Backstage News Brasil 15/02/19 – Bolsonaros x Bebianno: Exército e Onyx entram em cena

O Backstage News é um produto diário da Tracker Consultoria que reúne os principais colunistas de política do País com informações dos bastidores do Poder.

 

FOLHA DE S. PAULO

Painel
Daniela Lima

Vamos por partes
Uma das principais preocupações da equipe de Paulo Guedes (Economia) é conseguir explicar de maneira eficaz o que é e como vai funcionar a transição na reforma da Previdência. O time que trabalha na campanha publicitária das novas regras de aposentadoria desenvolve peças específicas para ressaltar que, se aprovada, a idade mínima não vai valer de imediato. O grupo avalia que Michel Temer falhou ao explicar este ponto quando apresentou sua proposta, o que fortaleceu a oposição.

A quem de direito
O esforço para ressaltar a regra de transição vai servir, inclusive, para exaltar a acomodação política feita para agradar tanto ao presidente como ao ministro da Economia, como mostrou o Painel nesta quinta (14).

A quem de direito 2
Os técnicos já apostavam na viabilidade da proposta vencedora porque ela atende ao que pregava Bolsonaro (a idade mínima das mulheres será de 57 anos e a de homens de 62 ao fim deste mandato), mas também agrada a Guedes (no fim da transição, em 2031, o piso será de 65 para eles e 62 para elas).

Tenho dito
Líderes de partidos alinhados ao Planalto fizeram chegar à equipe de Guedes que, caso a proposta de reforma da Previdência mexa na aposentadoria rural, os deputados vão votar contra o governo.

Nem vem
Com o aval de Rodrigo Maia (DEM-RJ), caciques das principais bancadas na Câmara fizeram um acordo tácito no início da semana para barrar qualquer modificação no regime dos trabalhadores do campo.

Pano para manga
A tensão inaugurada pelo vazamento do relatório da Receita Federal sobre o ministro Gilmar Mendes, do STF, pode se estender para além do desconforto entre o Supremo e o governo. Líderes de partidos do centrão ventilam a hipótese de chamar Paulo Guedes ao Congresso para explicar o episódio.

Quem mandou?
Esses parlamentares lembram que a Receita inaugurou um grupo de trabalho para monitorar cerca de 800 autoridades. Eles atribuem a esse núcleo a produção do documento sobre Mendes e acreditam que relatórios semelhantes ao do ministro foram elaborados sobre mais de 100 pessoas públicas. Querem saber o motivo.

De mal…
Não arrefeceu a cizânia inaugurada no governo pelo embate entre Carlos Bolsonaro e Gustavo Bebianno (Secretaria-Geral da Presidência).

… a pior
O presidente, que endossou os ataques de seu filho ao outrora aliado, indicou a pessoas próximas que sua bronca com Bebianno vai além das denúncias que já pairam sobre seu partido, o PSL. No Congresso, ala da sigla que torce o nariz para o ministro diz que a permanência dele soará como fruto de chantagem.

E os seus?
Declarações dadas por Bebianno ao longo desta quinta (14) ajudaram a manter o assunto em fogo alto. Ele disse à Crusoé, sem citar nomes, que pessoas que “foram eleitas agora” também estão sob investigação. A fala foi decodificada como um petardo direcionado a Flávio Bolsonaro.

A união…
As Defensorias Públicas do Rio e de São Paulo se somaram a entidades que representam advogados para lançar, nesta sexta (15), manifesto contra o pacote anticrime de Sergio Moro (Justiça).

… faz a força?
O documento diz que as propostas do ministro carecem de embasamento teórico e de discussão com a sociedade e a academia. O texto também critica a “inconstitucionalidade da prisão em segunda instância” e o endurecimento da execução de penas.

Juntos chegaremos lá
Criticado pela inexperiência, o líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO), está disposto a agregar até 15 vice-líderes de partidos da base ao seu time para ampliar o apoio ao seu trabalho.

Visita à Folha
Javier Piñol, diretor de estúdios para a América Latina e a Península Ibérica do Spotify, visitou a Folha nesta quinta (14), onde foi recebido em almoço, a convite do jornal.

Tiroteio
É impossível um presidente de partido monitorar todos os candidatos. Expor o ministro dessa forma é falta de bom senso
Do deputado Marcos Pereira (SP), presidente do PRB, sobre o desgaste imposto ao governo após o embate em torno de Gustavo Bebianno

Mercado Aberto
Cris Frias

Instituições financeiras querem usar supermercados como caixa eletrônico
Supermercados precisam pagar entre 0,5% e 1% do valor às empresas de carro-forte
Instituições financeiras sem as próprias redes de caixas eletrônicos têm procurado supermercados para fechar acordos que deem aos clientes acesso a dinheiro vivo nos pontos de venda.
Tanto startups como empresas de finanças mais estabelecidas se movimentam para concluir negócios nesses moldes, segundo o executivo de uma entidade de varejistas.Para tirar das lojas o dinheiro que recebem em papel moeda, os supermercados precisam pagar às empresas de carro-forte uma porcentagem que varia entre 0,5% e 1% do montante, de acordo com ele.
O maior empecilho para as redes é que as pessoas que poderão ir às suas lojas para sacar dinheiro podem fazer as filas nos pontos de pagamento fluírem menos.
A tendência é que, para tentar acelerar a transação, os clientes das instituições financeiras façam a transação com a ajuda do smartphone, segundo um advogado especializado no setor financeiro.
O consumidor só apresentaria um código ao funcionário do supermercado.
A Acesso, empresa de cartões desvinculados de contas-correntes, fechou um acordo com a Caixa para que seus clientes possam fazer saques nas loterias, segundo o diretor-executivo Davi Holanda.
“As lotéricas vão possibilitar um incremento de cerca de 13 mil novos pontos onde os clientes poderão sacar”, diz ele.
A empresa investirá R$ 30 milhões neste ano em tecnologia e novos produtos, mas também está no horizonte a aquisição de duas empresas.

Estratégia diversificada
A Avianca Brasil, em recuperação judicial desde dezembro de 2018, tentará derrubar no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) a aprovação dada pelo órgão à sociedade entre Correios e a Azul.
A aérea apresentará embargos à autarquia e tentará reverter votos de conselheiros, de acordo com uma pessoa que conhece os processos administrativos.
Em paralelo, a empresa pedirá para ser terceira interessada em ação no TCU contra a nova marca.

Fitness 
A Smart Fit, academia de baixo custo do grupo Bio Ritmo, escolheu a cidade de Capilla del Señor, a cerca de 80 km de Buenos Aires, para abrir sua primeira unidade na Argentina. A marca tem mais de 600 unidades em sete países.

Môninca Bérgamo

Bolsonaro não fala com Bebianno, que espera por desfecho em hotel
Apesar de pressão para manter o auxiliar no cargo, presidente até agora não comunicou qual será a sua decisão
O presidente Jair Bolsonaro não havia conversado com o ministro Gustavo Bebianno, da Secretaria-Geral da Presidência, pelo menos até a manhã desta sexta (15).
Apesar de toda a pressão que recebeu na quinta (14) para manter o auxiliar no cargo, o presidente até agora não comunicou qual será a sua decisão.
O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzonni, deve se encontrar com Bolsonaro para discutir a situação. Bebianno permanece num hotel, em Brasília, recebendo amigos e apoiadores.
Ele tem a expectativa de que falará com o presidente ainda nesta sexta. Ao contrário do que Bolsonaro esperava, Bebianno se recusa a pedir demissão, o que facilitaria a vida do presidente.
O ministro afirma que não tem qualquer responsabilidade sobre o envio de recursos do PSL a candidatas laranjas e por isso não há motivo para pedir exoneração.

Bebianno buscou congressistas, ministros de tribunais e militares para contornar crise
Ministro foi defendido pelo presidente da Câmara dos Deputados e pelo vice-presidente
Gustavo Bebianno buscou apoio entre congressistas graduados, ministros de tribunais superiores e até de militares para contornar a crise em torno de sua permanência na Secretaria-Geral da Presidência.

DEIXA DISSO 
Um dia depois de sofrer ataques de Carlos Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, que endossou a artilharia, Bebianno foi defendido pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e pelo vice-presidente, Hamilton Mourão.

COMO ASSIM? 
No meio militar a reação à crise é de perplexidade com o endosso de Bolsonaro aos ataques públicos de Carlos a Bebianno.

SOCO 
Um general diz que o filho do presidente vai acabar colocando o governo no corner logo nos primeiros rounds.

NADA MUDA 
A Vale deve manter nesta sexta (15), numa audiência na Justiça, as propostas que fez ao MPT (Ministério Público do Trabalho) para indenizar as famílias das vítimas do acidente na barragem de Brumadinho (MG).

DIGO NÃO 
A reunião pode resultar em impasse: num encontro com representantes do MPT, na quarta (13), os parentes dos mortos decidiram rejeitar as ofertas da empresa.

JUSTO 
A mineradora, que ofereceu até R$ 300 mil de indenização moral a parentes diretos, afirma que sua proposta é superior ao que a lei e a jurisprudência determinam.

VEJA BEM 
“Estamos dispostos a ouvir. Mas contamos com a ajuda do Ministério Público para que a nossa oferta seja bem compreendida”, diz Maurício Pessoa, advogado da Vale.

POSITIVO 
Os procuradores dizem que não podem endossar nada sem a concordância dos familiares das vítimas.

FALTA GRAVE 
O CNJ (Conselho Nacional de Justiça) abriu procedimento disciplinar contra juízes do Rio Grande do Sul que se negam a realizar audiências de custódia com presos do estado.

ORDEM 
O STF já determinou que as audiências têm que ser realizadas. Nelas, o preso é levado ao juiz 24 horas depois de detido.

DESORDEM 
O ministro Dias Toffoli, que preside o CNJ, considerou a desobediência “grave”. Se confirmada, poderia ser considerada um “atentado contra uma política nacional do Poder Judiciário”.

FRONTEIRAS 
A ministra Damares Alves, da Mulher, Família e dos Direitos Humanos, vai para Goiânia no dia 21 conversar com a promotora do caso sobre as denúncias contra o médium João de Deus.

ELE MERECE 
O empresário Paulo Marinho, compadre e amigo próximo de Ricardo Boechat, está contratando um arquiteto para fazer uma estátua de bronze do jornalista, morto em um acidente de helicóptero na segunda (11).

RIO ETERNO 
Marinho vai pedir autorização à Prefeitura do Rio de Janeiro para colocar a imagem ao lado da estátua de Zózimo Barrozo do Amaral (1941-1997) na praia do Leblon. “É para os dois ficarem conversando eternamente, admirando a paisagem que tanto amaram.”

 

O ESTADO DE S. PAULO

Coluna Estadão
José Alberto Fiorin Bombig

Bebianno, um ‘corpo estranho’ no Palácio
Gustavo Bebianno sempre foi considerado pelos hegemônicos núcleos familiar e militar do governo um “corpo estranho” no Planalto. Ainda que militares tenham entrado em cena para defender o ministro, eles nunca se sentiram completamente à vontade com a presença dele no Palácio. Foi apenas um gesto estratégico. Se ele ficar, cobram a fatura por terem debelado a crise. Se ele cair, querem indicar o substituto ou extinguir o cargo. A desconfiança em relação a Bebianno foi reforçada pelo bom trânsito dele com veículos de comunicação.

Amargo
Fato é que por trás da crise envolvendo Bebianno há mais do que o suposto laranjal de candidaturas do PSL. Parte do núcleo familiar e dos militares nunca engoliu também o bom trânsito do ministro com Renan Calheiros.

Deu ruim
Um convite de Renan para que Paulo Marinho, suplente de Flávio Bolsonaro, participasse da posse dos novos senadores desagradou a bolsonaristas de raiz que lutavam contra Renan na eleição do Senado.

Teoria
Para esse grupo, Marinho e Bebianno agiram sem a autorização de Bolsonaro na aproximação com Renan e conspiravam para tomar o lugar do filho do presidente no Senado.

Pelo contrário
Marinho afirma que foi convidado por Flávio e por Renan e que foi responsável pela aproximação de ambos.

De volta
Há quem defenda que Bebianno pode ser mais útil na presidência do PSL. Seria uma figura de autoridade para acabar com as muitas trapalhadas.

Queimou…
Apesar do esforço para se aproximar de Paulo Guedes e se credenciar para relatar a reforma da Previdência na Câmara, o deputado Kim Kataguiri (DEM-SP) não conta com o apoio de Rodrigo Maia.

…a largada
Pegou mal Kim ter lançado candidatura à presidência da Casa e, depois, ter apoiado a de Marcel van Hattem (Novo).

Laços de família
A ex-deputada Cristiane Brasil mudou o advogado de seu processo no STF. O foco do novo escolhido, Rafael Faria, é derrubar a cautelar que a impede de falar com o pai, Roberto Jefferson.

Conta
Em reunião com representantes da OEA, o secretário de Vigilância em Saúde apresentou os gastos do Brasil com o acolhimento de venezuelanos: US$ 94 milhões, sendo US$ 42,9 milhões em saúde.

Juntos
Para estreitar laços no combate à corrupção, os ministros da AGU e da CGU, André Mendonça e Wagner Rosário, reúnem-se hoje com o Ministério Público e com a Lava Jato.

Boleto
A AGU cobra na Justiça R$ 34,4 bilhões das construtoras envolvidas em fraudes na Petrobrás.

Click
O vice-presidente Hamilton Mourão se encontrou ontem com Flávio Dino (PCdoB), governador do Maranhão e oposição ao governo de Jair Bolsonaro (PSL).

Semente
Começa a germinar no PT-SP a ideia de a professora e gestora pública Ana Estela Haddad disputar a vaga de candidato do partido a prefeito da capital paulista em 2020.

Alternativa
A mulher de Fernando Haddad seria uma alternativa a Jilmar Tatto, que teve desempenho pífio na disputa recente pelo Senado e está em campanha aberta pela vaga.

Muitos
Um experiente político paulistano acha que a disputa pela Prefeitura de SP terá um número recorde de candidatos.

Pronto, falei!
Frederico d’Avila, deputado estadual (PSL-SP): “O agro foi o primeiro setor a apoiar maciçamente Bolsonaro. Por isso, só ele tem cadeira cativa no governo”, sobre a trombada do setor com Paulo Guedes.

Eliane Catanhêde

O cheiro do poder
O Exército está irritado com o filho, mas quem gerou a crise foi o pai presidente
Nunca antes neste País se viu uma mera troca de chefia do Centro de Comunicação do Exército (Cecomsex) se transformar num super evento, não apenas pela grande presença de militares e civis como também pela duração. O papo foi longe.
O general que entra é Richard Nunes e o que sai é Otávio do Rêgo Barros, que virou porta-voz do presidente Jair Bolsonaro. Esse foi um chamariz para a solenidade e pesou também a eficiência e a gentileza no trato de Rêgo Barros com a mídia, mas o fator principal para o sucesso foi a força do Exército neste momento. Todo mundo sente o cheiro do poder.
Atenção: está-se falando especificamente do Exército, não genericamente dos militares ou das Forças Armadas. Aliás, uma curiosidade da transmissão de cargo é que, naquela selva verde, só havia uma farda azul da FAB e uma branca da Marinha. Eram os dois oficiais da imprensa nas duas Forças, que riam quando alguém brincava que pareciam “peixes fora d’água”.
O Exército está em alta. Ocupa quase todos os postos do Planalto e, além de não criar problemas, tem de resolver problemas criados pelos outros. Inclusive, ou principalmente, pelo próprio presidente e seus três filhos, o 01, o 02 e o 03. Numa fase da ditadura, quando cutucavam o presidente Figueiredo, ele ameaçava acionar o ministro do Exército, linha dura: “Chama o Pires!”. Agora, quando é preciso segurar os filhos do presidente, os generais gritam por um moderado: “Chama o Heleno!”.
No centro da festa, estavam justamente os generais Augusto Heleno, chefe do GSI e apagador-geral de incêndios da República, e Eduardo Villas Bôas, que o assessora no GSI. Ambos têm enorme responsabilidade para salvar o barco, que está sacudindo depois que o PSL foi flagrado fazendo peraltices e o filho 02 do presidente, Carlos Bolsonaro, desmentiu pelo twitter o ministro Gustavo Bebianno, presidente do partido nas eleições e agora sob risco de cair da Secretaria-Geral da Presidência e “voltar às origens”.
Todos ali sabiam que, num clima como esses, só uma pessoa tem coragem, legitimidade, respeito e jeito para alertar o presidente contra o excesso de poder dos filhos e para o excesso de problemas que eles estão jogando no colo do pai. Esta pessoa é Heleno. Os militares recorrem a ele, a quem cabe dizer verdades difíceis a Bolsonaro.
Na crise de Bebianno, porém, quem matou a charada foi o Estado, ao recompor a cronologia da quarta-feira, que deveria ser de comemoração da alta de Bolsonaro e virou uma guerra entre o filho do presidente e um dos únicos civis com algum poder no Planalto.
E qual foi a charada? Os mundos político, militar e econômico passaram o dia crucificando Carlos Bolsonaro por ter tido a audácia e o voluntarismo de atacar um ministro. Mas a história é diferente. Primeiro, o presidente desmentiu Bebianno ao gravar a entrevista para a TV Record ainda no Hospital Albert Einstein. Só depois, enquanto o presidente voava para Brasília, Carlos divulgou o desmentido do pai pelo twitter, inclusive com o áudio em que ele se recusa a falar com Bebianno. Por fim, Bolsonaro retuitou o ataque de Carlos.
Ou seja: todo mundo incomodado, aflito e preocupado com o ato de Carlos, mas o problema era outro: não foi o filho quem gerou o problema, nem foi o pai quem tomou partido dele a posteriori. Foi o presidente quem atacou o ministro, Carlos só amplificou a posição do pai. Logo, Carlos não age da própria cabeça, ele é a voz do presidente.
Conclusões: 1) desta vez, o problema não foi Carlos, foi Jair; 2) Bebianno está frito, mas ele também tem muito óleo na frigideira; 3) Se é assim com Bebianno, o que será com os demais? 4) Heleno pode fazer queixa de Carlos para Jair, mas pode dar uma bronca no presidente?

 

O GLOBO

Bernardo Mello

Celso de Mello e a função do Supremo
Celso de Mello foi o único ministro do Supremo a protestar quando o então comandante do Exército, general Villas Bôas, disparou um tuíte para emparedar o tribunal no ano passado. Ontem o decano voltou a mostrar por que a sua voz é fundamental para afirmar a independência da Corte.
Celso é relator de uma das ações que pedem a criminalização da homofobia. A maioria dos países desenvolvidos tem leis para combater os crimes de ódio contra homossexuais. O novo governo pressiona o Judiciário e o Congresso para manter o Brasil fora do clube.
Na quarta-feira, o presidente disparou dois tuítes sobre o julgamento. Ele elogiou a sustentação do advogado-geral da União, que falou em “estabilidade” e “pacificação social” ao discursar contra as ações. Os ministros entenderam o recado: se a Corte contrariar o Planalto, voltará à mira das falanges governistas.
As posições de Jair Bolsonaro sobre o tema são conhecidas. “Sou homofóbico, sim, com muito orgulho”, informou, num vídeo gravado em 2013. Em outra entrevista, ele disse preferir que um filho “morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí”.
Esse tipo de declaração já foi tido como um suicídio político. Hoje em dia, rende votos e curtidas nas redes sociais. A intolerância virou ativo para candidatos que surfaram a onda conservadora em 2018. Agora a turma também quer enquadrar o Supremo. Alguns ministros já indicaram que aceitaram a tutela.
Ontem o decano deixou claro que não está neste grupo. Ele transformou seu voto em libelo contra o avanço do obscurantismo. Lembrou que a Constituição protege os direitos das minorias, atacadas por porta-vozes de “doutrinas fundamentalistas”.
Celso disse saber que será “mantido no índex dos cultores da intolerância, cujas mentes sombrias que rejeitam o pensamento crítico”. Mesmo assim, defendeu que é preciso afirmar a “função contramajoritária” do Supremo — ou seja, sua independência em relação às patrulhas ideológicas e ao tribunal do Facebook.
O ministro se aposentará no fim de 2020, ao completar 75 anos. Fará falta à Corte e ao país.

Lauro Jardim

Bebianno se reúne com Onyx
O ministro Gustavo Bebianno presta continência a Bolsonaro ao tomar posse
O ministro Gustavo Bebianno presta continência a Bolsonaro ao tomar posse | Pablo Jacob
Gustavo Bebianno foi chamado para uma reunião no Palácio do Planalto com Onyx Lorenzoni. Nela será definido o destino de Bebianno. Em princípio, ele sai. Mas não quer deixar o governo pela porta dos fundos, como tem dito a interlocutores.
A tentativa de permanência de Bebianno no governo foi articulada por pessoas influentes — generais e Rodrigo Maia — mas ficou difícil desenrolar o nó criado por Bolsonaro pai e Bolsonaro filho.
Agora, no entanto, trabalha-se prioritariamente para uma saída negociada, com traumas menores.
Mas, para que isso aconteça, Jair Bolsonaro terá que ter uma conversa cara a cara com Bebianno.
É uma exigência do ministro. Disse Bebianno ontem a um interlocutor:
— Ele vai ter que me demitir olhando na minha cara e me dando os motivos.

Marina deve passar raspando
A área técnica do TSE recomendou a aprovação, com ressalvas, das contas de Marina Silva nas eleições de 2018 à presidência da República. Relator do caso na corte, Luís Roberto Barroso agora pediu à Procuradoria-geral Eleitoral para se pronunciar.

Quem retuitou Carlos Bolsonaro?
Interlocutores frequentes de Jair Bolsonaro ficaram cismados ao verem o perfil oficial do presidente tuitando as mensagens-bomba de Carlos Bolsonaro que desmentiam Gustavo Bebianno.
Gente da cúpula do governo lembra que, enquanto Bolsonaro esteve no estaleiro, tinha-se a impressão de que alguém pegava o telefone do capitão e respondia as mensagem de Whatsapp que chegavam para ele.
A desconfiança se baseava nos textos das respostas, com expressões e termos que o chefe jamais usava. Há quem aposte que o “ghost writer” presidencial era obviamente Carlos.
Beleza, mas se Bolsonaro não tivesse aprovado o retuite feito em seu perfil, já teria se manifestado em favor de Bebbiano. Não o fez. Muito pelo contrário.

Acabou o sossego de Aécio
Aécio Neves conseguiu o que queria quando chegou na Câmara: um gabinete espaçoso, perto do plenário e à uma distância segura de onde a imprensa costuma ficar. Mas a sorte mudou rapidamente.
As reuniões de líderes, que ocorriam na presidência da Casa, passaram a ser realizadas ao lado do gabinete de Aécio, atraindo uma penca de jornalistas para a porta do do tucano.

Merval Pereira

Carlos Bolsonaro não pode ter a senha do presidente
Os filhos do presidente Bolsonaro não se limitam a querer defender ideias; eles tentam transformá-las em programas de governo, sem que sejam debatidas, e assumem posições contrárias a ministros dos quais não gostam. É gravíssimo que um dos filhos dele tenha acesso à senha do twitter e fique postando em nome do pai. O Estado não pode ficar em mãos indiretas, seja de quem for. Caso o presidente aceite a pressão do seu filho vereador Carlos para demitir o ministro Bebianno, vai ficar cada vez mais nas mãos dos movimentos sociais e dos filhos, que tentam aumentar o poder no governo. Ou Bolsonaro tem controle de suas mensagens, ou é uma crise muito grande de Estado.

O privado e o público
A crise desencadeada pelo vereador Carlos Bolsonaro, desmentindo pelo twitter o ministro–chefe da Secretaria-Geral da Presidência Gustavo Bebianno, tem um aspecto que a torna ainda mais perigosa em termos institucionais. Trata-se do uso indiscriminado das redes sociais para comunicação do seu pai, o presidente Jair Bolsonaro, sem distinção do público e do privado.
Durante a campanha presidencial, com muita freqüência era Carlos quem usava as senhas do pai para postar mensagens políticas, e há quem diga que até hoje é ele o autor das mensagens do presidente. Nessa crise de agora, o que circula em Brasília é que o retuíte da conta pessoal de Jair Bolsonaro (@jairbolsonaro), como que avalizando a acusação de seu filho Carlos a Bebianno, foi postado pelo próprio, em nome do pai.
Oficialmente, em novembro, antes mesmo da posse, Carlos publicou um aviso aos amigos informando que não tinha mais, “por iniciativa própria”, qualquer ascensão (sic) às redes sociais de Jair Bolsonaro. Foi quando brigou com Gustavo Bebianno na equipe de transição e desistiu de permanecer em Brasília, retornando à sua atividade de vereador no Rio.
A utilização do twitter para suas mensagens é um hábito que Bolsonaro copia do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, seu grande ídolo. Nos Estados Unidos, a utilização de meios particulares para atividade oficial já deu muita dor de cabeça a Hillary Clinton que, quando Secretária de Estado no governo Obama,dispensou o e-mail oficial(@state.gov) para usar seu email privado mesmo para assuntos de Estado.
O caso provocou o temor de informações sigilosas do Departamento de Estado circularem em redes de caráter privado, ou estarem expostas a ataques de hackers. Em março de 2015, o “New York Times” informou que o email utilizado por ela era @clintonemail.com durante o período. Diante da constatação, Hillary admitiu: “Seria melhor ter usado dois e-mails e dois endereços eletrônicos diferentes”.
Parte do conteúdo era classificado como supersecreto, ou o foi mais tarde. Durante as investigações, que ocorreram durante a campanha presidencial, prejudicando-a como candidata, o inspetor-geral do Departamento de Estado afirmou que ela não pediu permissão para adotar um servidor privado. Mas o FBI não recomendou seu indiciamento, embora a tenha acusado de ser “extremamente descuidada”.
Coube a Hillary um pedido de desculpas: “Foi um erro. Sinto e assumo a responsabilidade”. Legislações sobre esse tipo de utilização garantem nos Estados Unidos que não haja violação de normas de segurança institucional. O uso do twitter oficial da Casa Branca (@POTUS) é feito sempre que Trump trata de questões de Estado. Foi inaugurado pelo seu antecessor, Barack Obama, que usava mais o Facebook para seus comentários.
Isso garante a fidedignidade da informação, de que é o próprio presidente quem está dando uma mensagem à Nação. É importante porque hoje em dia o que mais existe é perfil falso nesses novos meios. Quando usa seu twitter pessoal, Trump se identifica como @realDonaldTrump.
Há também a intenção de garantir que as comunicações do governante sejam controláveis.Os filhos do presidente Bolsonaro não se limitam a querer defender idéias; eles tentam transformá-las em programas de governo, sem que sejam debatidas, e assumem posições contrárias a ministros dos quais não gostam.
É gravíssimo, se confirmado, que um dos filhos dele tenha acesso à senha do twitter e fique postando em nome do pai. O Estado não pode ficar em mãos indiretas, seja de quem for. Caso o presidente aceite a pressão do seu filho vereador Carlos para demitir o ministro Bebianno, vai ficar cada vez mais nas mãos das redes sociais e dos filhos, que tentam aumentar o poder no governo.
Ou Bolsonaro tem controle de suas mensagens, ou instala-se uma crise muito grande de Estado. As declarações do presidente só são transferíveis ao seu porta-voz oficial, não podem ser terceirizadas informalmente, nem que seja a um filho.

Poema enjoadinho
A transcrição correta do Poema Enjoadinho de Vinicius de Moraes, que usei ontem na coluna, é “Filhos… Filhos?/ melhor não tê-los/ Mas se não os temos/ como sabê-los?”.

Miriam Leitão

Crise desgasta o governo em momento decisivo para a reforma da Previdência
Crises atrapalham a tramitação de qualquer projeto. E nesse momento, o Planalto enfrenta uma. Todas as atenções estão voltadas para o caso do ministro Gustavo Bebianno. A situação vai consumir a energia do governo, que deveria ter a reforma da Previdência como o centro das atenções.
Era esperada para esta quinta-feira uma decisão do presidente sobre o texto da reforma. Nesse clima, Bolsonaro terá que decidir sobre temas técnicos como a idade mínima, regras de transição e o sistema de capitalização. Talvez o melhor seja o Planalto esperar um outro momento para apresentar o texto final.
Há um desgaste. Uma crise, dependendo de como for conduzida, pode deixar sequelas na base política.
O caso de Bebianno pode ter chegado ao ponto de não retorno. Carlos e o próprio presidente o acusaram de mentir. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência havia afirmado que falou com Bolsonaro sobre o caso de candidatos sem expressão do PSL que receberam grande quantidade de recursos na campanha. Esse é um enredo da velha política. Carlos negou no Twitter que o pai tivesse falado sobre o assunto com Bebianno. Postou um áudio do presidente, que em seguida replicou a mensagem. O assunto foi mal conduzido. Carlos aumentou os decibéis de uma crise que já não era discreta.
É pouco provável que haja uma forma de manter Bebianno no governo. Se ele continuar no cargo, estará enfraquecido. Se cair, será a primeira queda de ministro deste mandato, precipitada pelo filho do presidente. Era um dos temores sobre este governo.
As expectativas sobre o comportamento do clã se confirmaram. A influência dos filhos é uma preocupação que já ouvi de pessoas de dentro do governo. Carlos, por exemplo, é vereador no Rio de Janeiro. Os outros dois filhos mais velhos também têm mandatos. Eles precisam respeitar os limites institucionais. Colocar o pé na porta não ajuda o governo.

Projeto com idade mínima mais alta para aposentadoria anima o mercado
O anúncio de que a idade mínima para a aposentadoria será de 65 anos para homens e de 62 anos para mulheres teve efeito na bolsa e no câmbio. No primeiro momento, a moeda americana mergulhou para R$ 3,72, queda de R$ 0,02 em poucos minutos. A bolsa acelerou depois da 17h, quando a notícia começou a circular (veja o gráfico). O secretário especial da Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, foi quem divulgou a notícia.
A comemoração veio porque nos últimos dias o governo chegou a cogitar um limite menor para a aposentadoria, de 62 anos para homens e 57 anos para mulheres. A idade mínima mais alta torna mais rápido o combate ao déficit da Previdência. O ministro Paulo Guedes ganhou um ponto nesta jogada.
O limite anunciado não é nada fora da curva. Deixaria o Brasil em linha com países da região, como o Paraguai e o Chile. Mas já seria uma forte correção, comparado com o que o Brasil tem hoje. Por aqui, a média de idade para os aposentados por tempo de serviço é de 54 anos.
É preciso lembrar, no entanto, que o governo está apresentando um projeto de reforma. Haverá muita negociação daqui até a aprovação de um texto pelo Congresso. Uma estratégia bem conhecida nesses momentos é inflar as condições para depois cortar a “gordura”. Ou seja, encontrar um meio-termo, um ponto comum entre as pretensões das mais variadas bancadas no Congresso.
Os ativos agora vão variar junto com as negociações em torno da reforma. O limite mais alto talvez não se sustente após os debates nas comissões e no plenário.

A Petrobras na era Bolsonaro
“O monopólio é incompatível com a democracia”, afirma o novo presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, avisando que vai vender ativos da empresa para que haja competição em todas as áreas onde atua. Ele diz que os preços dos combustíveis vão seguir as cotações internacionais. Depois do petróleo, o maior foco da empresa será ampliar a oferta de gás no país. Ele confirma que mudará toda a política de patrocínio de esporte e cultura da companhia para investir em educação infantil.
Castello Branco tem formação liberal, é doutor em economia pela Fundação Getúlio Vargas com pós-doutorado na Universidade de Chicago. Diz que teve o privilégio de ter aulas com Gary Becker, prêmio Nobel, um dos pais da teoria do capital humano, e de trabalhar com Carlos Geraldo Langoni. Por isso, afirma que a empresa fará investimentos em educação infantil para crianças pobres. Falou sobre isso no contexto da revisão dos patrocínios para o esporte e a cultura, durante uma entrevista que fiz com ele na Globonews:
— Existem outros financiadores para a cultura. Não vamos sair completamente. Achamos que o retorno para a sociedade será muito maior se fizermos isso (investir na educação infantil).
Ele já foi um grande defensor da privatização da Petrobras, mas quando perguntei sobre o fato de o presidente Jair Bolsonaro ser contra, ele disse que é disciplinado e seguirá essa orientação. Mas defende um programa muito mais agressivo de venda de ativos no refino:
— Detestamos a solidão do mercado. Queremos ter concorrentes no refino, para que a decisão sobre preços seja percebida pela sociedade como decorrência da relação fornecedor-cliente.
Castello Branco diz que logo depois do choque do petróleo houve uma greve de caminhoneiros nos Estados Unidos por causa do preço. Foi incluída uma cláusula sobre reajuste do diesel no contrato entre as transportadoras e as empresas que demandam esse serviço, que funciona até hoje. Está sendo pensado também a criação de um cartão pré-pago, em que o caminhoneiro possa pagar antecipadamente o combustível. De qualquer maneira, a política de preços não será de reajuste diário, mas haverá o acompanhamento de cotações internacionais.
Sobre as refinarias, Castello Branco disse que a ideia é reduzir para 50% a participação da Petrobras. O governo anterior programara vender apenas participações. Agora, serão unidades inteiras. Mas ele disse que o governo Bolsonaro não quer trocar um monopólio estatal por outro privado:
— O monopólio prejudica muito os consumidores e acaba prejudicando o próprio monopolista, atraindo a intervenção do Estado e gerando enormes distorções. Nós queremos nos ver livres disso.
A diretriz da empresa é agora investir no que ele define como os “ativos que ela é dona natural”:
— Nosso foco é pré-sal, águas profundas, onde temos ativos de classe mundial. Alta qualidade, custo baixo de extração, longa vida, esse é o nosso negócio principal.
Muitas companhias de petróleo estão se reposicionando como empresas de energia, preparando-se para o mundo da energia de baixa emissão. As últimas duas administrações da Petrobras estavam aumentando investimento em energia solar e eólica. Agora o interesse será no gás:
— No curto prazo, nosso foco é a produção de petróleo, é extrair o máximo de riqueza que temos. A mãe natureza nos deu uma riqueza fantástica, com o uso da tecnologia e capital humano para explorar isso. Outra riqueza que temos é o gás natural. É um mercado que precisa ser aberto. A Petrobras possui monopólio em toda a cadeia produtiva. É necessária uma mudança em leis e regulações para termos um mercado vibrante. O gás é um combustível fóssil com baixa emissão de carbono. Quanto às renováveis, solar e eólica, a Petrobras tem projeto de pesquisa mas olha com perspectiva de longo prazo.
Ele diz que a tendência é vender a participação na Braskem. Sobre o leilão da cessão onerosa, disse que até o final deste mês vai ser concluída a primeira parte e deve ocorrer ainda este ano. Sobre governança, ele acha que as duas últimas administrações fizeram as mudanças necessárias. Castello Branco afirmou que uma grande preocupação da sua gestão será minimizar os riscos de acidentes ambientais, seja nas plataformas, nas refinarias ou nos dutos.

TCU ainda estuda os critérios para os repasses a estados pela Lei Kandir
O Tribunal de Contas da União informa ao blog que iniciou o levantamento de informações sobre os repasses da Lei Kandir aos estados. Ainda “não há decisão” sobre o caso. O “Estado de S. Paulo” apurou esta semana que a área técnica do TCU concluiu que a União não é obrigada a repassar aos estados a compensação pelo corte no imposto estadual sobre alguns produtos exportados, como acontece desde a Lei Kandir. Nota no blog comentou que essa “decisão” tiraria um peso das contas da União.
O TCU está estudando o caso porque o Congresso ainda não editou uma lei para regulamentar essa compensação. Os governadores vêm buscando convencer parlamentares a aumentar em até dez vezes o valor do repasse aos estados, que poderia chegar a R$ 39 bilhões.
Na mensagem, o TCU lembra que “as análises são realizadas de acordo com o ordenamento jurídico vigente, que pode vir a ser alterado a qualquer tempo pelo exercício da competência legislativa do Congresso Nacional”. Ou seja, o risco de aumentar o gasto com a Lei Kandir persiste.

Anúncio da idade mínima é o começo do debate sobre a reforma
O anúncio da idade mínima para aposentadoria é apenas o começo da conversa. Outros detalhes relevantes do projeto de reforma serão revelados semana que vem. A idade de 65 anos para homens e de 62 anos para mulheres permitirá ao governo economizar, mas os outros detalhes também importam.
O ponto de partida de um projeto é significativo. No Congresso, a proposta sempre é atenuada. O governo Temer originalmente estipulava a mesma idade mínima de 65 anos para homens e mulheres, e durante a tramitação ajustou o texto para os mesmo limites propostos agora no governo Bolsonaro. Já o período de transição é mais curto. Isso indica uma reforma mais dura. No projeto anterior, só após 20 anos se chegaria ao limite 65/62. Pela proposta revelada agora, a transição será de 12 anos.

Proposta de reforma da Previdência prevê três opções para aposentadoria
Um ponto ainda não especificado, conta o especialista Paulo Tafner, é se a proposta vai atacar as desigualdades dentro da Previdência. O sistema trata de forma diferente os grupos profissionais, como os servidores públicos da segurança e da educação. Será permitido acumular aposentadorias? O projeto do governo Michel Temer estipulava um limite para os benefícios, que era o teto do INSS. Falta saber também qual a idade de corte para a transição, o grupo que está próximo de se aposentar e que seguirá com as regras antigas.
Os investidores comemoraram a idade mínima de 65 anos para homens e de 62 anos para mulheres porque essa proposta tirou um bode da sala. O governo vinha cogitando um limite inferior, de 62 anos para eles e 57 para elas. Mas ainda haverá muita discussão em torno do projeto.

 

BLOG DO CAMAROTTI
Gerson Camarotti

Bebianno avisa que só deixa o governo se tiver ‘saída honrosa’
Em conversa com colegas de governo, o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, deixou claro que para deixar o cargo terá que ser construída “uma saída honrosa”. Na noite desta quinta-feira (14), Bebianno chegou a se encontrar com os colegas de Palácio do Planalto, os ministros Onyx Lorenzoni (Casa Civil) e Carlos Alberto dos Santos Cruz (Secretaria de Governo).
Mas não esteve com o presidente Jair Bolsonaro. A expectativa de Bebianno é a de ser recebido pelo presidente em breve para uma conversa franca. Para interlocutores, Bolsonaro ainda resistia até a noite desta quinta em fazer esse encontro, e preferia que Bebianno pedisse demissão até segunda-feira (18).
Em conversas reservadas, Bebianno tem dito que faz parte do jogo o presidente mudar os integrantes da sua equipe em qualquer momento. Mas que não pode aceitar o tratamento dispensado por Bolsonaro, que acabou avalizando a fala do seu filho, o vereador Carlos Bolsonaro, ao chamá-lo de mentiroso.
Depois de uma forte atuação de integrantes da área militar do governo, a temperatura da crise política baixou nas últimas horas. Na avaliação de um ministro próximo ao presidente, isso possibilitará encontrar uma solução negociada para o impasse, evitando sequelas maiores desse episódio.
Como revelou o blog, Bebianno chegou a fazer um desabafo com integrantes do governo. “Não se dá um tiro na nuca do seu próprio soldado. É preciso ter um mínimo de consideração com quem esteve ao lado dele o tempo todo”, alertou. “Não vou sair escorraçado pela porta dos fundos”, relatou o ministro a colegas, em uma demonstração de que, se Bolsonaro quiser demiti-lo, terá que assumir o desgaste público de ter que mandar o auxiliar embora com pouco mais de um mês de governo.
No último domingo, reportagem do jornal “Folha de S.Paulo” informou que Bebianno liberou R$ 400 mil de dinheiro público, do fundo partidário, para uma candidata “laranja” de Pernambuco, que concorreu a uma vaga de deputada federal e recebeu 274 votos. A “Folha” também noticiou caso semelhante envolvendo o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antonio, que dirigia o diretório do PSL em Minas Gerais.

‘Não se dá um tiro na nuca do seu próprio soldado’, diz Bebianno a interlocutores
Em conversas com interlocutores, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, tem demonstrado forte mágoa com todo o episódio de fritura a que está sendo submetido pelo presidente Jair Bolsonaro e seu filho, o vereador Carlos Bolsonaro.
“Não se dá um tiro na nuca do seu próprio soldado. É preciso ter um mínimo de consideração com quem esteve ao lado dele o tempo todo”, desabafou Bebiano em uma conversa com interlocutores.
Segundo esse relatos, Bebianno está impressionado com o fato de o presidente dar muito apoio aos argumentos do filho nesse episódio, e deixá-lo de lado no caso.
“Não vou sair escorraçado pela porta dos fundos”, relatou o ministro a colegas, em uma demonstração de que, se Bolsonaro quiser demiti-lo, terá que assumir o desgaste público de ter que mandar o auxiliar embora com pouco mais de um mês de governo.
Planalto vive dia de expectativa após embate entre Carlos Bolsonaro e Bebianno
Segundo ele, se Bolsonaro quisesse tirá-lo do cargo, deveria ter construído uma saída elegante, sem o desgaste na mídia. Ele ressaltou que não pretende pedir demissão.
A esses interlocutores, Bebianno disse que manteve sim contato com o presidente durante o período de internação de Bolsonaro, e que isso está registrado não só nas mensagens enviadas em seu celular, mas também nas mensagens recebidas por ele.
Ele também demonstra surpresa por ter tratamento diferenciado quando caso semelhante foi registrado em Minas Gerais, envolvendo o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio.
Gustavo Bebianno foi um dos coordenadores da campanha eleitoral do presidente. Ele presidiu o PSL, partido de Bolsonaro, no ano passado e durante toda a campanha. Deixou o posto depois de ter sido nomeado ministro da Secretaria de Governo.
No último domingo, reportagem do jornal “Folha de S.Paulo” informou que Bebianno liberou R$ 400 mil de dinheiro público, do fundo partidário, para uma candidata “laranja” de Pernambuco, que concorreu a uma vaga de deputada federal e recebeu 274 votos. A “Folha” também noticiou caso semelhante envolvendo o ministro do Turismo.
O ministro também ressalta a interlocutores que o PSL nacional não cuida de candidaturas estaduais, mas que mesmo assim acha estranho a hipótese de o atual presidente da sigla, Luciano Bivar, ter feito algo de irregular.
Lembrou para um colega que quando assumiu o partido, no início do ano passado, havia acúmulo de verbas do fundo partidário, no caixa do PSL Mulher e na convenção do partido e que, por isso, acha improvável que Bivar quisesse desviar dinheiro do partido. Ele alega ainda que Bivar tem boa condição financeira.

Maia avalia se Câmara analisará em conjunto propostas de Moro e Moraes sobre combate ao crime
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), avalia a tramitação conjunta dos pacotes anticrime apresentados pelo ministro da Justiça, Sérgio Moro, e pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, informa o repórter Nilson Klava, da GloboNews.
Sérgio Moro encaminhará projeto ao Congresso na próxima semana. Alexandre de Moraes apresentou uma proposta em maio de 2018. O texto proposto pelo ministro do Supremo é resultado de uma comissão de juristas que Moraes presidiu.
O projeto de lei que altera o Código de Processo Penal, cujo relator é o deputado João Campos (PRB-GO), também pode ser analisado de forma conjunta com as outras propostas. O objetivo é criar uma comissão especial para tramitação de assuntos semelhantes.

 

CORREIO BRAZILIENSE

Brasília-DF
Denise Rothenburg

O serviço de Carlos é no Rio
Quem acompanha o dia a dia do Planalto tenta criar coragem para dizer ao presidente Jair Bolsonaro que passou da hora de seu filho Carlos, que cuidava das redes sociais na campanha, assumir o papel que lhe cabe: o de vereador no município do Rio de Janeiro, deixando de lado os tuítes polêmicos relacionados à República. A campanha já passou e compete ao vereador, ainda que seja filho do presidente, exercer o mandato para o qual foi eleito.
Até aqui, entretanto, Carlos não percebeu que é chegada a hora de recolher os flaps e deixar o pai governar. E, dizem os mais próximos, Bolsonaro ainda não deu essa ordem a 02. Afinal, dos três filhos com mandato, Carlos é o único que não tem voz nem no Congresso nem no governo. A polêmica criada com Gustavo Bebianno, aliado de primeira hora, é visto como o momento de impor limites aos tuítes e intromissões do vereador na esfera federal.
Em tempo: Marco Maciel, vice-presidente da República nos tempos de Fernando Henrique Cardoso, tinha uma máxima para resolver crises: “Não vamos fulanizar”. E, tirando a “fulanização”, o que se vê é um vereador se intrometendo em assuntos institucionais que não lhe dizem respeito — como a relação do presidente e seus ministros. Ainda que seja filho, não tem função institucional.

Idade mínima será desafio
A decisão do governo em fechar a idade mínima para aposentadoria em 65 anos para os homens e 62 para as mulheres dificilmente será mantida como está. Não são poucos os parlamentares que defendem idades diferenciadas para várias categorias. Há mais chances, segundo a coluna ouviu de vários deputados, de ficar nos 62 para homens e 57 para mulheres.

Onde mora o perigo
Na base do presidente Jair Bolsonaro, há quem esteja com medo de que as excelências comecem a tentar tirar algumas categorias de trabalhadores da idade mínima. Se isso ocorrer, vai dar problema.

Onde mora a esperança
Enquanto algumas categorias de servidores se mobilizam contra a reforma, apoiadores do presidente vão organizar manifestações favoráveis às mudanças na previdência. Afinal, para manter os bons ventos na economia, é preciso fazer o dever de casa das reformas.

Climão na festa
Na posse da nova diretoria do Sindifisco, a deputada Bia Kicis (foto) sentou-se à mesa e, na sua frente, estava o lugar destinado ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli. “Se ele sentar aqui, vai ter briga”, comentou Bia com um dos convidados. Toffoli olhou para a mesa, conversou com um, com outro, de pé mesmo, e… Não se sentou àquela mesa. O presidente do STF é da paz.

Briga antiga
A deputada é uma das maiores entusiastas da revisão da PEC da Bengala, para retomar os 70 anos de aposentadoria compulsória para os magistrados.

Me inclua fora dessa
Na solenidade que marcou a troca de comando no Serviço de Comunicação Social do Exército do general Otávio do Rêgo Barros para o general Richard Fernandez Nunes, quem ousava perguntar ao ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Heleno, sobre a briga entre Bebianno e Carlos, ele logo cortava: “Não é assunto meu”.

Chama o Michelzinho
Alguns deputados ironizavam: “O único trabalho que o filho de Michel Temer dava ao governo era quando resolvia ‘desaparecer’, brincando nos jardins do Alvorada”. E a primeira-dama, Marcela, ficava na maior preocupação. É, pois é.

Nas entrelinhas
Luiz Carlos Azedo

Não precisa de oposição
Nem bem saiu do estaleiro, o governo já enfrenta uma crise séria, que não foi criada pela oposição, mas em decorrência de eventos de campanha do PSL e do estranhamento entre integrantes do círculo de poder do presidente Jair Bolsonaro. O secretário-geral da Presidência, Gustavo Bebianno, caiu em desgraça e pode ser defenestrado do cargo, depois de ser publicamente atacado pelo caçula do clã, o vereador carioca Carlos Bolsonaro, que o chamou de mentiroso pelo Twitter e recebeu o apoio público do pai, numa entrevista de tevê, na qual disse que o ministro poderia “voltar às origens”.
Tudo começou com a notícia de que Bebianno, enquanto exercia a presidência do PSL, teria liberado R$ 400 mil a uma candidata laranja em Pernambuco, o que o secretário-geral da Presidência nega que seja sua responsabilidade. A notícia teve péssima repercussão para a legenda, cuja ruidosa bancada na Câmara passou a ser atacada pelo PT e outros adversários, elevando a tensão na cúpula do governo. Para sair da berlinda, na quarta-feira, Bebianno minimizou o episódio, comentando que havia conversado três vezes com o presidente. Pelo Twitter, Carlos Bolsonaro disse que era mentira, pois, havia 24 horas, estava em companhia do pai, no Hospital Alberto Einstein, em São Paulo, e que o presidente da República havia se recusado a falar com Bebianno por telefone.
Bolsonaro recebeu alta e desembarcou em Brasília com a cabeça de Bebianno a prêmio. O chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, tentou pôr panos quentes no assunto e saiu em defesa de Bebianno, assim como o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que considerou as acusações precipitadas e lamentou a crise às vésperas de o governo enviar a proposta de reforma da Previdência ao Congresso. Os militares que integram o governo também atuam como bombeiros. Nos bastidores do governo, criticam o envolvimento dos filhos de Bolsonaro nos assuntos palacianos, mas o fato é que todos são políticos com mandato. Por isso mesmo, não está claro se o pai passa a mão na cabeça dos filhos ou se eles recebem orientação para falar pelo presidente da República, que tem um porta-voz exatamente para evitar que isso aconteça.
A tensão entre Bebianno e Carlos Bolsonaro, o filho mais apegado ao pai, vem desde a campanha eleitoral e já teve um estresse na montagem do governo, por causa da equipe de comunicação do Palácio do Planalto, que acabou resultando na nomeação do general Rêgo Barros como porta-voz da Presidência, e do publicitário Floriano Barbosa Amorim Neto para a Secretaria Especial de Comunicação, por indicação de Carlos Bolsonaro. O filho caçula ainda conseguiu transferir o órgão da alçada da Secretaria-Geral da Presidência para a Secretaria de Governo, chefiada pelo general Santos Cruz.

Milícias
A relação entre Bebianno e Carlos Bolsonaro ficou ainda mais tensa por causa da intervenção espetacular do secretário-geral da Presidência no Hospital Federal de Bonsucesso, que denunciou ameaças contra as autoridades do governo encarregadas de investigar a corrupção na instituição. Segundo Bebianno, o esquema seria controlado por milicianos e estava sendo investigado pela Polícia Federal. A entrevista de Bebianno, no próprio hospital, coincidiu com o noticiário sobre a prisão de milicianos no Rio de Janeiro, por envolvimento em grilagem de terra, entre eles, um ex-capitão do Bope, que foi homenageado pelo senador Flávio Bolsonaro (PSC-RJ), mesmo estando preso. A mulher e a mãe do ex-militar são ex-funcionárias do gabinete do senador quando exercia o mandato de deputado na Assembleia Legislativa fluminense. O clã tem notórias ligações eleitorais com os milicianos que atuam no Rio de Janeiro.
Bebianno presidiu o PSL durante toda a campanha, no lugar do titular, deputado Luciano Bivar (PE). Nessa condição, foi responsável pela distribuição dos recursos do fundo eleitoral para os candidatos do partido. Alega que isso foi feito via diretórios estaduais e que não pode ser responsabilizado pela existência de candidatos laranjas. Como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que 30% dos recursos do fundo partidário fossem destinados às mulheres, a Justiça Eleitoral agora investiga os casos em que há grande discrepância entre o volume de recursos recebidos pelas candidatas e a votação recebida, o que é fácil verificar. É o caso da candidata de Pernambuco, que recebeu muitos recursos e obteve votação irrisória. Até a noite de ontem, Bebianno não havia falado com Bolsonaro nem renunciado ao cargo. Entretanto, estava sendo fritado sem dó nem piedade, apesar da turma do deixa disso não ser pequena.

 

DIÁRIO DO PODER
Cláudio Humberto

HIPOCRISIA ATACA O PSL, MAS IGNORA PT, DEM…
Em meio ao falatório para transformar em escândalo de corrupção a transferência de R$400 mil a uma candidata do PSL não eleita em Pernambuco, setores hostis ao presidente Jair Bolsonaro, inclusive na mídia, fazem vista grossa para ‘figurões’ que torraram R$60 milhões dos fundos partidário e eleitoral, em 2018, e apesar da montanha de dinheiro público, fracassaram nas urnas. Casos dos petistas Lindbergh Farias (R$2,6 milhões do PT) e Dilma Rousseff (R$4,1 milhões).

LULA: R$20 MILHÕES
Caso chocante de gasto do Fundo Eleitoral foi o de Lula, o presidiário: sem pôr o pé na rua, teve R$20 milhões do PT para sua “campanha”.

PAPELÃO
Também ninguém menciona o caso de Romero Jucá (RR). Recebeu R$2,25 milhões do MDB, proveniente do Fundo Eleitoral, e nada.

DESMOBILIZADOS
Integrante da tropa de choque anti-impeachment, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB) gastou R$2 milhões do Fundo e também fracassou.

DINHEIRO NOSSO
Os petistas Wadih Damous e Luiz Sérgio dançaram no Rio, Zé Mentor Valmir Prascidelli, em SP. Receberam R$ 3 milhões e não são citados.

MUSA DA REFORMA FOI DOS GOVERNOS FHC E LULA
Ex-secretária de Previdência Complementar no governo FHC, a economista Solange Vieira foi também presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) nos governos Lula e Dilma (PT), e agora ganhou status de “musa da reforma da Previdência”. Ela faz parte da equipe do ministro Paulo Guedes (Economia) que preparou o projeto de reforma, e foi recebida pelo presidente Jair Bolsonaro no Palácio Alvorada, nesta quinta (14), ao lado dos colegas de trabalho.

LONGA CARREIRA
Solange Vieira tem longa carreira profissional. Presidiu a Telos (fundo de pensão da Embratel) e foi diretora do banco Itaú BBA.

FUNDO DE PENSÃO
No BNDES, onde é funcionária de carreira, ela foi chefe de gabinete e atualmente preside a Fapes, fundo de pensão do banco.

COM GILMAR
No início da sua trajetória, a eclética Solange Vieira foi assessora do atual ministro do STF Gilmar Mendes, quando ele chefiou a AGU.

PAÍS DA IMPUNIDADE
Já são três semanas do rompimento de mais uma barragem da Vale, agora 320 mortos, e uma semana da tragédia do CT do Flamengo dez meninos mortos. Até agora, não há diretores de um ou de outro presos.

ARTICULAÇÃO DESARTICULADA
Agora de volta ao batente, o presidente Bolsonaro terá a tarefa de botar a bola no chão e apito na boca. Após sua ausência por 17 dias, encontrou o PSL rachado, principalmente na Câmara.

ESCORIAÇÕES GENERALIZADAS
Gustavo Bebianno (Secretaria Geral) passou a quinta (14) respirando por aparelhos, após trombar com “Zero Dois”, como o presidente chama o filho que no dia da posse o acompanhou no carro aberto.

TOCANDO DE OUVIDO
Três dos quatro gabinetes mais importantes do Planalto apostam que a mensagem assinada por Carlos Bolsonaro chamando Gustavo Bebianno de mentiroso foi obra do presidente. Ou a pedido dele.

AFOGAMENTO DE PEIXES
O ex-senador Cassio Cunha Lima (PB) ficou espantado quando soube que as águas da chuva provocaram a morte de peixes no açude de Campos, região do Cariri: “Na Paraíba é assim, peixe morre afogado…”

NOVO MESMO
Deputado mais votado pelo partido Novo em São Paulo, Vinícius Poit oficializou renúncia a plano de seguridade e auxílios mudança e moradia da Câmara. “Não tem cabimento o tanto de mordomias”, disse.

‘PREVIDENCIÔMETRO’
Instituto Ideia Big Data criou o Previdenciômetro, à base de pesquisas em redes sociais, opinião pública e de parlamentares, para avaliar quais as chances da reforma da Previdência. O índice vai de 0 a 100.

DOCUMENTÁRIO FAKE
A Sociedade Latinoameriana de Endodontia chamou de “fake news” o documentário “A Raiz do Problema”, do Netflix, afirmar que tratamento de canal pode causar câncer, problemas mentais e cardíacos.

PENSANDO BEM…
…se Jânio Quadros governava por meio de bilhetinhos, na era Jair Bolsonaro o governo é tocado por “posts”.

 

VEJA

Radar
Maurício Lima

Reunião com a Globo pode ter sido estopim para Bolsonaro fritar Bebianno
Bolsonaro se sente traído por Bebianno
Uma das razões para a irritação exagerada de Jair Bolsonaro com o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, é um profundo sentimento de traição.
Como Bebianno sustenta, os dois, de fato, trocaram áudios nos últimos dias.
Num deles, Bolsonaro dá uma bronca em seu ministro porque ele marcou uma reunião com o vice-presidente de Relações Institucionais do Grupo Globo, Paulo Tonet Camargo, no Palácio do Planalto.
No áudio, Bolsonaro diz: “Como você coloca nossos inimigos dentro de casa?”
Bebianno vinha atuando para abrir um canal de diálogo com a emissora. A relação entre Bolsonaro e a Globo está muito estremecida desde o escândalo das movimentações suspeitas feitas por assessores de Flávio Bolsonaro.
Bolsonaro achou exagerada a maneira como a emissora se comportou com relação ao caso.
Ver o auxiliar se movimentar para abrir esse canal com “os inimigos” ajudou a colocar lenha na fogueira em que Bolsonaro queimou Bebianno em público.
Evidentemente, não é algo razoável. Mas o “capitão” já demonstrou que o equilíbrio não é uma de suas qualidades.

Ex-líder do PP em alta para ser o relator da reforma da previdência
Bem cotado
Aguinaldo Ribeiro, ex-líder do PP, está em alta para ser o relator da reforma da Previdência na Câmara. O deputado encontrou-se recentemente com Paulo Guedes e Rodrigo Maia para discutir o assunto — e agradou.

Incomodado com vice, Bolsonaro provoca Mourão
Intrigas palacianas
Ainda no CTI, Bolsonaro mandou para Hamilton Mourão o vídeo de Silas Malafaia detonando o vice por sua declaração pró-aborto. Foi pura provocação. O presidente está incomodado com a movimentação do general. Não gostou especialmente de um jantar com Paulo Skaf e militares.

General Heleno vai conversar com Bolsonaro sobre comportamento de Carlos
Difícil missão
Único com autoridade moral sobre o presidente, o general Augusto Heleno foi escalado pelo núcleo duro do governo para conversar com Jair Bolsonaro sobre o comportamento descontrolado do seu filho Carlos.

Ex-ministro da Fazenda será sócio do BTG Pactual
Eduardo Guardia começa a trabalhar no banco no dia 1º de julho, após o término de sua quarentena
Hoje, o prestigiado ex-ministro da Fazenda Eduardo Guardia anuncia seu destino profissional.
Ele será um dos sócios do BTG Pactual, banco que disputou intensamente sua contratação com instituições financeiras internacionais, nacionais e fundos de investimento.
Guardia começa no novo emprego no dia 1º de julho, quando se encerra sua quarentena.

Rodrigo Cunha volta às origens
Passado de proteção ao consumidor
O senador Rodrigo Cunha (PSDB-AL) foi escolhido por Davi Alcolumbre como presidente da Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle e Defesa do Consumidor do Senado.
Faz sentido. Ele foi superintendente do Procon em Alagoas, vice-presidente da Associação Brasileira de Procons e membro da omissão Nacional de Proteção ao Consumidor.
A volta às origens é um aceno de Alcolumbre ao alagoano. Os outros dois companheiros de bancada de Cunha, Renan Calheiros e Fernando Collor, foram candidatos à presidência do Senado contra o demista.

Alcolumbre quer aliado de Renan fora da Mesa Diretora
Ninguém quer assumir o cargo
O presidente do Senado Davi Alcolumbre (DEM-AP) encontra-se em uma sinuca de bico. Ele quer se ver livre de Luiz Fernando Bandeira de Mello Filho, nomeado como secretário-geral da Mesa Diretora por Renan Calheiros.
O problema é que para ocupar o cargo é preciso ser servidor de carreira e ninguém quer assumir a bucha.

Blog do Noblat
Ricardo Noblat

O Pires da Nova Política
Transição bem-sucedida
No último governo da ditatura militar de 64, sempre que o presidente João Figueiredo via sua autoridade contestada ameaçava chamar o Pires. No caso, o ministro do Exército, o general Walter Pires. Nem o Pires salvou Figueiredo do desfecho melancólico de deixar o Palácio do Planalto pela porta dos fundos.
No primeiro governo civil da chamada Nova República, vez por outra o presidente José Sarney também ameaçava chamar o Pires. O ministro do Exército à época atendia pelo nome de Leônidas Pires Gonçalves. Serviu a Sarney com lealdade, e ao contrário de Walter, jamais pensou em colaborar para que o tempo político se fechasse.
O Pires do governo do capitão, mas não só dele é Sérgio Moro, juiz até um dia desses, ministro da Justiça e da Segurança Pública desde então. Bolsonaro chamou Moro para investigar o laranjal do PSL, o partido da Nova Política. O presidente do Senado chamou Moro para descobrir quem tentou fraudar a recente eleição naquela casa.
Moro é mais seletivo do que os outros Pires. É bem verdade que Bolsonaro não lhe pediu para apurar os rolos de Onyx Lorenzoni, duas vezes envolvido com dinheiro de caixa dois. Mas provocado sobre o assunto, Moro foi logo dizendo que Onyx já pedira perdão. Logo, ele não tinha por que investigá-lo.
Os rolos de Queiroz e de Flávio Bolsonaro? Moro não viu razão para se preocupar com eles. Quebrou a cara quem duvidou que Moro fosse capaz de fazer com sucesso a transição entre o judiciário e a política.

Bebianno balança, mas não cai
A cada dia sua agonia
A chamada classe política escolheu de que lado ficar no conflito entre o presidente Jair Bolsonaro que chamou o ministro Gustavo Bebianno de mentiroso, e Bebianno que disse que um comandante não atira na nuca de soldado: do lado do ministro.
Os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado saíram em socorro de Bebianno. Rodrigo Maia (DEM-RJ) foi o mais duro: deu lições a Bolsonaro de como se deve governar. E alertou-o para o risco de a crise ameaçar a aprovação da reforma da Previdência.
Metade dos deputados federais do PSL, o partido do presidente da República, apoiou Bebianno. A outra metade fingiu que nada de grave tinha acontecido. A oposição ao governo ocupou-se em pôr lenha na fogueira, instigando Bebianno a sair atirando.
Por se ver como a banda sensata de um governo desgovernado, a ala militar tentou apagar o incêndio sem disfarçar sua torcida pelo ministro. O que mais ela teme é a consolidação da República dos Garotos, cujo pai seria um boneco manipulado por eles.
Se a edição de hoje do Diário Oficial circular nas redes sociais sem o ato de demissão de Bebianno assinado por Bolsonaro é porque o ministro ganhou a batalha inicial contra a fúria dos garotos – mais exatamente, a fúria do mais ousado deles, Carlos, o 02.
Então daqui para frente, sem que saiba até quando, teremos um governo, a encarnação perfeita da Nova República que por ora não se sabe exatamente o que é, liderado por um capitão que chamou de mentiroso um destacado oficial da sua tropa, mas não o puniu.

A crise é Bolsonaro e os filhos
Lições da História
A não ser que sejam filhos, como no caso presente, não se governa com quem se elege. Na maioria das vezes dá errado.
José Sarney sequer pôde tentar. O dele foi um caso especial: herdou o governo de Tancredo Neves que morrera sem tomar posse.
Menos de um ano depois, montou o seu, mas acabou saindo aos cacos do Palácio do Planalto depois de ter sido apedrejado no Rio.
Collor tentou governar com a turma da República das Alagoas, sua companheira de aventura. Caiu sem completar o mandato.
Lula, não, foi esperto. Para salvar a sua, entregou as cabeças dos seus mais importantes guardiões – José Dirceu e Antônio Palocci.
A cabeça de Dilma rolou porque ela não tinha uma para governar mais do que governou por escolha e erro de Lula, unicamente dele.
Bolsonaro quer – ou quis – entregar a de Bebianno para escapar do escândalo do laranjal do PSL. O do Flávio é anterior ao seu governo.
Bebianno, ontem, oscilou entre choramingar se dizendo vítima de Carlos Bolsonaro e do seu pai, e ir à luta para ficar onde está.
Chegou ao ponto de dizer que Bolsonaro temia que o escândalo do laranjal respingasse nele, para em seguida defendê-lo.
Não explicou – e ninguém pediu que explicasse – por que Bolsonaro temeria os respingos. O que Bebianno sabe, mas não conta?
A História também ensina que virtuoso é o governante capaz de ser visitado pela crise e de despachá-la de volta menor do que a recebeu.
Bolsonaro fez tudo ao contrário. Não tinha uma crise, inventou-a com a ajuda do filho. Não satisfeito, a pôs no colo. É ali que ela está.

 

BLOG DO JOSIAS
Josias de Souza

Bolsonaro fez de Bebianno o seu ‘boi de piranha’
Todo mundo já ouviu a expressão “boi de piranha”. Surgiu no meio rural a partir da necessidade de atravessar o gado em rio infestado de piranhas. Para assegurar a passagem da boiada, sacrifica-se um boi já meio combalido. Esse boi é jogado na água para saciar o apetite das piranhas. E o resto do rebanho passa em segurança. A prática é muito comum também na política. Acaba de ser adotada por Jair Bolsonaro. O presidente jogou o ministro palaciano Gustavo Bebianno no rio para ser comido, enquanto outros personagens encrencados escapam.
O governo Bolsonaro tem 22 ministros. Sete ostentam algum tipo de suspeição. Repetindo: a suspeição ronda um terço da equipe do presidente que se elegeu como paladino da ética. Há um ministro condenado por improbidade administrativa, um denunciado por fraude em licitação e tráfico de influência, um investigado por transações suspeitas com fundos de pensão, uma citada em delação da JBS e um beneficiário confesso de caixa dois. Agora, mais dois ministros encrencaram-se no escândalo dos candidatos laranjas do PSL, o partido de Bolsonaro.
Considerando-se a humilhação solitária imposta a Gustavo Bebianno, o capitão não parece muito preocupado com a integridade do seu rebanho ministerial. Se foi capaz de eleger Bebianno, ex-coordenador de sua campanha, como boi de piranha, o presidente não hesitará em jogar outros ministros no rio. Chega-se, então, ao ponto: Bebianno virou comida de piranha para que o próprio Bolsonaro escape. Dito de outro modo: o presidente tenta salvar a pose de herói da cruzada anticorrupção.
A estratégia apresenta dois problemas. O primeiro é que Bolsonaro precisaria varrer muita coisa para baixo do tapete para continuar desfilando sua moralidade presumida. Isso incluiria o sumiço do enrosco do filho-senador Flávio Bolsonaro com o Coaf, do cheque que caiu na conta da primeira-dama e do empréstimo mal explicado do próprio Bolsonaro ao correntista atípico Fabrício Queiroz. O segundo problema é que a tática de Bolsonaro parte do pressuposto de que o Brasil é uma nação de bobos.

 

BLOG DO MURILLO DE ARAGÃO

Razões para otimismo
Não é fácil ser otimista com o Brasil. Nosso País, como disse Roberto Campos, nunca perde a oportunidade de perder uma boa oportunidade. Assim sendo, mesmo em condições positivas, sempre existe o risco de perdermos a oportunidade de embarcar em um ciclo de crescimento. Em um ano que começa com uma sucessão de tragédias e que o The New York Times, em uma viagem opinativa, vaticinou que seria fatídico para o Brasil, ser otimista pode parecer delírio. Mas não é. Na atual circunstância, o País tem amplas condições de retomar o crescimento consistente a partir de oito fatores decisivos.
O primeiro deles é o desejo do mundo político de fazer uma reforma previdenciária, estimulado pela precária situação financeira de estados e municípios. O segundo reside no montante de investimentos nas prateleiras do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), sob o comando do general Santos Cruz. O terceiro refere-se à impulsão do comércio internacional devido ao câmbio e à crise entre os EUA e a China. O quarto está na agenda desburocratizante para a economia a ser implantada pelo ministro Paulo Guedes. A simplificação de processos e do sistema tributário deve alavancar os negócios. O quinto elemento aponta para a retomada do crescimento econômico iniciada na gestão Temer, algo que deve ganhar consistência nos próximos meses. O sexto decorre dos efeitos da agenda de reformas iniciada pelo ex-presidente Michel Temer, em especial, quanto à legislação trabalhista nos setores de energia e de óleo e gás. O sétimo aspecto envolve a política monetária, que tem conseguido manter os juros em patamares historicamente baixos. O oitavo fator é o impacto das fintechs nas operações de crédito no Brasil. Teremos redução dramática nas taxas bancárias e aumento na oferta de crédito. O sistema bancário terá de se reinventar diante dos novos tempos.
Continuaremos a ser um dos destinos prediletos para investimentos, o que alimentará a economia. Porém, o mais importante é que teremos políticas mais liberais, que buscam um melhor ambiente de negócio no País. O novo governo trabalha com uma agenda extraordinária de desburocratização e simplificação tributária cujo alcance será espetacular. O programa de privatizações vai ganhar velocidade, vitalizando a economia e atraindo novos investidores. Acredito que o Brasil esteja, depois de quase uma década patinando ou mergulhado em recessão, iniciando um ciclo virtuoso de crescimento por causa dos aspectos aqui mencionados.



Jose Mauricio dos Santos
Autor: Jose Mauricio dos Santos
Jornalista, Cientista Político e especialista em Marketing Político.

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