Backstage News Brasil 07/02/19 – Bolsonaro sofre pressão para trocar líder do governo na Câmara

O Backstage News é um produto diário da Tracker Consultoria que reúne os principais colunistas de política do País com informações dos bastidores do Poder.

 

FOLHA DE S. PAULO

Painel
Daniela Lima

Ponte do rio que cai
Na Câmara, caciques de partidos do centrão querem fazer do líder do governo, Major Vitor Hugo (PSL-GO), a primeira vítima de sua insatisfação com a articulação política do Planalto. O movimento conta com o apoio de ala numerosa do PSL, sigla de Jair Bolsonaro, e até de integrantes da Casa Civil, que desconfiam da capacidade do nome escolhido pelo presidente. Há articulação para, com o início das sessões de votação na próxima semana, impor derrotas e expor o isolamento de Hugo na Casa.

Salto sem rede
Integrantes de legendas como DEM e PRB estão na linha de frente da articulação contra Vitor Hugo, que não encontra defensores nem entre quadros do PSL. A ordem na sigla, inclusive, é ignorar pedidos do líder por assinaturas em projetos e requerimentos de CPIs.

Ampulheta
A insatisfação na Câmara com o escolhido de Bolsonaro preocupa não só a Casa Civil, mas também outras alas do governo. Há o temor de que o problema se arraste para além da apresentação da reforma da Previdência, o que poderia prejudicar o andamento do texto.

Filho é teu
No Ministério da Economia, auxiliares de Paulo Guedes já adotaram o mote de que, no que diz respeito à condução do texto que vai tratar de mudanças nas regras da aposentadoria, “o líder do governo é Rodrigo Maia (DEM-RJ)“, o presidente da Câmara.

Profissional
A insatisfação com o novato Vitor Hugo na Câmara pode dar fôlego a uma surpresa no Senado. Na tentativa de reacomodar o MDB –isolando Renan Calheiros (AL) do resto da bancada–, o presidente Davi Alcolumbre (DEM-AP) patrocina a indicação de Fernando Bezerra (MDB-PE) para líder do governo.

Nome aos bois
Bezerra é visto como um nome habilidoso e experiente. A articulação para fazer dele líder do governo no Senado passa por, além de Alcolumbre, senadores do próprio MDB. Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) também foi sondado sobre o assunto. O martelo será batido pelo presidente, que está hospitalizado.


Depois da derrota, Renan se afastou das conversas no Senado. Seus aliados estão magoados. O modo como ele saiu da disputa deixou todos os que auxiliaram sua candidatura em uma sinuca de bico.

Supetão
Apesar de esperada, a segunda condenação do ex-presidente Lula chegou mais cedo do que os petistas imaginavam. A defesa avalia duas possibilidades de recurso: embargos de declaração ou apelação direto ao TRF-4.

Come frio
Aliados do ex-presidente dizem que a sentença deixa claro que a juíza Gabriela Hardt correu para poder assinar a nova condenação. Além de, com base no nome e no apelido, tratar Leo Pinheiro como duas pessoas diferentes, ela comete erros de digitação. Escreveu, por exemplo, “inverosímel” (sic).

Sinal amarelo
O ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, suspendeu contratações do Minha Casa Minha Vida feitas nos estertores da gestão de Michel Temer. A pasta identificou que 17,4 mil novas unidades habitacionais foram autorizadas entre 28 e 30 de dezembro.

Sinal amarelo 2
Procurado, o ministério informou que “parte dessas contratações não seguiu os critérios processuais regulares” e que, por isso, “determinou à Caixa que não autorizasse o início dos empreendimentos até a avaliação final”.

 

Tiroteio
Não se constrói base sólida apenas com frases de efeito. É preciso engenharia e articulação política –e isso é tarefa do líder
Do deputado Efraim Filho (DEM-PB), sobre a dificuldade de aliados do presidente Jair Bolsonaro de estabelecer pontes com o Congresso

Mônica Bérgamo

Reunião de governadores com Moro vira sessão de lamentos e pedidos de recursos
O ministro da Justiça lançou o pacote anticrime na segunda (4)
A reunião entre o ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sergio Moro, e os governadores na segunda-feira (4), para a apresentação de seu projeto anticrime, virou em determinado momento uma sessão de lamentos e reclamações por mais recursos.

DÁ CÁ… 
Enquanto o ministro vendia seu peixe, pelo menos cinco dos governadores presentes, segundo relatos, pediam que Moro ajudasse a viabilizar a liberação de recursos do fundo penitenciário, destinado aos presídios, e do fundo de segurança.

NO MÍNIMO 
O raciocínio de alguns governadores é o de que não adianta endurecer o cumprimento de penas se não há recursos para construir ou ampliar presídios, hoje superlotados.

UMA MÃO… 
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM-GO), propôs que seja criado um acordo de cooperação para facilitar o envio direto de reforço policial aos estados que enfrentam situações como a do Ceará, com ataques recentes de organizações criminosas.

…LAVA A OUTRA 
“Goiás enviou bombeiros e cães especializados para Brumadinho [depois do rompimento da barragem da Vale], em Minas Gerais. Não poderia enviar pessoas com boa experiência no combate à ação de facções criminosas para o Ceará?”, questiona.

CASA 
A possibilidade de que Lula seja transferido para o sistema prisional do Paraná depois da segunda condenação criminal assustou pessoas ligadas ao petista.

CASA 2 
Advogados dele, no entanto, duvidam que a transferência possa ocorrer já que o ex-presidente ainda não foi sentenciado definitivamente em nenhum processo.
Lembram ainda que outros ex-mandatários brasileiros jamais foram colocados em prisões comuns.

CASA 3 
A condenação reforçou a certeza de que dificilmente o ex-presidente será libertado nos próximos anos. A esperança agora recai sobre a possibilidade de uma prisão domiciliar.

 

O ESTADO DE S. PAULO

Coluna Estadão
José Alberto Fiorin Bombig

Léo Pinheiro, de amigo a testemunha-chave
Quem sabe interpretar sentenças observa que Léo Pinheiro é a peça fundamental para a condenação de Lula no intrincado quebra-cabeça do sítio de Atibaia. O ex-diretor da OAS foi sentenciado a 1 ano e 7 meses de prisão pela juíza Gabriela Hardt, a menor pena entre os condenados no caso. Pinheiro gozou da amizade de Lula e, em novembro passado, em depoimento à Justiça, disse que o petista era o real beneficiário das obras no imóvel e não se preocupava com custos: “Ele combinou comigo: ‘Olha, tudo bem, pode iniciar o serviço’”.

Dificultou 1
Se na condenação do caso triplex o PT bateu na qualidade das provas, desta vez o partido só teve como alternativa insistir no discurso da “perseguição política”. Em privado, petistas mais lúcidos reconhecem as “evidências” contra Lula no caso do sítio.

Dificultou 2
A nova condenação despertou nos grupos de WhatsApp do partido a necessidade de rediscutir a estratégia

“Lula Livre”
A avaliação é de que ela não pode se restringir a visitas ao ex-presidente seguidas de entrevista na saída.

Hasta la vista
A Diretoria de Gestão da Apex decidiu fechar os escritórios mantidos em Angola e Cuba. O primeiro já não tinha nenhuma ação tomada há mais de dois anos. Com o fechamento, economizará R$ 1,5 milhão por ano.

Desenhando
O incômodo de líderes do Congresso foi parar no gabinete de Santos Cruz. O general ouviu de Jhonatan de Jesus (PRB-RR) que há, sim, diferença entre negociação e toma lá, dá cá. A distribuição de emendas, por exemplo, faz parte do jogo.

Fui
O PRB tem 30 deputados e anunciou sua “independência” ao governo.

Click
Antes de apresentar ao Congresso o pacote anticrime, o ministro da Justiça, Sérgio Moro, tomou café da manhã com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

Se liga nela
Tucanos que acompanham de perto a movimentação de Joice Hasselmann (PSL-SP) na Câmara alertam o prefeito Bruno Covas: ela quer ser candidata à sucessão dele na Prefeitura de São Paulo em 2020.

Pode entrar
João Doria esteve ontem na Assembleia de SP. Desde 2006 um governador não se reunia na Casa em conversa com os deputados (55 deles participaram do encontro, que durou duas horas).

Big…
O Ministério da Justiça abre processo administrativo para investigar se o Google Brasil viola a privacidade dos usuários. Vai apurar se a ausência de consentimento dos usuários à análise do conteúdo de e-mails não infringe o Marco Civil da Internet e o Código do Consumidor.

…brother
Com a publicação no Diário Oficial de hoje, abre-se prazo para a defesa. Caso os indícios sejam confirmados, o Google pode ser multado em até R$ 9,7 milhões. A empresa, procurada pela Coluna, não quis se manifestar.

Estica e puxa
Um técnico envolvido na reforma da Previdência diz que o texto a ser encaminhado ao Congresso terá “alguma gordura” caso seja necessário ceder aos parlamentares. O secretário de Previdência, Rogério Marinho, nega. “A proposta será a que o governo quer aprovar.”

Déjà vu
Michel Temer tinha o mesmo discurso quando encaminhou sua proposta de reforma. Para aprová-la na Comissão Especial, deixou pelo caminho as alterações no Benefício de Prestação Continuada e na aposentadoria rural.

 

William Waack

A hora dos profissionais
Governo ataca crime e dívida, mas precisa sobreviver aos ideólogos
Pode-se gostar ou não do governo Bolsonaro, mas é difícil negar que ao se iniciar, de fato, na segunda-feira passada, pretendeu ir de frente à questão. Ela se chama crime e dívida – separadas de maneira artificial, pois são, na verdade, uma coisa só. Crise fiscal e crise social são duas expressões distintas para o mesmo fenômeno: a incapacidade do poder público de controlar a si mesmo (gastos, mas não só) e de dirigir-se a uma pavorosa taxa de criminalidade.
Os detalhes do pacote anticrime já foram esmiuçados no noticiário enquanto os da reforma da Previdência ainda são confusos, e os dados da realidade impõe que ambas iniciativas sejam tratadas do ponto de vista político simultaneamente, e com urgência. Nesse sentido, é relevante a advertência feita pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, segundo o qual “a pauta de costumes vem depois da Previdência”.
O que Maia está dizendo enfurece os entusiasmados bolsonaristas: atuação política não pode ser apenas função de atender à ideologia, cujas propostas ou utopias mais amplas por definição (se os bolsonaristas não aprenderam com o PT está mais do que na hora) nunca são realizadas, nunca se chega à terra do amanhã. No plano dos fatos na instância legislativa o momento é favorável se o governo agir depressa, enquanto a gravidade da crise de segurança empurra os governadores (e seus chefes de polícia) para algum tipo de entendimento, cientes de que não dá para protelar.
Este é visivelmente o conflito estratégico mais difícil para o governo no momento, e que está escancarado para o público nas trocas de farpas entre as várias alas concorrendo pelas atenções do presidente. Em resumo, o problema consiste em deixar para depois uma “revolução dos costumes” que, na interpretação do círculo íntimo do presidente, e alguns de seus expoentes intelectuais, é o que explicaria em primeiro lugar a vitória eleitoral. E concentrar-se com foco total nas articulações necessárias para a aprovação de pacotes de mudanças de legislação que terão, aos olhos dos ideólogos próximos de Bolsonaro, um indisfarçável ranço da “velha política” que pretendem já ter eliminado – uma perigosa ilusão.
Há sempre lições interessantes na História para agentes políticos que acham que ninguém contém seu ímpeto, como são os bolsonaristas. Os bolchevistas descobriram já em 1917 que nenhuma máquina militar (da qual precisavam para sobreviver) funcionaria sem os oficiais czaristas, ou seja, necessitavam dos profissionais para levar adiante sua agenda de transformação política. O vice-presidente Mourão anda empolgado com a série Trotsky da Netflix, que retrata bem esse episódio (os revolucionários islâmicos de Khomeini libertaram da cadeia os pilotos de F-4 que eles mesmos haviam encarcerado quando Saddam Hussein atacou o Irã, e precisavam rapidamente de uma força aérea).
Sem a tal “velha política”, entendida como a atuação de operadores no Congresso (Câmara e Senado) dificilmente o governo leva adiante esse prometido ataque frontal ao crime e à dívida, sob os quais o País está esmagado. São as questões cujo maior ou menor capacidade do governo em tratá-las de forma consequente (dada da gravidade dessa grande crise, é difícil usar o verbo “resolver”) será a verdadeira medida do sucesso. E de sua própria sobrevivência, palavra aqui entendida como a de um governo que mereça esse nome.

 

O GLOBO

Bernardo Mello

Lula condenado, PT mais isolado
A segunda condenação de Lula tende a agravar o isolamento do PT. O partido não conseguiu unir a oposição e perdeu influência no Congresso. Agora fica ainda mais longe de ver seu líder fora da cadeia.
Em 2018, o PT foi varrido pelo furacão Bolsonaro. Só elegeu quatro governadores, todos no Nordeste. Em 2019, as perspectivas não parecem melhores. O ano mal começou e a sigla já sofreu derrotas significativas na Câmara e no Senado. Pela primeira vez em 17 anos, foi excluído das duas mesas diretoras.
Na Câmara, os petistas foram esnobados por Rodrigo Maia, que preferiu se aliar ao PSL. Fecharam um acordo de última hora com Marcelo Freixo, mas não conseguiram entregar nem 40 dos 54 votos da bancada. Agora correm o risco de não comandar nenhuma comissão importante.
No Senado, o PT escolheu abraçar Renan Calheiros. Foi uma decisão desastrada. O emedebista retirou a candidatura e deixou os parceiros ao relento. O governista Davi Alcolumbre virou presidente e deixou claro que não dará vida fácil a quem apoiou o rival.
Um ex-ministro petista afirma que o partido está sem rumo e “caminhando para o gueto”. Ele diz que a legenda adotou um discurso sectário e ficou imobilizada com a campanha “Lula Livre”. Na sua avaliação, o ex-presidente não sairá da cadeia tão cedo. Aos 73 anos, terá que esperar um habeas corpus humanitário.
Outro ex-ministro descreve a situação do PT como um “profundo isolamento”. Ele defende um esforço de reaproximação de aliados históricos como PDT e PCdoB. O problema é que as duas siglas ainda reclamam do tratamento que receberam na eleição. Preferiram apoiar Maia e sabotaram a formação de um bloco de esquerda na Câmara.
O PT recebeu 47 milhões de votos na corrida presidencial, mas não sabe o que fazer com eles. Fernando Haddad voltou às salas de aula e resiste a assumir o comando do partido. Só tem sido visto no Twitter, onde faz críticas pontuais a Bolsonaro.
A presidência da sigla continua nas mãos de Gleisi Hoffmann, rebaixada de senadora a deputada. Ela é cada vez mais contestada pelos colegas. Tem dado motivos para isso. Sua última trapalhada foi baixar na Venezuela para a posse de Nicolás Maduro.

Lauro Jardim

Petista quer criar fundo de combate ao câncer com dinheiro recuperado de corrupção
A deputada Maria do Rosário (PT/RS) propôs a criação do Fundo Nacional de Prevenção e Combate ao Câncer através de um projeto de lei apresentado à Câmara. A proposta é que o fundo seja ligado ao INCA e abastecido com 10% dos recursos recuperados em ações de ressarcimento a União por atos de corrupção — ou seja, o PT poderia contribuir bastante… O fundo contaria também com doações e de recursos provenientes do Fundo Especial da Loteria Federal, que precisam ter o percentual regulamentado através de lei.

Cúpula da Vale teme novas prisões nas próximas horas
O comando da Vale teme que a Polícia Federal detenha o funcionário Alexandre Campanha nas próximas horas.
Em depoimento à PF, o engenheiro Makoto Namba acusou Campanha de tê-lo pressionado a assinar um laudo de estabilidade de interesse da mineradora, conforme revelou a “TV Globo”.
Na avaliação de integrantes da cúpula da Vale, a oitiva do engenheiro queima ainda mais a carbonizada imagem da companhia, o que parecia praticamente impossível num cenário em que já foram contabilizados 150 mortos em Brumadinho.
Makoto Namba foi um dos três técnicos presos pela PF após o desastre. Como os demais, ele foi beneficiado por um habeas corpus do STJ e deve deixar a cadeia ainda hoje.

P-67 atrasa: 150 mil barris por dia a menos
A plataforma da Petrobras P-67, que chegou da China em julho passado, finalmente começou a operar na sexta-feira.
À época da entrega, a diretoria da estatal afirmou que a P-67 e outras três plataformas começariam a produzir entre outubro e dezembro, ou seja, ainda no ano passado.
No setor naval, atribui-se que o início da produção da plataforma vinda da China atrasou porque a estrutura precisou passar por reparos.
A Petrobras não confirma ou nega os defeitos. Diz que, após desembaraço aduaneiro, inspeções e serviços executados, a P-67 foi transportada para a locação, no campo de Lula.
Foram 150 mil barris de petróleo por dia que deixaram de ser produzidos pela plataforma. Por ao menos um mês de ociosidade, a perda é de, aproximadamente, US$ 232,5 milhões.

Cresce a produção de petróleo
A produção de petróleo no Brasil cresceu 2,4% em dezembro em relação ao mesmo mês do ano anterior, de acordo com dados da ANP. Foram produzidos 3,4 milhões de barris de óleo equivalente no último mês de 2018.
Entre os estados produtores, o Rio de Janeiro continuou na liderança folgada com uma participação de 67,9%, seguido por São Paulo com 12,7% e Espirito Santo com 11,4% — ou seja, apenas três estados concentram 92% do petróleo produzido no Brasil.

Caso Flávio Bolsonaro/Queiroz já tem novo promotor, o segundo em dois dias
A investigação do caso Flávio Bolsonaro/Fabricio Queiroz já está em novas mãos. Depois de ficar apenas 24 horas sob a responsabilidade de Claudio Calo, promotor que ontem declarou-se suspeito, a investigação agora para para o promotor Luis Otavio Figueira Lopes, que atua na 26ª Promotoria de Justiça de investigação penal da 1ª Central de Inquéritos do Rio de Janeiro.
Em março passado, Figueira Lopes foi designado, ao lado de quatro outros promotores, para um grupo de investigação dos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Santos. O grupo deixou de atuar no inquérito cinco meses depois, mas Figueira Lopes passou a ser o responsável pela apuração dos crimes na internet contra Marielle — área em que atuou em diversos casos.
Em 2014, foi o autor de uma denúncia que apontou que a ativista Elisa Quadros Pinto Sanzi, a Sininho, incitou manifestantes a incendiar o prédio da Câmara Municipal do Rio e a queimar um ônibus nos protestos de 2013.

Miriam Leitão

O risco de uma reforma aguada
O ministro da Economia, Paulo Guedes, já começou a ceder na reforma da Previdência. Inicialmente, falou-se em uma economia de R$ 1 trilhão no período de 10 anos, que ficaria acima dos R$ 800 bi do projeto original do governo Temer. Diante da reação às medidas vazadas na última segunda-feira, Guedes disse que estaria disposto a chegar a esse valor em um período maior, de 15 anos. O problema é que, na prática, isso significa que o projeto já sairá do Executivo mais desidratado do que a PEC 287 elaborada pelo então secretário da Previdência Marcelo Caetano, que tinha uma transição suave e aumentava consideravelmente o valor economizado com o passar do tempo. Na hipótese mais conservadora, o projeto de Caetano pouparia R$ 1,2 trilhão em uma década e meia. Ao ceder logo de início, Guedes corre dois riscos: aprovar uma reforma mais branda do que a do governo anterior e em um prazo mais esticado, já que um projeto novo teria que passar pelas duas principais comissões da Câmara. Ontem, a bolsa teve a maior queda desde maio, com o mercado começando a colocar na conta as idas e vindas dessa tramitação.

‘AINDA ESTÁ MUITO CRU’
Na avaliação de um deputado do PSDB, o encaminhamento da reforma da Previdência ainda está muito no início por parte do governo Bolsonaro. Ele diz que o partido é defensor da reforma e tende a apoiá-la, mas ainda faltam os detalhes para se saber como será o ritmo de tramitação na Câmara e a adesão dos deputados. “Uma reforma dessa complexidade requer um amplo trabalho de convencimento, diálogo e liderança. É um processo e ainda está muito cru. São os detalhes que fazem a diferença, apesar de a aceitação à reforma ter aumentado bastante tanto no Congresso quanto na sociedade”, afirmou. Segundo ele, um projeto novo deve sim passar pelas comissões, e não tentar pegar carona na PEC do governo Temer. “Não tem como eliminar o debate e a possibilidade de emendas ao texto”, disse.

MARCHA À RÉ
O ano começou mal para a indústria. A produção de veículos encolheu para 196,8 mil unidades em janeiro, ou 10% a menos que um ano antes. O setor automotivo responde por mais de 20% do PIB da indústria, que já apresentava sinais de anemia no semestre passado. O mercado interno não compensou a queda nas exportações. Com a crise da Argentina, os embarques de veículos despencaram 46% na comparação com janeiro de 2018.

CANTEIRO DE OBRAS
A recuperação do mercado de trabalho depende muito do setor de construção civil, que é um dos maiores empregadores da economia. Pelos números da CBIC, a câmara da indústria, os canteiros empregam hoje cerca de dois milhões de pessoas. Em 2014, havia 3,4 milhões de empregados diretamente nas obras. José Carlos Martins, presidente da CBIC, conta que em dois anos é possível retomar esse patamar, se o segmento de construção deslanchar. O setor parou de demitir no ano passado, mas fechou o ano com saldo ainda modesto, de 17,9 mil contratações. O PIB da construção civil está em queda desde o primeiro trimestre de 2014. A aprovação da lei do distrato deixou as incorporadoras mais animadas este ano.

BOLSA REFLETE O RISCO
É ilusão achar que a alta da bolsa significa uma explosão de consumo ou de investimentos no país este ano, explica um empresário da indústria que também tem forte atuação no mercado de capitais. Segundo ele, a alta do Ibovespa reflete apenas a queda da percepção de risco no Brasil, com o fim da era petista e das políticas econômicas de curto prazo. “Ainda há muita ociosidade em todos os setores, o PIB está 5%, 6% abaixo de antes do início da crise. Até diminuir essa ociosidade, não tem explosão de investimento nem de contratação”, explicou. Segundo ele, a política liberal de Guedes é de longo prazo, e seus efeitos serão mais sentidos ao longo dos anos, e não em 2019.

COLESTEROL ELEVADO
Ivan Monteiro terá missão clara se confirmado na vice-presidência financeira da BRF: melhorar o perfil da dívida da gigante de alimentos. Espera-se que ele reduza o endividamento, aumente o prazo e diminua o custo das linhas. É algo parecido com o que ele já fez na Petrobras. A dívida líquida da BRF disparou 21% em um ano e chegou a R$ 16,3 bi no terceiro trimestre, ou 6,7 vezes a geração de caixa operacional.

 

BLOG DO CAMAROTTI
Gerson Camarotti

Para tentar se aproximar do MDB, governistas sondam Fernando Bezerra para liderança no Senado
Numa tentativa de se aproximar do MDB, parlamentares governistas passaram a sondar Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) para a liderança do governo no Senado, informa o repórter Nilson Klava, da GloboNews.
Quem comanda a tentativa de aproximação é o novo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP).
Aliado do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, Alcolumbre derrotou no último fim de semana o candidato do MDB à presidência da Casa, Renan Calheiros. A sessão foi marcada por tumulto e bate-boca entre parlamentares.
Fernando Bezerra irá se encontrar com Onyx na próxima segunda-feira (11). Nesta quinta (7), o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, também receberá o líder do MDB no Senado, Eduardo Braga.

Composição
Apesar de ter contemplado na Mesa Diretora os partidos determinantes para a eleição dele, como PSDB, PSD e Pode, Davi Alcolumbre decidiu adotar o critério de proporcionalidade na distribuição das comissões e já afirmou que o MDB comandará a Comissão de Constituição e Justiça, a mais importante da Casa.

 

CORREIO BRAZILIENSE

Brasília-DF
Denise Rothenburg

O grande ocaso de Lula
A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai jogar em duas velocidades para tentar conseguir o semiaberto ou a prisão domiciliar no Supremo Tribunal Federal (STF) no caso do tríplex, antes de a condenação no processo do sítio ser julgada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região. A ordem é acelerar no Superior Tribunal Justiça (STJ) e no STF, e apresentar todos os recursos possíveis para postergar a decisão do TRF-4 a respeito do sítio.
O PT espera deixar o ex-presidente pelo menos um tempo em casa e, assim, tentar gravar cenas com Lula para futuro uso eleitoral. A avaliação é a de que Lula, embora duplamente condenado, ainda é o que o partido tem para se contrapor ao governo Bolsonaro a curto prazo. Para 2022, entretanto, a ordem é construir outras lideranças para disputar eleitoralmente com os atuais inquilinos do poder. Afinal, nas conversas mais reservadas, os petistas dizem ter plena consciência de que Lula está fora da disputa política. Porém, não deixou de ser o maior nome que a legenda tem hoje.

A volta do discurso contra bancos
A ideia de um sistema de capitalização para a aposentadoria, defendida pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, será confrontada com um discurso que pega inclusive parte da base do governo: o de que o ministro é um homem de mercado, que deseja tirar dinheiro dos bancos públicos, no caso as contribuições previdenciárias e o FGTS, e jogar nos bancos privados. Obviamente, não é isso, mas é o que a oposição tentará vender para segurar a proposta.

Capítulos separados
A ideia do PSL de transformar o pacote do ministro da Justiça, Sérgio Moro, em teste da reforma da Previdência, não poderá ser levada a cabo de forma tão matemática quanto gostaria o partido. É que, pelo andar da carruagem, será mais fácil conseguir consenso no projeto de Moro do que na proposta previdenciária, que sequer chegou ao Parlamento. Especialmente, se a oposição conseguir colar na proposta de reforma a imagem “jogar dinheiro nos bancos”.

A batalha será nas redes
Já tem gente dizendo que a guerra de comunicação da reforma previdenciária corre o risco de ter como palco principal as redes sociais, e não os plenários da Câmara e do Senado. Até aqui, os deputados estão mais preocupados com selfies e lives nas redes do que propriamente com negociações políticas na Casa. Se seguir nesse ritmo, pior para o governo.

Sinais
O que mais preocupa no momento são as decisões por enquetes, como fez o senador Jorge Kajuru (PSB-GO). Ao perguntar a seus seguidores quem deveria ser presidente do Senado, ele distorce a representação estadual, uma vez que tem simpatias em outros estados, não apenas em Goiás.

Antigos desafetos
Antes mesmo de anunciado o resultado da escolha do presidente do Senado, no último sábado, o ex-ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun (foto), comentou no grupo de WhatsApp dos deputados do partido: “Renan vai tirar o MDB da Presidência do Senado”.

Quem ri por último
Renan passou o último ano falando mal de Marun aos quatro ventos, e muitos senadores concordaram com ele. Ontem, entretanto, depois da balbúrdia dos últimos dias, a avaliação do ex-ministro é praticamente um consenso na bancada do Senado.

Por falar em Marun…
Não foram poucos os deputados que passaram por ele no Congresso e pararam para uma selfie, recorrendo a frases do tipo “você faz falta”. É que, em relação ao Planalto, continuam as reclamações dos parlamentares de falta de atendimento por parte dos ministros.

Alívio no PSL
A indicação de Flávio Bolsonaro para o cargo de terceiro secretário da Mesa Diretora do Senado foi vista como uma trégua temporária para o filho do presidente. Porém, já ficou claro que a Rede, de Randolfe Rodrigues, e outros que votaram em Davi Alcolumbre não pretendem dar guarida ao senador carioca. Flávio ganhou uma batalha, mas foi aconselhado a não baixar a guarda, porque a guerra não terminou.

Nas entrelinhas
Luiz Carlos Azedo

Lula sabia, diz Gabriela
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que cumpre pena em Curitiba por ter sido condenado em segunda instância no caso do triplex de Guarujá, foi condenado ontem a mais 12 anos e 11 meses de prisão pela juíza Gabriela Hardt, da 13ª. Vara Federal de Curitiba (que substituiu o atual ministro da Justiça, Sérgio Moro, no cargo), no caso do sítio de Atibaia, também em São Paulo. Segundo a magistrada, Lula era próximo do ex-presidente da OAS José Aldemário Pinheiro Filho e “tinha ciência do ‘caixa geral’ de propinas mantido entre a empresa e o Partido dos Trabalhadores”.
A juíza, que na primeira audiência com Lula foi desafiada por ele e o advertiu de que seu comportamento poderia se tornar um problema, concluiu que o ex-presidente se beneficiou do esquema de propina da Petrobras: “É fato que a família do ex-presidente Lula era frequentadora assídua no imóvel, bem como que usufruiu dele como se dona fosse. Inclusive, em 2014, Fernando Bittar alegou que sua família já não o frequentava com assiduidade, sendo este usado mais pela família de Lula”, afirma na sentença.
A juíza determinou o confisco do sítio de Atibaia e rechaçou os argumentos da defesa de que não existiriam provas contra Lula: “Foram ouvidas mais de uma centena de testemunhas, anexados dezenas de depoimentos produzidos em feitos correlatos como prova emprestada, deferida realização de prova pericial, anexados diversos documentos, sendo nítido que a produção probatória é farta”. Segundo a denúncia do Ministério Público Federal, a Odebrecht e a OAS custearam R$ 850 mil em reformas na propriedade. Já o pecuarista José Carlos Bumlai fez o repasse de propina ao ex-presidente no valor de R$ 150 mil.
O processo não tratou da propriedade do imóvel, mas das reformas que foram feitas nele. Como os valores do terreno e das benfeitorias se equivalem, a juíza determinou a venda do sítio e devolução da diferença entre o valor das benfeitorias e o valor pago pelo imóvel aos proprietários, Fernando Bittar e sua esposa, após o trânsito em julgado do processo. A reforma do sítio de Atibaia foi feita a pedido de Lula, que acompanhou o arquiteto responsável, Paulo Gordilho, na visita ao sítio e aprovou o projeto.
Foram realizadas diversas benfeitorias no sítio, mas consta da denúncia somente o valor pago à empresa Kitchens, no valor de R$ 170 mil. A obra foi realizada de forma a não ser identificado quem executou o trabalho e quem foi o beneficiário; os pagamentos feitos pela OAS à Kitchens foram em espécie, para não deixar rastros. “Não houve ressarcimento à OAS dos valores desembolsados pela empresa em benefício de Lula e de sua família”, destaca a sentença. Também foram condenados, a penas menores, Léo Pinheiro, José Carlos Bumlai, Emílio Odebrecht, Alexandrino Alencar, Carlos Paschoal, Emyr Dinis, Roberto Teixeira, Fernando Bittar e Paulo Gordilho. Odebrecht teve a pena suspensa por causa do seu acordo de delação premiada.

Inelegibilidade
A juíza Gabriela Hardt decretou a interdição de Lula para o exercício de cargo ou função pública pelo período equivalente ao dobro da pena estabelecida, ou seja, 24 anos, o que significa seu afastamento definitivo de qualquer projeto eleitoral próprio. A nova condenação fragiliza as articulações para que Lula saia da cadeia, quando nada para cumprir pena domiciliar, com tornozeleira eletrônica. Se for referendada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª. Região, com sede em Porto Alegre, dificilmente voltará a ter qualquer protagonismo político.
Embora o ex-presidente da República seja ainda a maior liderança do PT, que inclusive realiza uma campanha de solidariedade internacional e tem como principal palavra de ordem o “Lula livre”, a nova condenação reabre a discussão partidária sobre os rumos da legenda, que hoje gravita em torno do prisioneiro, que comanda o partido detrás das grades, por intermédio da deputada Gleisi Hoffman (PT-PR), atual presidente da legenda. Entretanto, dirigentes petistas já defendem a necessidade de o partido encontrar um outro eixo de atuação, para evitar seu isolamento. O ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, que foi candidato a presidente da República e teve grande votação no segundo turno, é a liderança de maior expressão eleitoral, mas o quadro político histórico mais importante do PT no Congresso é o senador Jaques Wagner, ex-governador da Bahia.

 

DIÁRIO DO PODER
Cláudio Humberto

PACOTE DE MORO ALONGA TEMPO DE PRISÃO DE LULA
Condenado já a 25 anos de prisão, o ex-presidente Lula poderia pretender regime semiaberto quando cumprisse um sexto da pena (50 meses ou 4 anos e dois meses), mas o problema do presidiário é que há Sérgio Moro no caminho. O pacote de combate à corrupção do ministro da Justiça acaba a progressão do regime automática. O juiz decidirá o tamanho do regime fechado. Pode decidir, por exemplo, que serão cumpridos em regime fechado 10 dos 12 anos do total da pena.

EXECUÇÃO SERÁ AFETADA
O pacote de Moro não altera a pena (a lei penal não retroage para prejudicar), mas afeta a execução, dificultando a progressão de regime.

PENA AUMENTADA
O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) vai julgar o recurso e até poderá aumentar a pena de Lula, como ocorreu no primeiro caso.

MORO PEGOU LEVE
No caso do tríplex, Moro condenou Lula a 9 anos e 6 meses, mas o TRF-4 aumentou para 12 anos e 1 mês. Poderá repetir a lógica.

SEM CONTESTAÇÃO
A defesa de Lula dirá que Lula “foi condenado sem provas”, mas elas existem e são abundantes. Detalhe: a defesa jamais as contestou.

SURPRESA: DIREITOS HUMANOS CUIDANDO DE VÍTIMAS
A ministra Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) enviou equipe a Abadiânia (GO), cidade do médium João de Deus, para saber como está o acompanhamento às pessoas que o denunciaram por abuso sexual. Isso surpreendeu Rodrigo Luiz Jayme, delegado que investiga o caso. Ele relatou que visitas do pessoal de direitos humanos são sempre para verificar a situação do preso, nunca das vítimas.

PROTEÇÃO NECESSÁRIA
Damares pretende garantir a segurança e o atendimento psicológico das denunciantes, que carregam o trauma para sempre.

DEPRESSÃO É FREQUENTE
São muito comuns, entre as vítimas, quadros depressivos que exigem acompanhamento permanente de profissionais de saúde.

CASOS PODEM SE AGRAVAR
Várias vítimas de João de Deus relataram tentativas de suicídio. Uma das denunciantes se matou esta semana, na Espanha.

SERIAL CORRUPT
Corrupto reincidente, Lula foi condenado a 12 anos e 11 meses por dois crimes de corrupção passiva, um de corrupção ativa e dois de lavagem de dinheiro. Se o TRF-4 mantiver a coerência, a pena de Lula pode superar os 15 anos de prisão. E ainda há sete outros processos.

SEM PERDÃO
O presidente da Vale sobrevoou ontem a catástrofe que sua empresa produziu, matando quase 350 pessoas. Ao contrário do que ocorreria no Japão, não fez harakiri, tampouco pediu perdão pelo mal causado.

NOVO DATASUS
Candidatos que estão sendo contemplados para o Departamento de Informática do SUS (Datasus) devem ser gestores com experiência pública e comprometidos com o plano de Bolsonaro de implantar o Prontuário Eletrônico Nacional no país, incluindo o “Brasil profundo”.

AQUI PRIMEIRO
Como esta coluna avisou, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, mandou investigar a fraude de sábado (2) e a destruição das provas (os votos enxertados na urna) por José Maranhão, aliado do derrotado.

ORDEM DO ATRASO
Quando não se omite, a direção nacional da OAB flerta com o atraso: foi ao STF contestar a reforma trabalhista, tentando destruir a melhor conquista dos brasileiros nos últimos tempos.

PERMANENTE VIGILÂNCIA
O governo passou o dia de olho nas manobras do líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM), para fazer do seu senhor Renan Calheiros (AL) presidente da Comissão de Constituição e Justiça.

REENCARNAÇÃO
No Paraná, o nome forte do novo governo é Guto Silva (PSD), chefe da Casa Civil. Com poder que vai de nomeações a verbas de publicidade, já o chamam de “Zé Dirceu”. Ratinho Júnior não anda feliz com isso.

VELHA POLÍTICA
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, quer os deputados trabalhando mais, mas nem tanto. Cancelou sessão administrativa da semana e nem ameaçou descontar dos salários dos faltosos. Bateram asas.

PENSANDO BEM…
…é bom o reeducando Lula reavaliar o tom nos próximos depoimentos à juíza federal Gabriela Hardt.

 

VEJA

Radar
Maurício Lima

Filho de Bolsonaro interrompe petista e anuncia condenação de Lula
Comunicado irrita deputado do PT, que anunciava CPI das Milícias
Quando foi anunciada a segunda condenação de Lula na Lava-Jato, o deputado Eduardo Bolsonaro interrompeu, no plenário da Câmara, discurso do petista Henrique Fontana (PT-RS).
O deputado do PT, naquele momento, defendia a criação da CPI das Milícias, que atinge diretamente Flávio Bolsonaro, o filho enrolado do presidente.
A partir daí, bolsonaristas e petistas trocaram acusações, o que será rotina nessa legislatura.

Advogados do PT apontam erro em sentença de Lula
Juíza Gabriela Hardt condenou Lula por sítio de Atibaia
Advogados do PT apontaram erros na sentença condenatória de Lula feita pela juíza Gabriela Hardt.
Na página 114 (veja abaixo), a juíza aponta duas pessoas diferentes como se fossem os principais delatores: Léo Pinheiro e José Adelmário.
Só que Léo Pinheiro é apenas o apelido do empreiteiro José Adelmário.
O ex-presidente foi condenado nesta quarta (6) a 12 anos e 11 meses de prisão no processo da Operação Lava Jato referente ao sítio Santa Bárbara, em Atibaia (SP).
Lula foi considerado culpado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Marun vai acumular Itaipu com advocacia em Brasília
Ele pode acumular, mas terá que esperar seis meses de quarentena
Ex-aliado de primeira hora de Eduardo Cunha e ministro de Temer, o ex-deputado Carlos Marun não ficará restrito ao cargo de conselheiro de Itaipu, cujo salário beira os R$ 30 mil. Marun irá advogar em Brasília e se associar a algum grande escritório já constituído na capital. Mas, por conta da quarentena, a advocacia terá que esperar seis meses. Ser conselheiro de estatal não é impeditivo para acumular ganhos na iniciativa privada.

Carlos Bolsonaro decide quem pode, ou não, falar com o pai
O pitbull do presidente
Nesses 11 dias em que o presidente Jair Bolsonaro esteve internado no hospital Albert Einstein, em São Paulo, foi o filho Carlos quem fez a triagem dos que podem falar com o presidente.
Chamado por Jair de “meu pitbull”, Carlos controlou o acesso tanto da imprensa quanto de ministros e amigos.

Major Vitor Hugo na mira da caserna
Descontentamento também dos pares
O deputado Major Vitor Hugo (PSL-GO) como líder do governo na Câmara é motivo de descontentamento não só de parlamentares, mas também dos ministros militares de Jair Bolsonaro.
Apesar da proximidade de Vitor Hugo com a caserna, ele é encarado como alguém que tem baixa capacidade de articulação.

Romero Jucá ‘rouba’ vaga de ministro de Bolsonaro
Acompanhado do filho, um ministro de Jair Bolsonaro foi ao supermercado Oba, em Brasília, nesta semana.
Ao chegar ao estacionamento, seu carro foi abruptamente fechado por uma Land Rover verde, que roubou sua vaga.
Possesso, o ministro ficou ainda mais surpreso quando do veículo saiu o agora ex-senador Romero Jucá (MDB).
Desde a presidência de Fernando Henrique Cardoso, essa é a primeira vez em que Jucá não faz parte do governo.

Moro e partido Novo fazem dobradinha no Legislativo
Partido vai criar frente parlamentar contra a corrupção
Sergio Moro sorri de orelha a orelha.
Em um dos seus primeiros atos no Congresso, o partido Novo protocolou uma Frente Parlamentar contra a corrupção, se colocando como interlocutor do ministro no Legislativo.
A presidência da frente ficará com a deputada federal Adriana Ventura, única mulher eleita pelo partido na Câmara.

Blog do Noblat
Ricardo Noblat

Lula colhe o que plantou
Por três vezes, ele poderia ter trocado Curitiba por sua casa. Não quis.
Na solidão de sua cela de 15 metros quadrados na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, é bem possível que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sob o peso de sua segunda condenação por corrupção e lavagem de dinheiro, tenha ido dormir de ontem para hoje depois de lembrar que por três vezes recusou-se a sair dali.
Da primeira vez, ele ainda estava entrincheirado na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo para onde seguiu depois saber no início da noite da quarta-feira 5 de abril do ano passado que o juiz Sérgio Moro ordenara sua prisão. Ele deveria se entregar à Polícia Federal até o fim da tarde do dia seguinte.
Naquela mesma noite, a chamado de Lula, entrou em cena o advogado Sigmaringa Seixas, seu amigo do peito, ex-deputado federal pelo PT de Brasília. Vozes moderadas do partido aconselhavam Lula a se entregar. Vozes mais radicais, mas não só do PT, também do PSOL, exigiam que ele resistisse. Lula hesitava.
Entre a quinta-feira e a noite do sábado quando Lula finalmente se entregou, Sigmaringa e outros advogados negociaram com Moro e com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) para que a prisão em regime fechado desse lugar à prisão domiciliar. Moro admitiu a hipótese, mas só após o cumprimento de sua ordem.
A negociação esbarrou na recusa de Lula de ficar preso em casa com tornozeleira eletrônica. Ele alegou que aceitar a tornozeleira seria admitir que era culpado no processo do tríplex do Guarujá, e que ele não era. O tríplex jamais fora seu. Sigmaringa foi escolhido por Lula para acompanhá-lo no avião que o levou para Curitiba.
Semanas depois da prisão de Lula, Sigmaringa foi outra vez acionado por pessoas próximas ao ex-presidente para retomar a negociação que poderia lhe devolver a liberdade. Sigmaringa achou que a pessoa indicada para isso seria o ex-presidente do STF, o jurista José Paulo Sepúlveda Pertence, também advogado de Lula.
Pertence e Sigmaringa visitaram Lula no cárcere. Foi a primeira das três visitas que Pertence lhe fez num período de seis meses. Lula estava convencido de que acabaria solto e candidato à sucessão do presidente Michel Temer. Foi contra a retomada de conversas com ministros do STF para que trocasse a cela pela prisão domiciliar.
Um outro visitante ilustre, o ex-presidente uruguaio José Mojica, tentara, em vão, estimular Lula a negociar. “Se você sair daqui e for para casa será melhor para você, sua família e seus amigos”, dissera Mojica. Resposta irritada de Lula: “Você não conhece o Brasil. Se negociar darei a impressão de que reconheço minha culpa”.
No final de julho último, não só Pertence já se desentendera com advogados que cuidavam mais de perto da defesa de Lula, entre eles Cristiane Zanin e Roberto Teixeira, como esbarrara novamente na má vontade de Lula em aceitar as condições possíveis para que fosse mandado para casa. As condições haviam endurecido.
Lula, o PT e Zanin tinham se excedido nos ataques à justiça. Ministros do STF, um deles Dias Toffoli, ainda admitiam tirar Lula de Curitiba, mas desde que ele, com tornozeleira eletrônica, não deixasse seu apartamento em São Bernardo do Campo. Sequer lhe seria permitido, da sacada do apartamento, acenar para ninguém.
Àquela altura, até os filhos de Lula achavam que isso seria melhor do que a vida quase solitária do pai na prisão. Seria melhor para a estabilidade emocional de Lula, mas também para eles. Antes de morrer, Marisa Letícia, mulher de Lula, pedira muitas vezes ao marido para que se afastasse da política e salvasse a família. Em vão.
Pertence falou em abandonar a defesa de Lula, mas não o fez por completo. Retomou o trabalho no seu escritório de advocacia em Brasília. Sigmaringa retraiu-se. Em 25 de dezembro passado, morreu depois de um transplante de medula. Lula quis comparecer ao seu enterro, mas a justiça não consentiu.

Gleisi, viúva para sempre
Ela não aprende nada
“Uma segunda condenação a jato foi proferida, exatamente quando cresce a possibilidade de Lula ser Nobel da Paz. Na memória do povo e na história, Lula será sempre maior do que seus carrascos”. (Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT, deputada por falta de votos para se reeleger senadora, eterna viúva do mito que desmoronou)
A campanha pelo Nobel da Paz para Lula foi inventada por seus devotos com dois objetivos: para que ele não caia no ostracismo e para retardar uma possível segunda condenação. O segundo objetivo já deu chabú. O primeiro, a ver-se.

 

BLOG DO JOSIAS
Josias de Souza

Nova condenação de Lula constrange Supremo
Ao condenar Lula a 12 anos e 11 meses de cadeia no caso do sítio de Atibaia, a juíza Gabriela Hardt deixa o Supremo Tribunal Federal em má situação. O presidente da Corte, Dias Toffoli, marcou para 10 de abril o julgamento das ações que questionam a regra que permitiu a prisão de condenados em tribunais de segunda instância. Uma eventual revisão da jurisprudência abriria a cela de Lula num instante em que a nova sentença faz dele um colecionador de condenações.
O Supremo já viveu esse problema no início de 2018. Presidia a Corte a ministra Cármen Lúcia. Ela foi questionada sobre o desejo de alguns dos seus colegas de apressar a reanálise da regra sobre prisão numa hora em que Lula, condenado no caso do tríplex, estava na bica de ser preso. “Não sei por que um caso específico geraria uma pauta diferente”, respondeu Cármen Lúcia. “Seria apequenar muito o Supremo.” Vai começar tudo de novo.
Cármen Lúcia, justiça se lhe faça, não pautou o tema enquanto esteve no comando do Supremo. Sobreveio, em abril do ano passado, a prisão de Lula, com o aval da maioria do plenário da Suprema Corte. Entretando, ao assumir a poltrona de Cármen, em setembro do ano passado, Dias Toffoli retirou da gaveta as ações que questionam as prisões em segunda instância.
Em 10 de abril, quando os ministros do Supremo se debruçarem novamente sobre a encrenca que tem potencial para “apequenar” o tribunal, Lula terá acumulado um ano e três dias de encarceramento. É quase nada para alguém que, com a nova sentença da substituta de Sergio Moro, carrega sobre os ombros condenações que somam 25 anos de cadeia. O Supremo está diante de duas opções: mantendo a cela de Lula fechada, fica do mesmo tamanho. Virando a chave, rebaixa o pé-direito da instância máxima do Judiciário brasileiro.

Família Bolsonaro X PT, a nova gincana de lama
Aos pouquinhos, a família Bolsonaro vai substituindo o PSDB na gincana de lama em que o PT tem presença cativa. Os Bolsonaro e os petistas acusam-se mutuamente de corrupção. Nessa competição entre sujos e mal lavados, a decência é um valor secundário. Vence quem for capaz de derramar mais lama sobre o adversário.
Nesta quarta-feira (6), os deputados Henrique Fontana (PT-RS) e Eduardo Bolsonaro manusearam baldes de lodo no plenário da Câmara. Do alto da tribuna, Fontana pediu o apoio dos colegas para instalar uma CPI das milícias do Rio. Para quê? “Investigar os dados que o relatório do Coaf coloca de que Fabrício Queiroz movimentou R$ 7 milhões em três anos, que fez depósitos nas contas do senador Flávio Bolsonaro e a relação que isso tudo tem com as milícias estabelecidas no Rio de Janeiro”.
Eduardo Bolsonaro correu ao microfone. Abstendo-se de defender Flávio, irmão mais velho, Eduardo espetou a divindade petista: “O deputado falou [da tribuna], mas hoje é um dia triste para ele. Lula acaba de ser condenado a 12 anos de cadeia. Lavagem de capitais e corrupção! E quem lidera a lista do Coaf é um petista (André Ceciliano).” Eduardo, o filho que Jair Bolsonaro chama de “Zero Três”, arrematou sua intervenção ecoando uma frase que o senador Cid Gomes (PDT-CE) pronunciou em encontro com petistas cearenses na campanha presidencial: “O Lula tá preso, babaca!”.
A esse ponto chegamos: acusam-se mutuamente de ladroagem a família do presidente da República recém-eleito e os representantes do PT, partido que ocupou o poder federal por 13 anos. Os dois lados têm torcidas barulhentas. Mas uma fatia da sociedade, por equidistante, é frequentemente assaltada (ops!) pela sensação de que ambos os contendores podem ter razão. Mal comparando, a gincana de lama funciona como uma briga de gambás. Mesmo o vencedor sai cheirando mal.

PT celebra aniversário sob atmosfera de velório
O PT celebra neste sábado seu aniversário de 39 anos. O principal mote da festa é um chavão já meio desgastado: “Lula livre”. Ao impor a Lula uma nova condenação de 12 anos e 11 meses, agora no caso do sítio de Atibaia, a juíza Gabriela Hardt jogou água no chope do PT. Mas a substituta de Sergio Moro também ofereceu ao partido uma nova oportunidade para se libertar da fábula em que Lula o aprisionou.
O PT vive a ilusão de que comanda uma ofensiva política. Seus ataques ao Judiciário resultaram numa coleção de derrotas nos tribunais. Seus apelos à solidariedade das ruas produziram bocejos. Os aliados da esquerda, com água pelo nariz, se deram conta de que, ao abraçar Lula, agarravam-se a um jacaré, não a um tronco. Buscam novas tábuas de salvação.
No ano passado, às vésperas do julgamento em que o TRF-4 confirmou a sentença de Sergio Moro no caso do tríplex do Guarujá, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, dizia: “Para prender o Lula, vai ter de prender muita gente, mais do que isso, vai ter de matar gente.” Com a nova sentença, Lula passa a acumular uma pena de 25 anos de cana dura. E não morreu ninguém, exceto o próprio PT.
Sim, Gleisi Hoffmann e seus companheiros ainda não notaram. Mas aquele PT fundado por um líder operário há 39 anos morreu. Foi sapateando em cima das suas cinzas que Jair Bolsonaro elegeu-se presidente em 2018. A festa de aniversário deste sábado revela que o PT vive a fábula do morto que se imagina vivo. É um vivo tão pouco militante que a realidade precisa enviar coroas de flores de vez em quando. A sentença sobre Atibaia é uma pá de cal. E não será a última. Lula ainda é réu em outras cinco ações penais.

Rivais põem poder de Renan em caixa de fósforo
Até bem pouco, a democracia brasileira era constituída por três poderes: o Executivo, o Judiciário e Renan Calheiros. Multiuso, Renan funcionava junto com os outros poderes. Mas também podia funcionar sem nenhum dos outros. Ou até contra eles. Isso tudo mudou. No momento, o poder de Renan cabe numa caixa de fósforos.
Ao vincular-se à frustrada tentativa de Renan de voltar à presidência do Senado, o MDB transformou a desidratação do seu ex-todo-poderoso num processo de derretimento partidário.
Dono da maior bancada do Senado (13 senadores), o MDB deveria ocupar a presidência e um outro posto de sua preferência na Mesa diretora da Casa. Em privado, o presidente do partido, Romero Jucá (RR), diz que isso teria acontecido se o MDB tivesse escolhido Simone Tebet (MS) para representá-lo na eleição do Senado. Ao esticar a corda, Renan e sua enorme rejeição tornaram-se cabos eleitorais de Davi Alcolumbre (DEM-AP), elegendo-o presidente do Senado.
Com a vitória de Davi, o MDB teve de se contentar com a segunda-secretaria do Senado, entregue a Eduardo Gomes (MDB-TO). Parceiro de infortúnio de Renan, o PT obteve um posto ainda mais vexatório. Sentou o senador Jaques Wagner na poltrona de terceiro-suplente —atrás do PPS (três senadores) e o do PDT (quatro).
Se tudo correr como foi planejado pelos algozes de Renan, a humilhação será concluída na semana que vem, no processo de escolha dos presidentes das comissões do Senado. O MDB deve ficar com a comissão mais importante, a de Constituição e Justiça. Mas isso só será respeitado se o partido aceitar o nome selecionado pela banda vitoriosa: Simone Tebet (MDB-MS), a senadora que desafiou a empáfia de Renan, perdendo na bancada por 7 votos a 5.
Davi Alcolumbre e seus aliados planejaram o escanteamento do MDB pró-Renan guiando-se pelos ensinamentos de um ótimio professor. Chama-se Renan Calheiros. Elegeu-se presidente do Senado para o biênio 2015—2016 numa disputa o então senador Luiz Henrique (MDB-SC).
Após derrotar o rival doméstico, Renan excluiu da composição da mesa os partidos que ousaram votar contra ele, a começar pelo PSDB. Grão-duque do tucanato nessa época, Aécio Neves travou um memorável bate-boca com Renan (reveja no vídeo abaixo). Hoje, Aécio faz companhia a Renan no caldeirão em que são dissolvidas as biografias tóxicas.



Jose Mauricio dos Santos
Autor: Jose Mauricio dos Santos
Jornalista, Cientista Político e especialista em Marketing Político.

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