digam, por divergirem muitas vezes da ex-ministra do Meio Ambiente quando a mesma era filiada.

Com a recusa de Joe Valle, Rollemberg se desgastou com o parlamentar e perdeu a chance de fortalecer a sua bancada na Casa.  Agora, o cenário é outro. E quem estará com a situação sob controle pode ser o pedetista. Mesmo insatisfeito com a sua exposição, Joe Valle, que poderia abrir uma vaga para um parlamentar do PSB na Câmara Legislativa, é agora forte nome para assumir a liderança do governo, seja na Rede ou no PDT. Assim como para suceder Celina Leão na presidência da Casa. Ou, no melhor dos cenários, as duas coisas em seu devido tempo.

Rollemberg insiste em atender às forças ocultas, que nunca deixaram o governo, do que aos anseios daqueles que podem garantir a sua governabilidade. Aliás, a comunicação não é o forte do governo.

Com a inabilidade e inoperância de Rollemberg e seus gurus em torno da articulação política, a sorte está lançada em meio a uma crise econômica, política e social. Sendo as duas últimas consequências da crise econômica que o governador não conseguiu lidar no primeiro ano, justamente pela falta de diálogo que resultou num clima hostil para aprovação de projetos de interesse do Executivo na Casa Legislativa.

*Por José Maurício dos Santos – Bacharel em Comunicação Social, especialista em Marketing Político e graduando em Ciência Política. É consultor político ABCOP e chefe do Departamento de Análise Política da Tracker Consultoria e Assessoria.
Contato: +55 (61) 8107-4883



Jose Mauricio dos Santos
Autor: Jose Mauricio dos Santos
Jornalista, Cientista Político e especialista em Marketing Político.

Deixe uma resposta