Backstage News Brasil – O futuro de Lula, PT e das eleições pós-prisão

O Backstage News é um produto diário da Tracker Consultoria que reúne os principais colunistas de política do País com informações dos bastidores do Poder.

 

 

FOLHA DE S. PAULO

Painel
Daniela Lima

Eu sou o caminho
Lula usou as horas que antecederam sua prisão e o tempo que teve com aliados na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba para orientar o PT. Numa tentativa de manter o partido sob controle, empoderou a senadora Gleisi Hoffman (PR) apontando-a como sua porta-voz. Em São Bernardo do Campo, falou com o ex-prefeito Fernando Haddad, visto como o plano B para a disputa presidencial. Disse que ele estava liberado para continuar falando com outras legendas sobre 2018.

Façam fila
A defesa do ex-presidente começa a definir nesta segunda (9) a lista de advogados e familiares que serão autorizados a visitá-lo na prisão. Os defensores têm acesso a qualquer hora. A família, uma vez por semana.

Novo membro
Advogada, Gleisi deve ser incluída na relação como integrante da equipe de defesa de Lula.

Posseiro
O PT quer fazer de Curitiba ponto de romaria para líderes políticos brasileiros e estrangeiros. A sigla fará eventos no acampamento montado pelos apoiadores de Lula todos os dias e discute a possibilidade de transferir a sede nacional do partido para a capital paranaense.

Sem turbulência
Na viagem de avião de São Paulo para Curitiba, Lula e seu advogado Cristiano Zanin foram acompanhados por um delegado e dois agentes da corporação. As conversas foram protocolares e em tom respeitoso com o ex-presidente.

Pano para manga
Integrantes da equipe de Lula avaliam que a decisão do ministro Edson Fachin, que rejeitou no sábado (7) reclamação apresentada ao Supremo Tribunal Federal, restringiu ainda mais os direitos da defesa e abriu brecha para novos questionamentos.

Régua nova
Fachin defendeu a ordem de prisão expedida por Sergio Moro argumentando que os embargos que ainda podem ser apresentados ao TRF-4 não têm efeito suspensivo. Para os petistas, a jurisprudência do STF só autoriza o encarceramento após o fim de todos os recursos na segunda instância.

Só para constar?
A defesa do ex-presidente decide nesta segunda se apresenta ao TRF-4 o último embargo que ainda cabe contra a condenação pelo tríplex. Ao abrir caminho para a prisão de Lula, a corte considerou o instrumento protelatório.

Data de entrega
Coordenadora da câmara de conciliação que tenta resolver a controvérsia em torno do auxílio-moradia de juízes e procuradores, a Advocacia-Geral da União avisou magistrados envolvidos com as negociações que espera alcançar um acordo dentro de 60 dias.

Carimbo final
Quem chamou a AGU para buscar solução para o problema, a pedido da Associação dos Magistrados Brasileiros, foi o ministro Luiz Fux, relator da ação que questiona a legalidade do auxílio-moradia no Supremo Tribunal Federal. Se houver acordo, ele terá que ser homologado pelo STF.

Poleiro novo
Ex-secretário particular do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) e irmão do cientista político Luiz Felipe D’Ávila, o fazendeiro Frederico D’Ávila deixou o ninho tucano. Ele vai coordenar o programa do presidenciável Jair Bolsonaro para o agronegócio.

Sob nova direção
O novo prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), telefonou para o recém-empossado governador do estado, Márcio França (PSB), e o convidou para participar de seu primeiro ato público à frente do cargo. O pessebista aceitou.

Muy amigo
Covas defende a aproximação com França como uma maneira de garantir que a parceria entre o governo e a prefeitura continue, mas o gesto tem potencial para criar atrito político. França disputará a sucessão de Alckmin concorrendo contra João Doria (PSDB), de quem o novo prefeito era vice.

TIROTEIO
Um sistema judicial com dois pesos e variadas medidas e ritmos faz o caráter político de suas decisões prevalecer sobre o jurídico.
DO DEPUTADO CHICO ALENCAR (PSOL-RJ), sobre a resolução tomada pelo seu partido neste domingo (8) de tratar o ex-presidente Lula como preso político.

CONTRAPONTO

O primeiro refúgio
Em 1980, quando o último governo militar decidiu intervir no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e mandou a polícia ocupar a sede da entidade, Luiz Inácio Lula da Silva se escondeu na casa dos sogros.
— Não estava com medo de ser preso —disse Lula em 1993, em depoimento à jornalista Denise Paraná. — Não tinha muita experiência. Não queria ficar na minha casa.
Convencido por companheiros, ele logo reapareceu.
— O pessoal passou o tempo inteiro gritando o meu nome. A diretoria tentava falar e a massa não deixava.
Lula fez o último discurso antes de sua destituição, voltou para a própria casa e foi preso no dia seguinte.

Mercado Aberto
Cris Frias

Julho deve ser prazo limite para definição na Eletrobras
Depois da data limite na sexta (6) para políticos renunciarem a cargos públicos a fim de concorrer às próximas eleições, outro marco do calendário se aproxima.
Julho poderá marcar o afastamento de executivos à frente de estatais, como a Eletrobras, não só pela proximidade do pleito, mas principalmente por representar o fim do prazo para cumprir a quarentena antes da temporada de contratação de novos conselheiros nas companhias.
Então secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Paulo Pedrosa, a quem se credita muitos dos avanços da pasta, se antecipou.
Um dos nomes mais cotados para substituir o ministro Fernando Coelho Filho, Pedrosa preferiu também se afastar ao saber que o posto iria para o MDB.
Confirmado o ministro Moreira Franco no comando da pasta neste domingo (8), executivos do mercado esperam que não se contente em se garantir com o foro privilegiado, mas que faça jus à justificativa do governo federal, de que precisava ter na pasta um nome forte a se empenhar pela negociação da privatização da Eletrobras —o último grande trunfo que a gestão Michel Temer tem para entregar.
Se a desestatização da companhia não caminhar, Wilson Ferreira Jr, presidente da Eletrobras, deverá ser mais um a renunciar a seu cargo, segundo interlocutores próximos do executivo.

Minha história
Tan Zuozhou, presidente no Brasil da fabricante chinesa de produtos de linha amarela LiuGong, começou a carreira de engenheiro com um salário que, hoje, não pagaria seu almoço: US$ 10 (R$ 33).
“Por mês”, ele adiciona, para marcar a distinção das condições do passado das do presente.
Antes de começar a vida profissional, na faculdade, tinha uma quantidade fixa de arroz que era autorizada a comprar, determinada pelo governo.
“Estudei em um instituto de tecnologia famoso na China, mas era longe. Eu era de uma cidade a 3.401 quilômetros de trem —me lembro porque isso era impresso na passagem naquela época.”
Ele fez sua primeira viagem internacional em 2003, para os Estados Unidos. De lá para cá, foi presidente da LiuGong na Polônia e, mais tarde, veio para o Brasil para assumir a operação aqui.
Ele estranha algumas coisas do país —o sistema de impostos, diz, é confuso, e receber créditos por vezes demora demais, mas se diz adaptado.

Motores no campo
A gigante chinesa LiuGong, de empilhadeiras, tratores e outros produtos de linha amarela tem um plano de investimento para o período entre 2015 e 2020 de R$ 120 milhões, mas nos primeiros anos, o aporte foi lento.
Os primeiros resultados de receita deste ano são de uma alta de cerca de 50% em relação a 2016, diz o presidente para o Brasil, Tan Zuozhou.
“Acredito que em 2018 teremos lucro no país. Em outros países, levamos dez anos para atingir isso.”
A fabricante de máquinas agrícolas Jacto, por sua vez, vai investir R$ 60 milhões em maquinário para a automatização de processos de sua fábrica em Pompeia (SP) e no desenvolvimento de produtos.
A maior parte do aporte será destinado à aquisição de equipamentos de corte a laser, importadas da Alemanha, e também robôs usados no processo de solda.
“A ideia é ganhar produtividade e automatizar a planta”, diz o presidente Fernando Gonçalves Neto.
O grupo pretende crescer 7% em faturamento em 2018.

Calhambeque no mecânico
O número de carros de passeio atendidos por oficinas subiu 11,54% no segundo semestre de 2017 em São Paulo, na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo o instituto de pesquisas Cinau.
O valor médio cobrado pelos reparos realizados nos automóveis, no entanto, caiu 3,85% no período.
“Há aumento no número de carros em manutenção porque as pessoas postergaram o investimento em bens de capital e precisaram fazer manutenção em seus veículos antigos”, afirma Marcelo Gabriel, diretor da empresa que fez o levantamento.
“A taxa de ocupação subiu, mas as pessoas só fazem o que é emergencial. Isso derrubou o tíquete médio”, diz Antonio Fiola, do Sindirepa (sindicato das oficinas).
Apesar da alta recente na venda de automóveis novos, a projeção para 2018 é de crescimento de 6% no volume de serviços mecânicos, impulsionada pelos usados.
“Os veículos de 2014 perdem a garantia neste ano e precisarão de reparos”, diz Fiola.

Boca seca
O consumo de bebidas frias e não alcoólicas caiu pelo terceiro ano consecutivo, de acordo com estudo da consultoria Euromonitor.
Entre os grupos pesquisados, os energéticos tiveram a maior queda, de 9%, e o chá pronto apresentou o melhor desempenho, com um crescimento de 3,1%.
“A busca por produtos sem açúcar ajuda, mas a situação econômica ainda pesa”, diz Alexandre Jobim, presidente da ABIR, entidade do setor.
No caso do chá pronto, o estudo mostra que marcas novas ganharam espaço no consumo do brasileiro. A participação delas foi de 8,8%, em 2015, para 25,1% em 2017.
“Investimos no segmento no fim de 2016 e sentimos um potencial forte para expansão”, afirma Luciana Salton, diretora-executiva da marca que leva seu sobrenome.

Na…
O grupo hoteleiro Palladium, da Espanha, pretende aumentar suas unidades no Brasil. Eles têm um resort na Bahia. Hoje, o empreendimento está consolidado, afirma Mario Viazzo, diretor para a América Latina.

…pista
A expansão, agora, precisará acontecer com investidores que quiserem aportar recursos e usar a marca do grupo. A companhia acabou de fechar uma operação na Colômbia e também tem unidades no Caribe.

Môninca Bérgamo

Processo de Lula deve chegar em junho ao STJ
O processo do ex-presidente Lula sobre o tríplex deve chegar em junho ao STJ (Superior Tribunal de Justiça), corte que poderá confirmar ou rever a condenação dele a 12 anos e 9 meses de prisão.

TEMPO
A previsão de magistrados do STJ é que o caso pode estar encerrado até o fim do ano. Se confirmada a condenação, Lula teria que passar longo tempo na prisão já que de nada adiantaria a reversão, pelo STF (Supremo Tribunal Federal), da regra que prevê prisão depois de segunda instância –o STJ é o terceiro degrau da Justiça.

TEMPO 2
A reversão da regra da segunda instância pelo STF, de qualquer forma, passou a ser considerada dúvida depois que a ministra Rosa Weber sinalizou que, embora concorde com ela, pode não votar a favor para evitar mudança em jurisprudência formada há pouco tempo pelo tribunal.

PASSAPORTE
Integrantes do Ministério Público do Panamá vieram ao Brasil para falar com delatores da Lava Jato. O ex-diretor da Petrobras Pedro Barusco, o ex-executivo da Odebrecht Rogério Santos de Araújo e o empresário Mario Góes estavam entre os intimados.

PASSAPORTE 2
Os procuradores panamenhos queriam saber sobre a ligação deles com a Mossack Fonseca, envolvida no escândalo Panama Papers.

TRANCA
A Justiça do Paraná decidiu que o ex-vice-presidente da Camargo Corrêa Eduardo Leite cumpra prisão domiciliar por mais um ano. Ele, que foi preso em 2014, foi acusado de ter fraudado a jornada de prestação de serviços à comunidade. A defesa do executivo vai recorrer da decisão.

TRANCA 2
Leite deveria ficar em casa entre 21h e 7h e prestar serviços comunitários por cinco horas semanais. Mas o rastreador da tornozeleira eletrônica mostrou que em um ano ele só esteve cinco vezes no local destinado para o trabalho.

DURAS HISTÓRIAS
Os atores Rodrigo Lombardi, Aílton Graça e Tony Tornado foram ao evento de lançamento da série “Carcereiros”, da Globo. O cineasta Fernando Grostein também esteve presente.

ÁGUA FRESCA
O Ministério Público de SP enviou um novo ofício à prefeitura cobrando medidas para “coibir o funcionamento irregular” da banca de água de coco que funciona há mais de 20 anos na praça Esther Mesquita, em Higienópolis. Em março, moradores do bairro se mobilizaram pela permanência do comércio.

CONCURSO
A Prefeitura Regional da Sé diz que pediu à proprietária que deixe o local e lançará um chamamento para interessados em assumir o ponto. A atual dona poderá retornar se vencer a concorrência.

PRANCHETA
O arquiteto Paulo Mendes da Rocha, que desenhou o edifício do MuBE, assinará também o projeto do stand do museu de escultura na SP-Arte deste ano.

CARROÇA
A Justiça determinou a devolução de objetos e documentos apreendidos pela pela Guarda Civil Metropolitana de um morador de rua. A ação foi proposta pela Defensoria Pública de SP. Ele teve seus pertences apreendidos em novembro de 2017, inclusive o carrinho que usa para recolher material reciclável.

DOIS LADOS
O ator Rodrigo Lombardi achou “precipitado” o pedido de prisão de Lula. “Não votei nele e não acho justo”, afirmou, durante evento de lançamento da série “Carcereiros” . “O cidadão tem o direito de ir até o final do seu julgamento”, disse.

Aílton Graça disse que Lula sofre perseguição. “É um preso político, assim como Gandhi e Mandela”, afirmou.

CURTO-CIRCUITO
O Debate Abrig ocorre nesta segunda (9). A partir das 18h30, na Livraria Cultura do shopping Iguatemi.

 

O ESTADO DE S. PAULO

Coluna Estadão
Andreza Matais

Joaquim Barbosa ganha passaporte diplomático
Fora do Supremo desde 2014, o ex-ministro Joaquim Barbosa ganhou passaporte diplomático do Itamaraty. A legislação não prevê o benefício a ex-ministros da Corte. O ministério diz que ele foi enquadrado no Decreto 5.978/2006, que permite conceder o documento a “pessoas de interesse do País”. Barbosa acaba de ingressar no PSB e pode disputar o Planalto. Além dele, o ex-ministros do STF Sepúlveda Pertence, Eros Grau e Ellen Gracie também têm o passaporte. Em comum, todos atuam como advogados. Sepúlveda tem como cliente o ex-presidente Lula.

Tudo de bom.
Entre as vantagens desse tipo de passaporte está o acesso diferenciado em aeroportos, dispensa de visto em alguns países, e o fato de ter custo zero. A autorização para Barbosa foi publicada no último dia 3 no Diário Oficial da União.

Com a palavra.
A assessoria de Joaquim Barbosa disse que ele não irá comentar. Procurado na sexta, o Supremo afirmou que não tinha informação a respeito. Segundo o Itamaraty, o pedido partiu da Corte.

Atento.
O juiz Sérgio Moro acompanhou a operação da PF para prender o ex-presidente Lula. Ele pediu informações ao órgão e uma solução para o impasse, já que o prazo para o petista se entregar era sexta, às 17h. Lula se rendeu apenas no sábado, às 18h40.

Você por aqui?
A porta da sala em que Lula está preso não será trancada com chave. Se ele tentar sair, encontrará dois agentes do lado de fora. A medida é por segurança, caso seja necessário entrar no local rapidamente.

Haja assunto.
Como está isolado, os dois agentes serão os únicos a conversar com Lula no dia a dia.

O cara.
Escolhido pelo presidente Temer para o Ministério das Minas e Energia, como revelou o blog da Coluna ontem, Moreira Franco demonstrou sua força no governo. O setor defendia Paulo Pedrosa.

Super…
Moreira também continuará dando a última palavra na distribuição da verba de publicidade, apesar de a atribuição passar para as mãos de Márcio de Freitas e Elsinho Mouco, que continua como diretor de inovação digital.

Pa-ra-di-nha.
Apresentada há dez meses, a denúncia de que Aécio teria recebido R$ 2 milhões da JBS ainda não tem data para ser julgada. Todas as manifestações já foram apresentadas, mas falta o relator, ministro Marco Aurélio Mello, liberar para julgamento.

Temido.
O caso será julgado pela 1.ª Turma, conhecida como “câmara de gás”, por sua rigidez. Além de Marco Aurélio, conta com Alexandre de Moraes, Rosa Weber, Luís Roberto Barroso e Luiz Fux.

Outro lado.
O senador diz que o dinheiro é referente a compra de um imóvel e que não envolveu dinheiro público e tampouco contrapartida, não havendo qualquer ilegalidade.

CLICK.
A conta oficial da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo no Twitter postou uma mensagem contra a prisão de Lula. O texto foi apagado em seguida.

Com a palavra.
“Nosso Twitter foi hackeado ou maldosamente usado por alguém da gestão passada que tinha a senha”, justificou a secretaria, referindo-se ao governo do petista Fernando Haddad.

Bola de cristal.
O senador Renan Calheiros (MDB-AL) tem apostado num segundo turno entre os presidenciáveis Lula (ou quem ele apoiar) e Jair Bolsonaro (PSL). Acha que os candidatos de centro patinam porque só roubam votos deles mesmos.

PRONTO, FALEI!
“A refundação da legenda e a nossa oposição durante os governos do PT foram o segredo do sucesso”, DO LÍDER DO DEM NA CÂMARA, RODRIGO GARCIA, sobre o crescimento do DEM durante a janela partidária.

Eliane Catanhêde

Condenação de Lula é pelo triplex, mas longe de ser só pelo apartamento
Na missa para Marisa Letícia, que virou comício para Lula, o ex-presidente usou de toda a emoção e de todo vigor retórico para clamar que seu grande crime foi dar comida, escola e universidade para pobre. Porém, assim como o impeachment de Dilma Rousseff foi pelas pedaladas, mas não só por elas, a prisão de Lula foi pelo triplex no Guarujá, mas não só por ele. Tanto as pedaladas como o triplex estão inseridos num contexto muito mais amplo, são peças de um todo.
O que as investigações desvendaram, e as fotos no triplex confirmam, é a íntima relação de Lula não apenas com uma empreiteira, a OAS de Léo Pinheiro, mas com as grandes empreiteiras, conhecidas compradoras de políticos. No topo, a Odebrecht.
Os depoimentos de Emílio e Marcelo Odebrecht sobre as contas secretas mantidas para o ex-presidente e geridas por Antonio Palocci, antes e depois da Fazenda, são uma aula de como Lula foi afundando nos braços pródigos, mas gulosos, das empreiteiras.
E foi nessa simbiose entre Lula e elas que o Brasil virou um exportador de corrupção para América Latina, Caribe, África e Europa. Começou na Venezuela de Hugo Chávez e se expandiu para Peru, Colômbia, Equador, Angola… com régios financiamentos do nosso BNDES e uma cereja do bolo: os marqueteiros de Lula incluídos no pacote.
Para Fernando Gabeira, há uma estratégia nas investidas do triângulo Lula-Odebrecht-BNDES em tantos países: a mistificação de Lula, sua transformação em líder mundial de massas. Mas o revertério pega de jeito não só ele, mas também os aliados que entraram no esquema internacional. Ou seria pura coincidência que Lula esteja às voltas com a Justiça ao mesmo tempo que outros ex-presidentes, como o do Peru.
Lula desceu a rampa do Planalto com 80% de popularidade e ficou ainda mais à vontade nas suas relações com as empreiteiras, mantendo o controle do BNDES com Dilma na Presidência e viajando pelo mundo nos aviões da Odebrecht.
Por trás da desgraça da nossa Petrobrás estão as grandes empreiteiras e seus controladores agora presos. E, por trás dos processos contra Lula, estão as mesmas empreiteiras e seus controladores: o do triplex, o do sítio de Atibaia, o do Instituto Lula… logo, há profunda conexão entre Lula e elas, uma clara relação de causa e efeito, um jogo em que todos ganhavam. E, como ganhavam, agora perdem juntos. Ou vão para a cadeia juntos.
No seu discurso de ontem, Lula se colocou como um novo “pai dos pobres”, a eterna “vítima das elites”, mas, se os ganhos sociais são inegáveis, quem mais lucrou na sua era foram o sistema financeiro e as empreiteiras, enquanto estatais, bancos públicos e fundos de pensão eram devorados. E ele atiçou a militância contra Moro e a mídia, jogando álcool na fogueira e isolando ainda mais o PT e as esquerdas. A baixa adesão à manifestação pró-Lula num dia histórico, e no berço do PT, já diz tudo.
Quanto a Dilma: ela efetivamente cometeu crime de responsabilidade com as pedaladas, além de governar com a velha e perigosa avaliação de que “um pouco de inflação não faz mal a ninguém” e gastar desbragadamente é “bom para povo” (que, obviamente, é quem depois paga a conta com juros e lágrimas). E vivia de canetadas: na quebra de contratos no setor elétrico, na exploração do pré-sal, na queda artificial dos juros.
Enfim, Dilma caiu porque o Brasil não aguentaria mais dois anos de Dilma, assim com Lula foi preso por ambição, cobiça e uma promiscuidade com empreiteiras (para ficar só nelas) incompatível com a Presidência da República e com a sua emocionante biografia e seu vibrante carisma.
Foi, além de tudo, uma traição à origem do PT, que nasceu para lutar por um País mais justo e mais ético – não para Lula chegar ao pódio e dali mergulhar alegremente nos tentáculos da Odebrecht e da OAS e nadar de braçada nas piores práticas do velho Brasil.

Direto da Fonte
Sônia Racy

Bruno Covas troca secretário da Justiça de Doria
O advogado Anderson Pomini está deixando a Secretaria de Justiça da Prefeitura de São Paulo. Será substituído por Rubens Rizek. A mudança – o primeiro ato político de Bruno Covas como prefeito – será anunciada ainda essa semana.
Rizek é graduado em Administração de Empresas pela FGV e em Direito pela USP. Foi secretário-adjunto da Secretaria do Meio Ambiente do Estado quando Bruno Covas era o titular da pasta.

Sondagem anima PSB a apostar em Joaquim Barbosa
Levantamentos preliminares do PSB – obtidos pela coluna – trazem bom motivo para o partido aceitar Joaquim Barbosa como seu candidato à Presidência.
Ele aparece em segundo lugar em diversos cenários sem Lula e, no segundo turno, ganha tanto de Bolsonaro quando de qualquer nome indicado pelo ex-presidente.
Outra razão: metade do eleitorado tem imagem positiva do ex-ministro.

Vera Magalhães

Que as instituições falem
Condenado com prisão decretada que descumpre decisão judicial por 26 horas. Ministro do Supremo que diz que os colegas não têm pedigree. Senadores da República que incitam militantes a reagirem à polícia. A semana terminou em clima de histeria e de perigoso flerte do Brasil com a desinstitucionalização. E não, isso não foi obra do juiz Sérgio Moro, como tentaram fazer crer os personagens envolvidos nas quizilas acima.
A ordem de prisão de Lula foi decretada por Moro em seguida a um ofício do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região. Que, por sua vez, se manifestou após decisão por 6 votos a 5 do Supremo Tribunal Federal negando habeas corpus a Lula. Essa decisão veio depois de outras, em caráter unânime, do Superior Tribunal de Justiça e do mesmo TRF-4. Que, por sua vez, confirmou e ampliou sentença de Moro.
De baixo para cima e de cima de novo para baixo, toda a correia de transmissão do Poder Judiciário brasileiro foi acionada mais de uma vez nesse processo. Todos esses gatilhos foram puxados pela defesa de Lula, que por sua vez é exercida por pelo menos três escritórios de advocacia estrelados.
Não há prisão arbitrária por parte de Moro, e a tentativa de transformar o juiz em um vilão, encabeçada por Lula e endossada não só pelos líderes de torcida de Lula no Parlamento, mas, lamentavelmente, por Gilmar Mendes, um representante da mais alta Corte do País, faz parte da narrativa petista de vitimização de um condenado por crimes comuns do colarinho branco. A saber: corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Esses crimes foram apurados por policiais federais, a partir de perícias, depoimentos, colaborações judiciais, buscas e apreensões. Foram ouvidas inúmeras testemunhas. O Ministério Público ofereceu denúncia. A defesa só não recorreu ao Papa, pois até a ONU foi acionada, no melhor estilo Odorico Paraguaçu de teatro mambembe.

Como se falar em supressão de direitos diante deste quadro?
Nesse ínterim, Lula depôs, viajou o País, deu entrevistas, visitou acampamentos do MST, subiu em caminhões de som. Falou pelos cotovelos. Deu entrevistas a tantos veículos quanto aceitou, dentro do seu rol de imprensa não golpista. Preso político? Onde? Em que mundo vive quem repete tal estultice? E o faz sem enrubescer.
Chega de pantomima bufa. Cabe a Lula aceitar a determinação da Justiça e cumpri-la, como todo e qualquer cidadão brasileiro a quem são imputados crimes. O STF entendeu na última semana que vale para ele a jurisprudência vigente, segundo a qual a execução provisória da pena deve se dar a partir da condenação em segunda instância. Como, aliás, acontece na maior parte do mundo democrático e civilizado, onde a impunidade não é um direito adquirido dos poderosos.
Enquanto engana um público cada vez mais reduzido com o figurino da vítima, Lula age, ainda agora, como chefe de um bando. Seus seguidores insuflaram a violência, ele zombou da Justiça, promoveu um showmissa em “memória” da mulher, Marisa Letícia, se escondeu atrás de um biombo humano de políticos e militantes para não cumprir a ordem de se apresentar à Polícia Federal e mostrou, uma vez mais, que quer para si uma lei própria, uma Justiça personalíssima e vassalagem de um povo ao qual prometeu igualdade de oportunidades e entregou Dilma Rousseff, a maior recessão da história e uma roubalheira generalizada incrustada em todo o aparelho estatal, em conluio com empresários amigos em troca de propina.
Trocar a nudez das revelações da Lava Jato, consignadas em horas e horas de vídeos de depoimentos com confissões dos participantes do banquete com dinheiro público, pelo cordel barato do líder popular perseguido pelo juiz implacável é legitimar uma farsa. Que as instituições falem mais alto.

 

O GLOBO

Poder em Jogo
Lydia Medeiros

Frentes ligadas ao PT organizam protestos em embaixadas
As frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo passaram a madrugada deste domingo (8/4) formulando ações contra a prisão de Lula, entre elas um acampamento em Brasília, a pichação da expressão “Lula Livre” em muros de todo o país e protestos nas embaixadas do Brasil pelo mundo. As diretrizes dos grupos, que reúnem entidades como CUT, UNE, MST, MTST e integrantes de partidos políticos de esquerda, estão reunidas em documento, que traz um calendário de atos a favor da liberdade do ex-presidente.
Uma das ideias é transformar o Dia do Trabalho, comemorado em 1º de maio, em uma grande manifestação pró-Lula. Na quarta-feira, os grupos pretendem mobilizar moradores brasileiros no exterior para protestos na porta de embaixadas do país. Faz parte da estratégia dos apoiadores do ex-presidente de aumentar a visibilidade da prisão do petista fora do país.
Os grupos querem, ainda, montar um “acampamento permanente” próximo à Praça dos Três Poderes, em Brasília, onde fica o Supremo Tribunal Federal, “até conquistar a sua liberdade”. Outra proposta é organizar “Comitês pela Liberdade de Lula” em universidades e sedes de movimentos populares.

“Querido companheiro…”
O PT usa seus grupos de WhatsApp para distribuir aos seus militantes o endereço e CEP da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, onde Lula está preso. A ideia é encher a caixa de correio do local com cartas para o ex-presidente. A orientação faz parte da estratégia do comando do partido de mostrar “grande apoiamento” ao petista e reunir material para a campanha eleitoral da legenda.

Lauro Jardim

Delação a caminho
Marcos Vinicius Lips, ex-subsecretário da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro, preso na operação Pão nosso, está negociando uma delação com o MPF.

Armistício entre os Odebrecht é frágil
O armistício entre pai (Emilio Odebrecht) e filho (Marcelo) que se tornou público na semana passada por meio de um comunicado conjunto é ainda muito frágil.
Quem conhece a alma do grupo Odebrecht garante que o objetivo foi apenas não entornar de vez o caldo da empreiteira que, no momento, tem uma negociação de vida ou morte de suas dívidas com os bancos.

Petrobras e Braskem em negociação
Engrenaram as negociações entre Petrobras e Braskem em relação a um novo contrato de fornecimento de nafta. O acordo atual termina em 2020, mas sua prorrogação é necessária agora que a Petrobras e a Odebrecht discutem a venda de de suas ações no mercado.

Governadores do Nordeste vão visitar Lula na terça
Camilo Santana está organizando uma comitiva com todos os governadores do Nordeste para visitar Lula na terça-feira em Curitiba.
Até o momento, só um não confirmou.

Galloro acompanhou tratativas da prisão de Lula do exterior
A decisão de Sérgio Moro foi tão repentina que pegou até o Rogério Galloro de surpresa.
O diretor-geral da PF passou a sexta-feira em Buenos Aires, em um encontro da Interpol para chefes de polícia da América do Sul.
Mobilizou os demais diretores e acompanhou as negociações, conduzidas pelo delegado Mauricio Valeixo, por telefone.

Nas mãos do PMDB
O Palácio do Planalto, mais precisamente o ministro Carlos Marun, bateu o martelo na sexta-feira: Marco Stamm, diretor financeiro de Itaipu assumirá a direção geral da estatal. Foi indicado pelo peemedebista paranaense Sergio de Souza.
Stamm disputava o cargo com o diretor jurídico de Itaipu Cezar Zilliotto, ligado ao ministro Gilmar Mendes. Zillioto agora tentará ser desembargador do TRF-4.

Conselho dos Correios pede que Postalis não desista de ação nos EUA
O Conselho de Administração dos Correios e representantes dos funcionários reuniram-se na semana passada com o interventor do Postalis, Walter Parente, para pedir que ele não desista da ação contra o BNY Mellon nos Estados Unidos.
Um escritório de advocacia já havia sido contatado no país, mas o interventor se recusou a pagar os US$ 500 mil cobrados pelos advogados americanos para entrarem com a ação. Por isso, a ação não existe até hoje.
No Brasil, o Postalis pede ressarcimento de R$ 8,2 bilhões, mas o capital social do banco aqui não chega a R$ 300 milhões.
O presidente dos Correios, Guilherme Campos, oficiou Parente por escrito pedindo um prazo para a apresentação do processo na Justiça americana. Há o temor de que o prazo para a punição do BNY Mellon prescreva.

Abilio, Petros e Previ
Abilio Diniz está tentando abrir uma fenda da parceria entre Previ e Petros na briga pelo comando da BRF. Seus últimos movimentos sugerem que quer atrair a Previ, isolando a Petros.
Até agora, não conseguiu. Petros e Previ seguem unidas. Diz um dirigente da Previ sobre o assunto:
— Sempre estiveram e continuarão.
Os dois fundos se reúnem hoje para definir uma estratégia comum para responder ao lançamento na sexta-feira de uma chapa alternativa, bolada por Abilio, para o conselho de administração.

Planalto articula com senador órgão para proteção de dados na internet
A Casa Civil está trabalhando junto com o senador Ricardo Ferraço no relatório do projeto de lei sobre proteção uso, tratamento e armazenamento de dados pessoais na internet no Brasil.
O escândalo envolvendo o Facebook e a Cambridge Analytica, que quer atuar nas eleições brasileiras, aceleraram os trabalhos. Mas há outro interesse para o Planalto: esse marco regulatório é uma das exigências para a entrada do Brasil na OCDE.
No dia 17, o Senado fará uma sessão temática no plenário sobre o assunto. A ideia é apresentar o relatório para ser votado na Comissão de Assuntos Econômicos logo em seguida. Uma das propostas já acertadas com a Casa Civil será a criação de uma autoridade nacional de proteção de dados para dar unidade às ações.

Filme sobre Edir Macedo tem queda de 44% de público
“Nada a perder”, a cinebiografia de Edir Macedo, teve queda de 44% de público e 47% de arrecadação, no segundo final de semana em exibição, em comparação com o de estreia.
Sucesso de vendas, mas não de público, já que salas ficaram vazias apesar de ingressos terem sido vendidos, o filme foi o mais assistido do final de semana.
Mais de 4 milhões de pessoas viram o filme, que arrecou até o momento, R$ 51,2 milhões.
A estreia de ” Um lugar silencioso” levou 335 mil pessoas aos cinemas. A arrecadação foi de R$ 5,7 milhões.

Bolsonaro sonha com coligação com PR
Passado o período da janela partidária, Jair Bolsonaro começa a se preocupar com as coligações em torno de sua candidatura.
Com apenas um deputado eleito em 2014, o PSL sozinho não teria nem 10 segundos de tempo de televisão.
O desejo de Bolsonaro é coligar-se com o PR, que acrescentaria quase um minuto e meio. Acontece que Magno Malta, um entusiasta do militar que poderia ser seu vice, prefere disputar a reeleição para o Senado. No próximos dias, Bolsonaro intensificará as conversas na tentativa de consquistar outro nome no partido.

PT conta com pressão de fora
A cúpula petista conta com o que os dirigentes chamam de “pressão internacional” para tirar Lula da prisão.

Defesa de Lula desfalcada
Em sua primeira semana na prisão, Lula ficará com sua defesa desfalcada, temporariamente.
O advogado Roberto Teixeira terá de acompanhar o caso à distância em função de uma cirurgia que fará no ombro.

Com Aloysio fora, Trípoli quer candidatar-se ao Senado
Em política, não existe espaço vazio. Com a decisão de Aloysio Nunes em permanecer no Ministério de Relações Exteriores, Ricardo Trípoli, que liderou a bancada tucana em 2017, quer disputar a vaga ao Senado.
Vai entregar hoje no diretório do PSDB em São Paulo um documento assinado por 500 delegados do partido em apoio à sua pré-candidatura.

A vice de Dória
Está 100% definido: Alda Marco Antonio, será a candidata a vice de João Doria.
No evento que marcou o apoio oficial do PSD à candidatura do tucano ao governo de São Paulo, nem Gilberto Kassab nem Doria cravaram o nome de ninguém.
Mas o martelo está batido. Alda, vice de Kassab na prefeitura de São Paulo, será a companheira de chapa de Doria.

Presença de Temer no BNDES deixa freis presos em convento
A posse Dyogo Oliveira na presidência do BNDES, hoje de manhã, tirou a paciência de freis franciscanos que vivem no Convento Santo Antônio, ao lado da sede do banco, no Centro do Rio de Janeiro.
Por causa da presença de Michel Temer, seguranças fecharam o acesso ao convento. O que perturbou os franciscanos foi o fato de ninguém os ter avisado. Só tomaram conhecimento da situação quando um frei foi proibido de sair para comprar pão e foi informado de que ninguém passaria pelo portão.
Após muitas conversas, as partes entraram em um acordo: uma pessoa autorizaria a entrada de quem queria se confessar ou assistir missa. Mas o acordo foi quebrado pelos seguranças do governo que fecharam o portão em definitivo e deixaram os freis presos dentro do convento até o fim do evento.

Governadores querem garantia de que entrarão na PF
Há um impasse no grupo de Whatsapp dos nove governadores do Nordeste sobre a visita a Lula amanhã, em Curitiba.
Alguns argumentam que não adianta eles se deslocarem para a cidade sem garantia de que conseguirão entrar na PF. O dia de visitação oficial é apenas na quarta-feira e seria necessária autorização judicial.
Há, no entanto, aqueles que defendem a ida de qualquer maneira para criar um fato político. O grupo tomará uma decisão nas próximas horas.

Merval Pereira

Liminar do PEN pode não ser votada
O ministro Marco Aurelio Mello pode apresentar uma questão de ordem na sessão plenária da próxima quarta-feira no STF baseada num pedido do PEN para que seja votada uma liminar que suspende todas prisões em segunda instância, até que o STF vote as ADCs contra a prisão em segunda instância. Num primeiro momento, o STF decide se deve votar a liminar. Pode ser que não seja aprovado, porque ministros que votaram a favor da prisão apenas após o trânsito em julgado acham que não é hora de mudar a jurisprudência de 2016 tão pouco tempo depois. A maioria do STF não parece favorável a uma nova votação sobre a prisão em segunda instância.

Esperteza radical
A esperteza, quando é muita, cresce e come o dono. Essa pode ser a definição do que aconteceu ontem em São Bernardo do Campo. O ex-presidente Lula quebrou todos os acordos feitos com a Polícia Federal desde as 17 horas de sexta-feira para se entregar, e montou uma encenação que só piorou sua situação, política e jurídica.
Os militantes do PT que impediram o ex-presidente Lula de sair do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em combinação com os líderes petistas – o mais provável – ou não, estavam agindo de acordo com a orientação do ex-presidente que, horas antes, incentivara os integrantes do MST a fazerem invasões; os membros do MTST de Boulos que continuassem a invadir imóveis e terrenos, e os militantes que continuassem a queimar pneus para interromper as estradas como demonstração de protesto contra sua prisão.
Ele exortou seus seguidores contra a Justiça, os promotores, contra a imprensa, chancelando uma posição radicalizada de atuação política que só poderia resultar nos tumultos acontecidos ontem, e no vandalismo que atingiu o edifício em Belo Horizonte da presidente do Supremo, ministra Carmem Lucia e em agressões a jornalistas.
Como se reage a uma confrontação dessas sem perder a credibilidade, e ao mesmo tempo, sem criar um ambiente de confrontação entre militantes e polícia? Esse foi o grande impasse que dominou a Polícia Federal e o próprio Juiz Sérgio Moro durante toda a parte da manhã.
O acordo era que ele se entregasse ao longo do dia, e muita gente considerou ingênua a decisão de Moro de dar a Lula a oportunidade de se entregar, em vez de dar a ordem de prisão sem anúncio prévio. O que levou a essa decisão foi a lembrança de quando se fez a condução coercitiva dele para depor, quando a crítica foi pesada, mas as autoridades sentiram que o espaço concedido ao ex-presidente Lula, em respeito ao cargo de presidente da República que ocupou duas vezes, e também para evitar confusão, provocou críticas da mesma maneira e também o risco de uma desmoralização da Justiça.
O risco de haver um conflito que provocasse mortos e feridos foi o que mais pesou na decisão de ser condescendente com o ex-presidente. Por volta das 12 horas, quando Lula anunciou aos militantes de cima do carro de som que se entregaria à Polícia Federal, houve um alívio entre as autoridades que negociavam com os advogados do ex-presidente.
Esse alívio passou a angústia quando ficou desenhado que as manobras dos assessores do ex-presidente Lula protelavam a saída do Sindicato dos Metalúrgicos. Tudo foi feito atrasado, a partir do ato ecumênico em homenagem ao aniversário de dona Mariza, até a decisão de Lula de almoçar e depois descansar no sindicato, para depois se apresentar.
O certo é que sua situação jurídica se complicou muito, e se não for punido agora mesmo, é quase certo que nas próximas condenações, se acontecerem, sua prisão preventiva pode ser decretada devido à resistência que ele já demonstrou ser capaz de mobilizar.
Isso na hipótese de que esteja solto, por obra de um novo habeas corpus, ou em prisão domiciliar, ou em conseqüência de eventual mudança da jurisprudência sobre a prisão em segunda instância. Mas vai ser proibido de fazer campanha. Depois de preso, acabou, define uma autoridade envolvida na operação de prisão do ex-presidente.
Lula teve um final de atuação política patético, retornando a uma militância radical que fez com que perdesse diversas eleições presidenciais, até que ampliasse seu eleitorado com a inclusão da classe média. Da maneira como se comportou nesse episódio, transformou-se em um líder de um partido radical como alguns outros que existem por aí, sem maior expressão. Esse é o risco que o PT corre na eleição de 2018. Ontem havia 30 mil pessoas no treino do Palmeiras. Quantos militantes havia no Sindicato?

Lula tenta mostrar força que não tem
A estratégia do PT era fazer o simulacro de resistência para contemplar a militância, mas a partir de certo momento, ela vai por água abaixo; não há como permanecer por muito tempo. Na verdade, Lula está numa prisão domiciliar: trancado há dois dias no sindicato, está sendo monitorado pela polícia, que não invadiu, mas tem o controle da situação. Ele não conseguiu nem sair para fazer o discurso programado, porque assim ficou acertado na negociação. Na verdade, Lula aparenta insurgência e uma força que é muito menor do que imagina.

Miriam Leitão

O dia mais longo
O ex-presidente Lula fez um último e desesperado gesto para demonstrar força. Deixou passar o prazo e cercou-se de militantes, enquanto nos bastidores negociava com a PF. Cada minuto corria contra os dois lados. Para a Justiça, porque estava sendo desrespeitada, e para ele, porque enfrentou riscos de piorar sua situação. Mas duas coisas estão certas sobre Lula: ficou inelegível e vai para a prisão.
O juiz Sergio Moro decidiu aguardar a negociação, mas nas suas mãos estava a possibilidade de decretar a prisão preventiva por descumprimento de ordem judicial. O primeiro efeito disso seria Lula não ser mais alcançável por benefício, nem por uma hipotética mudança de entendimento do Supremo sobre execução da pena. Outro seria perder o que havia conseguido, como a cela especial. Moro preferiu esperar uma saída negociada pela PF. Tecnicamente, Lula evitou o pior, porque seus advogados procuraram a Polícia Federal antes do prazo final e assim conseguiu-se evitar a caracterização de foragido. Contudo, um ministro do STF me disse que Moro tem que tomar “decisões drásticas” para não desmoralizar a Justiça, caso o ex-presidente continue desrespeitando a ordem. Ao mesmo tempo, a Polícia Federal, que desde a manhã fizera o seu planejamento estratégico para a prisão, sabia que ir ao Sindicato dos Metalúrgicos seria cair numa armadilha e colocar terceiros em risco, por isso preferia negociar.
Lula está em situação pior do que parece. Essa é apenas a primeira das ações que responde. No fim de maio, começo de junho, o ex-presidente pode enfrentar nova condenação, desta vez no processo sobre a suposta propina da Odebrecht para a compra da sede do Instituto Lula e o uso do apartamento ao lado do dele, em São Bernardo. Serão ouvidos novamente, no dia 11, o empresário Marcelo Odebrecht e o executivo da empreiteira, Paulo Mello. Após a audiência, será aberto o prazo para as alegações finais. A sentença poderá sair em dois meses e ser dada até o fim de maio ou começo de junho, segundo fontes judiciais que acompanham o processo. Essa nova sentença não é a única que ronda o ex-presidente. Outros processos estão em andamento na Justiça de Brasília e no Paraná. A ação penal, na 13ª Vara, sobre o sítio de Atibaia, está em etapa muito inicial e as testemunhas da defesa ainda nem foram ouvidas.
O ex-presidente fez dessa longa espera de ontem o que ele sempre soube e gosta de fazer, transformar tudo em mobilização e comício. O simbolismo de esperar no Sindicato dos Metalúrgicos de onde saiu para a sua vida política, os apoiadores na rua, e os discursos que se sucediam são parte da natureza política do ex-presidente. Nada disso, no entanto, o salva da prisão.
O que levou o ex-presidente Lula à situação vivida ontem foi a soma de suas próprias escolhas. Suas relações com as empreiteiras, ao serem investigadas, geraram várias ações penais. Ao ser processado, ele optou por uma defesa inepta que confrontava o juiz Sergio Moro, como se ele fosse o inimigo. Isso foi desmontado quando a sentença de Moro foi confirmada no TRF-4. E, em seguida, a defesa não conseguiu reverte-la nos tribunais superiores.
Depois da fanfarra de ontem, virá a realidade: começará o amargo período do cárcere, que independentemente de ser em cela especial ou não, impõe a quem o vive a sensação de isolamento e de que o tempo não passa. Sua defesa busca todos os caminhos para tirá-lo dessa situação, mas eles estão cheios de obstáculos. Os advogados podem pedir habeas corpus ao STJ e ao STF. Cada corte já recebeu dois. O ministro Marco Aurélio recebeu um e o encaminhou à ministra Cármen Lúcia. Mas avisou que tentará apresentar, na quarta-feira, no plenário a liminar de ação declaratória de constitucionalidade. Isso se conseguir tempo, porque a pauta já tem dois habeas corpus. O de Antonio Palocci tem precedência porque é réu preso. O outro, não tem tanta urgência, porque é o de Paulo Maluf que já está em casa.
O país tem vivido dias de grande estresse da sua vida institucional. Por trás desse momento de tensão, é sempre bom lembrar, está um avanço da sociedade brasileira no combate ao difícil e persistente problema da corrupção.

Desfecho sem confronto trouxe alívio a autoridades
Quando o ex-presidente Lula saiu do Sindicato dos Metalúrgicos para entrar no carro da Polícia Federal, houve uma sensação de alívio entre autoridades. O que pairava sobre eles era o temor de acontecer algo como a tragédia que ficou conhecida como o Cerco de Waco, no Texas em 1993.
O cumprimento de um mandado de busca e apreensão na sede uma entidade religiosa terminou em um longo cerco de 51 dias, um incêndio e mais de 70 mortos.
O temor era que, mesmo contra a vontade dos líderes petistas, a situação fugisse ao controle. Uma autoridade comentou que tudo terminou bem, apesar da longa espera que desgastou a Justiça, porque foi evitado o pior. Ninguém se feriu e a ordem foi, afinal, cumprida.

À moda Lula
A multidão gritava “não se entregue”, e o ex-presidente Lula diria logo depois que se
entregaria. Mas apresentou o ato como se fosse um desafio. “Eu vou enfrentá-los olho no olho.” No discurso, ele radicalizou o tom, costurou a união da esquerda, garantiu inocência, e produziu uma coleção de frases que podem ser usadas na campanha. Lula fez parecer vitória a sua maior derrota.
Nos últimos dias, usou seu velho método de dar a impressão de que endurece, enquanto negocia; de que vence, quando está cedendo. Essa estratégia foi usada em todas as greves que comandou. Ontem, ele voltou ao discurso radical que abandonou ao governar para parecer com o Lula inicial.
O chão do Sindicato dos Metalúrgicos começou a tremer. Era o começo dos anos 1980 e os trabalhadores vibravam pela chegada de Lula. Ele já iniciara a ida para
a política, mas estava ali, local do seu pertencimento, para dar apoio a uma greve liderada por Jair Meneguelli. Eu cobria o evento e tive noção, na força da sua chegada, de que aquele líder iria até onde quisesse.
Era fácil prever que ele poderia chegar ao Planalto. Difícil imaginá-lo no caminho para uma cela de Curitiba. Ele explorou politicamente cada minuto da exposição que teve. O tempo dado pelo juiz Sérgio Moro, como sinal de respeito ao cargo que ocupou, foi usado para criar um intenso ato político. Ao se entrincheirar, quis montar uma armadilha para os que o prenderiam. Se a Polícia Federal tivesse sido mais dura, geraria cenas fortes. Tudo serviria ao propósito de outro papel que ele sempre
soube fazer: o de vítima.
O que há de fato contra Lula? Essa é a pergunta dos fiéis que o seguem e acreditam na inocência dele contra todas as evidências. As provas são contundentes. No seu governo foi montado um esquema de tirar dinheiro de estatais para as campanhas políticas e isso foi flagrado no Mensalão. A Ação Penal 470, julgada no Supremo Tribunal Federal, teve relatoria de um ministro que havia sido nomeado por ele. Ficaram evidentes as conexões entre marqueteiros, dirigentes do PT, partidos da base, banqueiros e fornecedores públicos. Foram expostos os métodos de entrega de dinheiro em quartos de hotel, em malas, em depósitos camuflados. Houve até o bizarro carregamento em cuecas. Muito se soube, mas ele deu respostas mutantes. Não sabia. Fora traído. Era uma armação das elites. Depois disso, veio o escândalo maior no qual ele está enredado, o que tem sido investigado pela Lava-Jato.
A mística de que ele é homem do povo em luta contra as elites engana os crentes, serve à propaganda e fere todos os fatos. Tudo o afasta desse papel, do preço do vinho com que comemorou a eleição, aos subsídios gordos entregues pelo seu governo aos grandes empresários. Alguns deles, como os Batista, os Odebrecht, tiveram um dinheiro imenso nos governos petistas e retribuíram, gratos, com as contribuições milionárias para as campanhas. Ao lado de tudo isso, Lula foi aceitando
vantagens pessoais. Os casos estão distribuídos em várias ações, cada uma sendo julgada a um tempo, mas são um todo. O apartamento do Guarujá seria dado reformado, o sítio de Atibaia foi por muito tempo ponto de encontro da família, o apartamento ao lado do que mora em São Bernardo, a sede que seria comprada para
o Instituto Lula. Foram muitos os casos, são várias as ações. Lula sempre deixou imprecisos os limites entre o público e o privado e nessa fronteira difusa ocorreram
os eventos pelos quais ele responde.
Neste sábado ele mostrou o máximo da sua força, na mobilização de apoiadores em delírio, no discurso incandescente, no bloqueio humano muito conveniente impedindo a sua saída do sindicato. Parecia estar no auge, mas estava na véspera de um tempo difícil.
Nas entranhas do país que a Lava-Jato exibe, há provas contra outros partidos e governantes. Todos eles terão que enfrentar o mesmo duro momento que Lula vive agora, ou então não haverá justiça nem futuro nessa luta. A prisão de Lula é a mais forte evidência de que o país está firme no propósito de enfrentar a corrupção. Mas é um momento triste. De todos os líderes do país, ele foi o único capaz de fazer o chão tremer pelo entusiasmo da sua presença. O aperfeiçoamento da democracia nos trouxe a essa travessia, um tempo em que tudo parece estar tremendo nas instituições brasileiras.

Moreira Franco nas Minas e Energia deixa a privatização da Eletrobras mais distante
O governo Temer fez várias mudanças na equipe econômica na semana passada. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, deixou o cargo para se candidatar, e entrou o segundo na pasta, Eduardo Guardia. Guardia é um economista eficiente que já passou por vários governos, mas vai enfrentar um momento difícil, de aumento de gastos pelo Congresso.
O ministro Dyogo Oliveira, do Planejamento, vai assumir o BNDES. Entrevistei Oliveira na semana passada para o meu programa na Globonews. Ele é um burocrata de carreira, concursado, e acha que é preciso haver conversa com os políticos. Explicou que cortou, nos últimos dias, mil carros na esplanada, e isso desagradou muita gente. No BNDES, quer que o banco trabalhe com juros normais, ou seja, sem subsídio, e que não tenha que competir com o setor privado. Quer voltar ao período de transformações na instituição, que se iniciou com a Maria Silvia, no início do governo Temer. Essa agenda se perdeu com Paulo Rabello de Castro, que tentou usar o BNDES como trampolim para sua candidatura à Presidência.
No Ministério de Minas e Energia, a mudança não foi boa. Todo mundo esperava que fosse efetivado o secretário Paulo Pedrosa, que é um técnico reconhecido na área, e o verdadeiro ministro da pasta. Mas Temer preferiu nomear Moreira Franco, que não é do setor, e agora a privatização da Eletrobras ficará mais distante. Franco vai levar um olhar político para a pasta, e isso vai dificultar a modernização do setor elétrico, que ainda tenta se recuperar da MP 579 do governo Dilma.

Mercado volta a cortar a projeção para o PIB deste ano
O mercado financeiro voltou a cortar as projeções para o PIB de 2018. A taxa caiu de 2,84%, na semana passada, para 2,80%, hoje. No início do ano, esperava-se que as estimativas se aproximassem da casa de 3%, mas isso está ficando mais difícil com a decepção de vários indicadores. Na última semana, os dados da indústria de fevereiro, por exemplo, vieram abaixo do esperado.
O Departamento de Estudos Econômicos do Bradesco estima que o comércio vá crescer 0,4% em fevereiro, e os serviços, 0,3%. O IBGE divulga os resultados no final desta semana. O banco já revisou para baixo a estimativa para o PIB do primeiro trimestre, para 0,3%.
No quarto mês do ano, a recuperação da economia ainda não deslanchou.

O tempo passa, e a recuperação da economia não empolga
Projeções para o PIB do 1º trimestre recuam com desempenho fraco da atividade
Projeções para o PIB do 1º trimestre recuam com desempenho fraco da atividade | Marco Alves
A exemplo do Bradesco, a Tendências Consultoria também vai rever para baixo a sua projeção para o PIB do primeiro trimestre, que hoje está em 0,9%. O Bradesco estimava 0,6% e reduziu o número para 0,3%.
Segundo o economista Thiago Xavier, da consultoria, os dados no mês contra mês continuam fracos, mostrando uma recuperação ainda oscilante. Na quinta-feira, o IBGE vai divulgar as vendas do varejo, a ele estima alta de apenas 0,1% no conceito ampliado, que mede as vendas de veículos e materiais de construção. Já na comparação contra o mesmo mês do ano anterior, o crescimento será expressivo, de 5,7%. Essa diferença entre as taxas mostra que a recuperação está em curso, mas, ao mesmo tempo, não empolga.
— A natureza desta crise é diferente. O governo está em crise fiscal, houve muito endividamento das famílias e das empresa e há uma incerteza eleitoral que dificulta a retomada dos investimentos. Por isso, os dados oscilam tanto — explicou Xavier.
Amanhã, o IBGE também divulgar o IPCA de março e a estimativa é de uma taxa baixa, de 0,16%, que deixaria o acumulado em 12 meses ainda abaixo do piso da meta de 3%. Com isso, o Banco Central vai cortar mais uma vez a Selic na reunião de maio.
— Pelo lado positivo, temos inflação baixa, juros baixo e alguns sinais de retomada no crédito. A agropecuária também surpreendeu no primeiro trimestre — afirmou.
A Tendências mantém a projeção de 2,8% de crescimento para o PIB deste ano.

Técnicos deixam o governo com a chegada de Moreira Franco na Energia
A chegada de Moreira Franco ao Ministério das Minas e Energia coincide com a saída de dois nomes de peso do setor energético no governo: Paulo Pedrosa, secretário-executivo da pasta, e Luiz Barroso, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).
Os sinais não poderiam ser piores. O temor no setor elétrico é de que o MDB, que sempre viu a área como um feudo político a ser explorado, vá aumentar a sua influência sobre a pasta e dificultar a privatização da Eletrobras.
A expectativa era que Pedrosa assumisse a pasta, mas isso não se confirmou. Moreira Franco precisava de um ministério para se manter com foro privilegiado, já que ele pode ser restrito pelo julgamento que está em curso no Supremo Tribunal Federal. A escolha de Temer foi política, em detrimento da economia.

Mercado financeiro começa a cair na real sobre a corrida eleitoral
O mercado financeiro parece que começou a cair na real sobre a disputa presidencial. Até a semana passada, a expectativa era pela prisão do ex-presidente Lula, com sua saída da corrida eleitoral. Era como se isso acabasse com a incerteza que é muito mais ampla e profunda. Agora que Lula já está em Curitiba, as atenção se voltam para os números das pesquisas eleitorais, e as notícias não são boas.
Os candidatos de preferência dos investidores financeiros não decolam, como ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles. Jair Bolsonaro é visto com desconfiança, mesmo tendo um economista respeitado ao seu lado, como Paulo Guedes. Há muitas dúvidas sobre que tipo de política econômica Ciro Gomes adotaria. O ex-ministro do STF Joaquim Barbosa, que se filiou ao PSB, também é uma incógnita.
O troca-troca partidário da semana passada aumentou o quadro de fragmentação no Congresso, com perda de cadeiras no PSDB, PMDB, e fortalecimento dos partidos médios. O PP, por exemplo, está com a mesma bancada dos tucanos. A Rede, de Marina Silva, passou a ter menos do que cinco representantes no Congresso e só participará de debates eleitorais caso seja convidada.
A nomeação do ministro Moreira Franco para o ministério de Minas e Energia levou à saída de técnicos importantes para a pasta e aumentou o risco de influência política sobre o setor.
As bolsas lá fora estão em em alta, o dólar cai no mundo, mas aqui no Brasil o Ibovespa recua quase 2%, e a moeda americana chegou a ser negociado acima de R$ 3,40.
Quem apostou em um descolamento entre a política e a economia em ano eleitoral pode ter que mudar rapidamente de posição.

 

BLOG DO CAMAROTTI
Gerson Camarotti

PT já discute espólio das intenções de votos de Lula
Pouco tempo depois da prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, integrantes da cúpula do PT já começaram a discutir o espólio das intenções de votos do principal líder do partido.
A avaliação é de que é preciso capitalizar politicamente o momento mais dramático do partido e evitar a pulverização dos votos de Lula para outras legendas da esquerda.
Já na noite deste domingo (8) integrantes do PT reconheciam que há um risco concreto de divisão de votos historicamente ligados à legenda.
Pelo menos três integrantes da cúpula do partido manifestaram preocupação com o fato de o ex-presidente Lula ter dado grande espaço, no discurso de sábado (7), aos pré-candidatos Guilherme Boulos (PSOL) e Manuela D’ávila (PC do B).
Um parlamentar petista chegou a demonstrar desconforto com o fato de o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, considerado o plano B do PT, ter ficado com espaço secundário durante o discurso.
Cresce um consenso no PT de que é preciso ter uma estratégia clara para evitar a dispersão do eleitorado de Lula que, historicamente, tem cerca de 30% dos votos do país.
“Se o PT não cuidar do espólio de Lula, haverá uma migração dos votos e o partido corre o risco de não ter um representante no segundo turno”, alertou um parlamentar do PT.
Além de Boulos e Manuela D’ávila, que se aproximaram de Lula nesses últimos meses antes da prisão, o PT também teme uma dispersão de votos para outros candidatos do campo da centro-esquerda, como Marina Silva (Rede) e Ciro Gomes (PDT).
Para o PT, o pior cenário é o de Marina Silva capitalizar votos petistas mais ligados à centro-esquerda.
O grande problema para o PT é conseguir superar o dilema de segurar o plano B até setembro já que, neste momento, fechou compromisso de manter solidariedade ao ex-presidente Lula e lançar sua candidatura em 15 de agosto, mesmo se ele continuar preso.
“Só estaremos liberados para trabalhar o nosso plano B se Lula fizer um gesto de liberar o partido. Enquanto isso não acontecer, vamos manter solidariedade a Lula”, observou outro parlamentar petista.
Apesar de o partido manter um discurso público de que vai reverter a prisão de Lula e lançar a candidatura dele, há um reconhecimento de que é uma candidatura inviável e que, em última instância, seria impugnada pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Ex-prefeito do Rio Eduardo Paes anuncia filiação ao DEM
Na véspera do fim do prazo para políticos se filiarem a novas legendas para as eleições gerais de outubro, o ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes confirmou a filiação ao DEM, informa o repórter Ricardo Abreu, da GloboNews.
Ele chegou a negociar filiação com PDT, PSDB e, mais recentemente, PP, mas se decidiu pelo DEM.
Segundo Paes, o principal motivo da filiação ao partido é o apoio à candidatura do presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), à Presidência da República.
Ao confirmar a filiação, Paes manteve a cautela de não se declarar candidato ao governo do estado do Rio de Janeiro, já que está inelegível por 8 anos, depois de ter sido condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2016, quando tentou eleger o deputado Pedro Paulo (MDB-RJ) como seu sucessor na Prefeitura do Rio.
Para conseguir disputar o governo, Paes terá de conseguir uma liminar (decisão provisória) na Justiça.
A filiação deve acontecer sem muito alarde. Uma cerimônia de filiação foi descartada pelo ex-prefeito.
Desde que saiu da prefeitura, Paes trabalha na iniciativa privada como vice-presidente para a América Latina da empresa BYD Motors, uma produtora de veículos elétricos, paineis solares, baterias e armazenamento de energia.

 

BLOG DO JOÃO BORGES

Pesquisa Focus indica necessidade de redução do juro
As projeções contidas na pesquisa Focus divulgada nesta segunda-feira (9) pelo Banco Central reforçam não apenas a expectativa de redução da taxa de juros pelo comitê de política monetária (Copom). Mais do que isso, indica a necessidade de pelo menos mais um corte na taxa Selic, hoje em 6,5%.
Confirmando tendência já verificada nas últimas semanas, as projeções dos agentes do mercado financeiro apontam para uma combinação de inflação mais baixa com atividade econômica menos dinâmica do que se esperava.
A expectativa de inflação para este ano caiu para 3,53%, quase um ponto percentual abaixo do centro da meta, que é de 4,5%. A projeção para o PIB caiu para 2,8%.
O desemprego está em 11,8% e cairá lentamente no ritmo de crescimento previsto para e economia.
Há capacidade ociosa na indústria, o que significa possibilidade de aumento da produção sem que isso gere pressão sobre os preços. Para completar, a espetacular safra agrícola garante estabilidade de preço dos alimentos.
Nesse cenário de inflação muito abaixo da meta, desemprego elevadíssimo e capacidade ociosa, é imperioso estimular a atividade econômica.
O único instrumento disponível no momento é reduzir a taxa de juros. Porque a opção por aumentar gastos públicos não existe, seria um desastre para um estado falido.
E os investimentos privados não vão reagir neste governo em contagem regressiva e sem poder para aprovar mais nada relevante no Congresso.

Secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia pede demissão
O secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Paulo Pedrosa, pediu exoneração do cargo. O pedido formal foi encaminhado na quinta-feira (5) ao presidente Michel Temer, por intermédio do ex-ministro Fernando Bezerra Coelho, que também deixou o cargo para concorrer a um mandato de deputado.
Paulo Pedrosa era o preferido de Fernando Bezerra para sucede-lo no Ministério. Com a decisão do Presidente Michel Temer de entregar o Ministério para o MDB, Paulo Pedrosa decidiu deixar o cargo.
O novo ministro deverá ser Moreira Franco, hoje na secretário-geral da Presidência da República. A segunda opção seria o deputado Saraiva Felipe (MDB-MG).
O presidente da Empresa de Planejamento e Energético (EPE) Luiz Barroso, também decidiu deixar o cargo.

Meirelles decide deixar o Ministério da Fazenda; Eduardo Guardia assumirá a pasta
O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, decidiu deixar o Ministério da Fazenda, abrindo assim a possibilidade de se candidatar à Presidência da República pelo MDB.
Ele afirmou que sai com a perspectiva de ser candidato à Presidência da República, e confirmou que não será candidato a vice.
Na conversa que teve na manhã desta sexta-feira (7) com o presidente Michel Temer, ele disse que não será candidato a vice-presidente.
Esta sexta é o último dia para ministros que quiserem disputar a eleição de outubro se descompatibilizarem do cargo.
A exoneração de Meirelles deve sair em edição extra do “Diário Oficial da União”.
Meirelles disse que considera cumprida a sua missão no Ministério da Fazenda e que o país saiu da recessão, com redução do desemprego. Segundo ele, a economia tem condições de retomar um “longo processo de crescimento”.
O substituto na pasta da Fazenda será o atual secretário-executivo, Eduardo Guardia.

 

CORREIO BRAZILIENSE

Nas entrelinhas
Luiz Carlos Azedo

Nas entrelinhas
Era claro que não funcionaria tal proximidade de manifestantes na entrada do prédio da PF na capital paranaense, mas até agora ninguém conseguiu explicar minimamente a ação desmedida da PF durante a noite de sábado

Arquibancadas curitibanas
No último sábado, as ruas laterais da sede do Departamento de Polícia Federal, em Curitiba, se transformaram em arquibancadas de times rivais separados por cordões de isolamento. De um lado, vermelhos. De outro, amarelos. E quem pegou as melhores cadeiras foram os correligionários do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mais por oportunidade do que por algum privilégio. Os simpatizantes do petista chegaram cedo, por volta das 9h. Ficaram em frente ao portão principal da corporação. Era claro que não iria funcionar tal proximidade da entrada do prédio, mas, até agora, ninguém conseguiu explicar minimamente a ação desmedida da PF durante a noite.
Às 22h20, no momento em que o helicóptero trazendo o ex-presidente taxiava para pousar no alto do prédio da Polícia Federal, começou uma confusão e pelo menos quatro bombas de gás lacrimogêneo foram lançadas para dispersar a multidão. Os efeitos foram imediatos e se prolongaram por horas, transformando os olhos em fogueiras. O grupo da rua lateral, aquele contrário a Lula, foi afastado mais para baixo e não sofreu os efeitos das bombas. Depois do gás, as tropas da Polícia Militar se posicionaram para desocupar a área. Com escudos e armas, forçaram os manifestantes a descerem a ladeira de acesso ao prédio da PF. E, assim, vieram as balas de borracha. Uma delas atingiu uma professora. Outros oito feridos foram levados para hospitais.

Camburões
Depois da ação da Polícia Federal, na manhã de domingo, camburões isolaram as ruas principais de acesso ao prédio da corporação. A Polícia Militar, amparada em decisão judicial, fechou três vias — em duas delas, foram separados os vermelhos, pró-Lula, e os verde-amarelos, dos contrários ao ex-presidente. Tal ordem deu início à confusão da noite anterior, pois, antes mesmo que os manifestantes fossem informados de que deveriam se retirar, as bombas começaram a explodir. Na correria, crianças entraram em desespero. Até o momento da ação policial, a tranquilidade imperava. Um culto religioso chegou a ser celebrado minutos antes.
A questão é que os policiais se prepararam mal para a chegada de Lula no prédio da Polícia Federal. O isolamento deveria ter sido feito logo no início da manhã, quando havia tempo suficiente para separar os grupos contra e pró-Lula. O número de manifestantes só começou a ficar significativo a partir do meio-dia. Pior, as bombas estouraram no momento em que o helicóptero de Lula pousava, o que gerou desconfianças sobre uma ação orquestrada. Ainda na noite de sábado, a Polícia Militar apontava para a Polícia Federal. Oficiais da PM deixavam claro que as bombas tinham sido jogadas de dentro para fora do prédio. A Polícia Federal não se pronunciou, nem no sábado nem no domingo.
Representantes da PM disseram, em relação ao grupo contrário ao ex-presidente, que foi proibido o uso de fogos de artifício por causa da segurança da aeronave. E que, do lado dos partidários do PT, rojões foram estourados, o que deu início à confusão, levando pessoas a forçarem os portões do prédio principal. O Correio fez imagens de toda a aproximação do helicóptero que trazia Lula. O registro mostra apenas sinalizadores que expeliam fumaça vermelha nos segundos que antecederam o pouso. O PT admite o uso de sinalizadores, mas não os rojões, e pediu oficialmente uma sindicância para apurar a ação da Polícia Federal.

Conselho
O Conselho da Justiça Federal promove na quinta-feira, dia 12, o workshop Inovações na Justiça: o direito sistêmico como meio de solução pacífica de conflitos. A atividade pretende debater como a análise do direito sob a ótica das constelações familiares, do filósofo alemão Bert Hellinger, pode contribuir para facilitar a resolução de demandas e reduzir a judicialização excessiva. A coordenação é do corregedor-geral do CJF, ministro Raúl Araújo. A coordenação científica está a cargo da juíza de Direito Sandra Silvestre e da assessora da vice-presidência do Superior Tribunal de Justiça Aline Mendes Mota. As inscrições estão abertas até terça, dia 10, no portal do CJF.

 

JORNAL DE BRASÍLIA

Esplanada
Leandro Mazzini

Peso da toga
Os ministros do Supremo Tribunal Federal estão sob alta pressão para votar a Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 43 que pede o acolhimento do que diz a Carta Magna: prisão de condenado somente esgotados os recursos até a última instância. Começa a pesar na toga a ‘jaboticaba’ plantada pelo STF com o clamor popular – e válido – contra o sentimento de impunidade, ao determinar a prisão imediata de condenados em 2ª instância. Em paralelo, surgiu no Congresso a PEC para cravar na Constituição a prisão após 2ª instância, endossada por vários partidos. Balela, por ora. Com a intervenção federal no Rio, ela não pode avançar na pauta.

Script jurídico
O script que se vislumbra nos gabinetes advocatícios, políticos e judiciais indica que Lula da Silva ficará pouco tempo preso. É questão de dias ou semanas a sua liberdade.

Roteiro pós-cela
Lula deixará a cela para os braços do povo, continuará a caravana, mas não disputará a eleição. Quer lançar Fernando Haddad (foto) com Manoela D’Ávila (PCdoB) na vice.

Mea culpa
Em resposta a grupo de whatsapp do Patriota, o presidente Adilson Barroso confirmou que apresentou a ADC 43 ainda pelo PEN, há anos, a pedido do bispo Manoel Ferreira da Assembleia de Deus – como a Coluna revelou. Diz que a culpa é de um advogado que não destituiu Kakay, que agora usa a ADC para tentar soltar Lula.

Nova posição
Barroso chega a Brasília hoje para tentar contornar a situação e garante que ele é a favor da prisão em 1ª instância. Pode haver reviravolta no caso. Não há como retirar a ADC de pauta no STF, mas Kakay pode ser substituído por advogado do Patriota, que pretende indicar que o partido mudou de posição e quer enterrar a ação.

Nova versão
O Patriota estuda destituir Kakay e nomear advogado Paulo Fernando Melo, presidente do diretório no DF. Se a ADC for pautada no STF, Melo vai alegar desistência da ação.

Pulou fora
Um dos motivos que fizeram Jair Bolsonaro evitar o Patriota foi essa ADC. Ele foi avisado por Melo de que a bomba estouraria no seu colo: seu partido ajudaria Lula.

E agora, TRE?
A Procuradoria Eleitoral do TRE de Minas pode pegar um pepino caso provocada. Dilma Rousseff ganhou direito político sob liminar do ministro Ricardo Lewandowskido STF, na sessão do Congresso que a cassou. A mudança de domicílio de Porto Alegre para Belo Horizonte pode ser questionada.

Carta ao povo
Os Correios vão fechar 700 agências próprias em todo o País. Segundo a assessoria, a estatal passa “por profunda transformação”, e emenda que a “nova proposta da empresa está voltada para uma readequação presencial nos municípios”.

Ensaio da reforma
O Senado vai criar um Conselho Permanente de Avaliação das Políticas Tributárias, vinculado à Comissão de Assuntos Econômicos. Terá representantes da Receita, dos Estados, municípios e setor produtivo.

Terra em transe
Atenção para uma ação de despejo que pode resultar em guerra sangrenta hoje em Caarapó (MS). A PM e a PF vão cumprir ação para retirar da Terra Indígena Dourados Amambaipegu as tribos guarani-kaiowá. Fazendeiros exigem a posse. A Funai recorreu no STF, e a ação dorme numa gaveta da ministra Cármen Lúcia desde 9 de março.

 

DIÁRIO DO PODER
Cláudio Humberto

DILMA É FICHA SUJA, POR ISSO NÃO SERÁ CANDIDATA
A ex-presidente Dilma ameaça disputar vaga no Senado por Minas Gerais, estado que abandonou há décadas, mas a Lei Ficha Limpa é clara: é inelegível o condenado por órgão colegiado por crime contra a administração. Foi o caso dela. Além disso, provocado, o Supremo Tribunal Federal deve anular o anedótico fatiamento que a cassou, mas não suspendeu seus direitos políticos por 8 anos, como prevê a Constituição, segundo garantiram ministros do STF a esta coluna.

CONTRA O ERÁRIO
Está no artigo 1º da Lei das Condições de Inelegibilidade, alterado pela Ficha Limpa: crimes contra a administração determinam inelegibilidade.

SEM SOMBRA DE DÚVIDA
“No caso concreto”, uma ação civil pública impediria o registro da candidatura de Dilma, explicou um dos mais notáveis ministros do STF.

RESOLUÇÃO ESPERTA
A Resolução 35/2016 do Senado não inabilitou Dilma automaticamente, mas cassou o mandato “sem prejuízo das demais sanções judiciais”.

REJEIÇÃO ELEVADA
Mineira de nascimento e gaúcha por opção, ao ser expulsa do Palácio do Planalto Dilma registrava índices recorde de rejeição em Minas.

DIPLOMATAS DA ERA PT MANDAM MUITO NO ITAMARATY
Apesar de o ministro ser o tucano Aloysio Nunes, a cúpula de diplomatas do Ministério das Relações Exteriores continua premiando as estrelas da era PT que tiveram papel central na política externa que fez do Brasil um “anão diplomático”, na definição do governo de Israel. Antonio Simões, militante bolivariano e entusiasta do semi-ditador venezuelano Hugo Chávez, ganhou um dos postos mais importantes para os diplomatas brasileiros, o de embaixador do Brasil no Uruguai.

DE BARRIGA CHEIA
Antonio Patriota, ex-chanceler de Dilma, é o embaixador em Roma. Luiz Alberto Figueiredo, outro ex-ministro do PT, ganhou Lisboa.

BEM FEITO
Brasileiros em Nova York, inclusive jornalistas, dizem estar cansados de ouvir Mauro Vieira, hoje na ONU, fazendo pouco de Temer.

ELE VIROU A CAÇA
Indagado pela coluna sobre a influência petista no Itamaraty, o presidente Michel Temer disse que não faria “caça às bruxas”.

SEM DIREITOS, SEM PALANQUE
O ex-presidente Lula tem status de condenado com execução provisória da pena. Mas quando ocorrer o trânsito em julgado da sentença, ele terá os direitos políticos suspensos.

PRESÍDIO À ESPERA
A pena de Lula, de 12 anos e 1 mês de prisão, não pode ser cumprida em “sala especial” com banheiro privativo e água quente, mas sim em unidade prisional – em Curitiba ou na cadeia de Tremembé, São Paulo.

BURROCRACIA À BRASILEIRA
A pretexto de “agilizar” o atendimento, o Consulado do Brasil em Miami agora exige “pré-cadastro” na internet, só para lembrar ao brasileiro mal acostumado com a eficiência americana que no Brasil prevalece a ditadura de burocratas dificultando a vida de quem lhes paga o salário.

MORO PRIVILEGIA LULA
Magistrados experientes têm feito reparos à deferência do juiz Sérgio Moro em relação a Lula, quando ordenou a prisão. Um deles advertiu: “A deferência em razão do cargo que não mais exerce é privilégio”.

E O JUIZ DE EXECUÇÕES?
Outro reparo ao mandado de prisão assinado por Sérgio Moro: o certo seria expedir Carta de Guia (ou Carta de Sentença) e remetê-la ao juiz de execuções penais, que é a autoridade que executa a pena.

MISSÃO NÃO ERA DA PF
Recebendo a Carta de Guia, o juiz de execuções penais decretaria a prisão de Lula, que deveria ser cumprida pela Delegacia de Vigilância e Capturas. Não é atribuição da Polícia Federal.

BANDIDOS À SOLTA
Delinquentes com bandeiras do PT e MST, que emporcalharam com tinta vermelha a fachada do prédio onde mora a ministra Cármen Lúcia, em BH, precisam ser identificados e presos. Isso e intolerável.

A VIDA NÃO É ASSIM
A defesa das audiências de custódia tem sido frequente apenas entre autoridades que, protegidas por seguranças, não se sentem ameaçadas pela libertação em massa de presos em flagrante.

PENSANDO BEM…
…dez anos depois, virou tsunami a “marolinha” do governo Lula.

 

VEJA

Radar
Maurício Lima

Demora nos Correios pode fazer brasileiros cancelarem ida à Copa
Torcedores brasileiros que compraram ingressos para a Copa estão em estado de alerta. O governo russo já teria enviado os chamados FAN-ID, credenciais que liberam a entrada tanto no país quanto nos estádios.
O problema é que essas credenciais não estão chegando às mãos dos torcedores, aparentemente retidos pela burocracia dos Correios.
Tem gente achando que, se a história se repetir com os ingressos, pode acabar assistindo a Copa pela TV.

Rodrigo Maia lança vídeo com jeitão de campanha
Pré-candidato ao Planalto, Rodrigo Maia (DEM) lançou nesta segunda (9) seu primeiro vídeo com jeitão de campanha.
O vídeo reúne trechos da viagem de Maia ao Mato Grosso do Sul no último final de fim de semana.
Enquanto um jingle afirma que “O Brasil pode ser diferente”, Maia discursa em favor da reforma previdenciária.

Márcio França nomeia tucano Alberto Goldman para cargo público
Márcio França veio para cima. O governador de São Paulo nomeou o tucano Alberto Goldman, um dos maiores críticos de João Doria, para o Conselho Deliberativo da Fundação de Previdência Complementar do Estado de São Paulo (SP-Prevcom). O mandato é válido por quatro anos.
O salário de Goldman será compatível a 20% dos vencimentos do diretor-presidente, que ganha 22 914 reais. Ou seja, se aparecer em apenas uma reunião por mês, vai embolsar 4 582 reais.
A nomeação vem logo após França declarar guerra a João Doria, como revelou o Radar (leia aqui). No diálogo em que ambos tiveram, França dizia para Doria prestar atenção no Diário Oficial.
A richa entre Goldman e Doria não é de hoje. No ano passado, o ex-governador de São Paulo acusou o agora ex-prefeito de fraudar licitações. Doria não deixou por menos: o chamou de “improdutivo e fracassado”.
Através de sua assessoria, Alberto Goldman diz que a nomeação foi acertada com Geraldo Alckmin.

 

BLOG DO JOSIAS
Josias de Souza

Trancado em seus rancores, Lula perdeu o faro
Inconformado com o roteiro que Sergio Moro preparou para o seu ocaso, Lula se autoconcedeu um último privilégio antes de se entregar à Polícia Federal: com desembaraço autocrático, o líder máximo do PT escolheu seu próprio caminho para o inferno. Trancado em seus rancores, Lula perdeu o faro. No intervalo de um dia e meio, produziu três desastres:
1) Bunker sindical: A pretexto de estimular o movimento “Lula livre”, o condenado aprisionou-se no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, seu berço político. Foi como se viajasse até o passado num túnel do tempo. A volta às origens denunciou, por assim dizer, o isolamento político de Lula. Fora do prédio, uma multidão de militantes devotos. Nem sinal da classe média que guindou o ex-operário ao Planalto.
Dentro do bunker, além dos áulicos petistas, havia dois presidenciáveis que, mesmo não tendo votos, descartam a ideia de se coligar com o petismo: Manuela D’Ávila (PCdoB) e Guilherme Boulos (PSOL). Ciro Gomes (PDT), que sonha com uma vaga no segundo turno da disputa presidencial, preferiu não dar as caras. Solidarizou-se à distância. A autoproclamada esquerda já não se reúne nem no cárcere.
Mal acomodado, Lula perdeu o sono na sala da presidência do sindicato. No meio do dia, faltou água na prisão sindical. Foi necessário chamar o caminhão-pipa. Na sala especial que Moro mandou a Polícia Federal preparar para hospedá-lo em Curitiba, Lula terá mais conforto.
2) Afronta ao Judiciário: Sem discutir em profundidade os prós e contras, Lula participou de uma coreografia concebida para sapatear sobre a autoridade de Sergio Moro. Respondeu com grosserias às gentilezas do juiz da Lava Jato, que lhe ofereceu condições especiais para se apresentar à polícia sem constrangimentos.
O diabo é que a sentença que condenou Lula não é mais de Sergio Moro, mas do Judiciário. O TRF-4 confirmou o veredicto, aumentando a pena para 12 anos e 1 mês. O STJ indeferiu um par de habeas corpus solicitados pela defesa de Lula. O STF também mandou um habeas corpus ao arquivo. E há outro sobre a mesa do ministro Edson Fachin.
Se a coleção de derrotas judiciais revela alguma coisa é o seguinte: a agressividade de Lula e seus defensores revelou-se o caminho mais curto para a condenação. Há na fila mais meia dúzia de ações penais contra Lula. Uma segunda condenação já está no forno. E Lula continua aferrado à máxima segundo a qual é errando que se aprende… A errar.
3) Insanidade companheira: Dias depois de se queixar dos ovos, pedras, tiros e bloqueios de rodovias que atazanaram a passagem de sua caravana pelos Estados do Sul, Lula acendeu um pavio que inspirou desatinos em série. Os sem-terra e os sem-juízo bloquearam algo como 50 rodovias no país.
Agredido por um petista na frente do Instituto Lula, um manifestante pró-Lava Jato deu entrada no hospital com traumatismo craniano. Defronte do sindicato de São Bernardo, militantes arremessaram ovos em jornalistas.

Suprema insensatez
Em Belo Horizonte, um grupo criminoso a serviço do “exército” do Stédile tingiu de vermelho parte da fachada do edifício onde a presidente do Supremo, Cármen Lúcia, tem um apartamento.
Ainda não se ouviu o repúdio do PT às agressões companheiras. Nessa matéria, Lula e seu partido especializaram-se em tocar trombone sob um imenso telhado de vidro. Avaliam que o radicalismo troglodita no patrimônio e no direito de ir e vir dos outros é refresco. Ainda não se deram conta do risco que o PT corre de encolher nas urnas de 2018.

Se Lula não se rendesse, PF invadiria o sindicato
A Polícia Federal já havia elaborado um plano de contingência para prender Lula caso ele não se entregasse. O Plano B seria colocado em prática na manhã deste domingo, depois das 6h. Agentes federais invadiriam a sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista, para executar o mandado de prisão emitido por Sergio Moro. Em contato com dirigentes da PF, o juiz da Lava Jato revelou-se irritado com a pajelança política promovida por Lula em São Bernardo do Campo.
O acordo que evitou a detenção de Lula na marra foi costurado no eixo São Bernardo-Brasília-Curitiba. Ex-ministro da Justiça no governo de Dilma Rousseff, o petista José Eduardo Cardozo teve papel central na negociação. Sua participação injetou ironia no processo, pois Lula e a cúpula do petismo eram críticos ferozes da atuação de Cardozo como ministro. Na época, queriam que ele domasse a Polícia Federal, anestesiando a Lava Jato. A corrosão de Lula ajuda a entender essa inquietação. O petismo sabia o que fizera no verão passado.
O acordo para que Lula se rendesse foi esboçado na sexta-feira, depois que a Polícia Federal recebeu a informação de que o condenado não se apresentaria voluntariamente em Curitiba até as 17 horas, como Moro determinara. Agentes federais estavam acantonados secretamente nas proximidades do sindicato desde a noite de quinta-feira. Mas a PF decidira que só invadiria o bunker de Lula se não houvesse outra alternativa. Ainda assim, com ordem expressa de Moro.
Ficou acertado que a rendição de Lula ocorreria no sábado, depois de uma missa pelo aniversário de sua mulher, Marisa Letícia. Se estivesse viva, ela completaria 68 anos. O aconselhamento de Cardozo foi considerado vital. Havia ao redor de Lula quem sugerisse levar a “resistência” às últimas consequências —gente como a presidente do PT, Gleisi Hoffmann e o presidenciável do PSOL, Guilherme Boulos.
Coube a Cardozo esclarecer as consequências de uma bravata. Moro poderia, por exemplo, decretar uma prisão preventiva, o que dificultaria o esforço da defesa para abreviar a permanência de Lula em cana. O juiz não hesitaria em endurecer o jogo. Outras vozes sensatas ecoaram as advertências do ex-ministro de Dilma. E Lula autorizou o fechamento do acordo.
O acerto não incluía a conversão da missa num comício. Tampouco previa que Lula discursasse. Muito menos que ele achincalhasse o juiz e os membros da força-tarefa da Lava Jato. O entendimento só não entornou porque o orador teve o cuidado de incluir no discurso uma referência à sua decisão de cumprir o mandado judicial.
Terminado o comício, prepostos de Lula pediram a inclusão de um adendo no acordo. O pajé do PT queria almoçar com a família antes de se entregar. O repasto com os familiares foi autorizado, desde que a rendição ocorresse até as 16h.
Com atraso, Lula saiu do prédio do sindicato pouco antes das 17h. Entrou num carro que estava estacionado no pátio. Seguiria para um terreno vizinho, onde veículos da Polícia Federal o aguardavam. Mas um grupo de militantes postou-se defronte do portão, obstruindo a passagem do automóvel, que deu marcha à ré. Lula desceu. E enfurnou-se novamente no sindicato. Seguiram-se momentos de tensão.
A cúpula da PF e Moro enxergaram na resistência um quê em encenação. Lula recebeu um ultimato. Tinha meia hora para se entregar. Os agentes federais destacados para conduzi-lo preso seriam desmobilizados às 19h. Um ministro de Temer, que acompanhava as tratativas, exasperou-se: “Com 99% da operação concluída, surge essa recaída lusitana”, lamentou.
Por um instante, o governo receou que a PF tivesse de acionar o seu Plano B. Uma invasão do sindicato envolvia riscos. Agredidos por militantes, os policiais teriam de reagir. Havia grande preocupação com a integridade física de Lula. Súbito, às 18h40, quando faltavam 20 minutos para expirar o ultimato dado pela PF, Lula saiu novamente do prédio. Cruzou a pé os cerca de 50 metros de militantes que o separavam do terreno onde se entregaria, finalmente, à equipe da Polícia Federal. Houve alívio em Brasília.

Voto de Rosa deve garantir prisão na 2ª instância
O Supremo Tribunal Federal deve discutir na quarta-feira pedido de liminar do Partido Ecológico Nacional para que sejam impedidas as prisões de condenados na segunda instância. Relator da causa, o ministro Marco Aurélio Mello planeja dividir a decisão com os seus dez colegas. O PT aposta numa mudança da jurisprudência em vigor desde 2016. Isso colocaria Lula em liberdade. Contudo, os próprios ministros da banda da Suprema Corte contrária às prisões estão pessimistas quanto à possibilidade de reviravolta. O voto decisivo será novamente o da ministra Rosa Weber. Ela sinaliza internamente a propensão de manter inalterada a jurisprudência.
Em 2016, o Supremo deliberou três vezes sobre a matéria. Em todas elas manteve o entendimento segundo o qual a prisão de sentenciados em segunda instância não afronta o princípio constitucional da presunção de inocência. Na última votação, realizada em outubro de 2016, essa posição prevaleceu por 6 votos a 5. Rosa Weber foi voto vencido. A despeito disso, ela vem respeitando a decisão da maioria ao julgar pedidos de habeas corpus. Mantendo a coerência, votou na semana passada contra o pedido de Lula para não ser preso. Foi graças ao seu voto que Sergio Moro pôde expedir o mandado de prisão do ex-presidente petista.
No pedido de liminar, o PEN sustenta que Rosa Weber retomará sua posição original, contra as prisões, ao analisar a questão em termos genéricos, sem vinculação com nenhum caso específico como o de Lula. O partido realça, de resto, que Gilmar Mendes, que havia votado a favor do encarceramento em 2016, mudou de posição. Com isso, haveria maioria para aprovar as duas ações diretas de constitucionalidade que questionam no Supremo as prisões antecipadas —mesmo que seja apenas para retardar a execução das penas até o julgamento dos recursos no STJ, um tribunal de terceira instância.
Além da sinalização interna, Rosa Weber tomou distância da política de celas abertas no voto da semana passada. Se mantiver sua posição, a prisão na segunda instância seria preservada no Supremo pelo mesmo placar anotado na rejeição do habeas corpus de Lula: 6 a 5. Ao votar contra o pedido de Lula, a ministra deixou antever que não considera razoável alterar uma jurisprudência do Supremo tão recente quanto a que foi fixada em 2016. Realçou a necessidade de oferecer segurança jurídica.
Eis o que disse Rosa Weber: “A imprevisibilidade por si só qualifica-se como elemento capaz de degenerar o Direito em arbítrio. Por isso aqui já afirmei, mais de uma vez, que compreendido o tribunal, no caso o Supremo Tribunal Federal, como instituição, a simples mudança de composição não constitui fator suficiente para legitimar a alteração da jurisprudência.”
Sem mencionar o nome de Gilmar Mendes, Rosa acrescentou que a mudança conjuntural da opinião de ministros também não é suficiente para mudar a jurisprudência. Ela citou o filósofo do Direito Frederick Schauer, professor da Universidade de Virgínia, nos Estados Unidos: “Espera-se que um tribunal resolva as questões da mesma maneira que ele decidiu no passado, ainda que os membros do tribunal tenham sido alterados ou se os membros dos tribunais tenham mudado de opinião’.”
A ministra citou também Neil Markovitz, professor da universidade escocesa de Edimburgo, “para quem fidelidade ao Estado de Direito requer que se evite qualquer variação frívola no padrão decisória de um juiz ou tribunal para outro.” Acrescentou que o vaivém em curto período de tempo produz indesejável incerteza: “A consistência e a coerência no desenvolvimento judicial do Direito são virtudes do sistema normativo enquanto virtude do próprio Estado de Direito.”
Rosa Weber prosseguiu: “As instituições do Estado devem proteger os cidadãos de incertezas desnecessárias referentes aos seus direitos. Embora a jurisprudência comporte obviamente evolução, porque, insisto, a vida é dinâmica, a sociedade avança, o patamar civilizatório se eleva, é o que pelo menos se deseja, e o Direito segue, a atualização do Direito operada pela via judicial, pela atividade hermenêutica dos juízes e tribunais, há de evitar rupturas bruscas e ser justificada adequadamente.”
O PT cogita acionar os movimentos sindicais e sociais que se opõem à prisão de Lula para bater bumbo defronte do Supremo. Deve adensar também o acampamento já instalado nas proximidades da sede da Polícia Federal em Curitiba, onde Lula está preso. Tudo isso para pressionar o Judiciário. Um pedaço minoritário do petismo avalia que esse tipo de pressão pode surtir efeito contrário. Até aqui, a tática de confrontação fez de Lula um colecionador de derrotas judiciais. Acumula revezes nas quatro instâncias do Judiciário —da 13ª Vara de Sergio Moro até o Supremo, passando pelo TRF-4 e o STJ.
Para a força-tarefa da Lava Jato, a importância da manutenção da regra sobre prisão vai muito além do caso Lula. Avalia-se que a prisão em segunda instância é essencial também para punir outros encrencados graúdos. Sobretudo num instante em que o Supremo está na bica de limitar a abrangência do foro privilegiado, remetendo para a primeira instância encrencados protegidos sob a marquise dos mandatos eletivos ou dos cargos ministeriais. No limite, o próprio Michel Temer estará ao alcance de procuradores e juízes do primeiro grau quando descer a rampa do Planalto, em 1º de janeiro de 2019.

PT encolhe e aprisiona o futuro na cela de Lula
A prisão de Lula impôs ao PT o desafio de um recém-nascido: às voltas com um processo de encolhimento, o partido retornou às suas origens sindicais da década de 80. Teria de aprender a andar com suas próprias pernas. Mas como não consegue se mover sem Lula, a legenda aprisionou o seu futuro na mesma sala que serve de cela para o seu grande líder, em Curitiba. A única pessoa com poderes para conceder um habeas corpus ao PT é o próprio Lula. Mas ele não exibe a mais remota intenção de libertar a legenda.
No comício de São Bernardo, que antecedeu a rendição no sábado, Lula disse aos devotos que se aglomeraram na porta do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC: “Quando eu percebi que o povo desconfiava que só tinha valor no PT quem era deputado, sabe o que eu fiz? Eu deixei de ser deputado. Queria provar ao PT que eu ia continuar sendo a figura mais importante do PT sem ter mandato.”
Na sequência, como que decidido a demarcar seu terreno antes de ser recolhido pela Polícia Federal, Lula declarou: “Se alguém quiser ganhar de mim no PT, só tem um jeito: é trabalhar mais do que eu e gostar do povo mais do que eu, porque se não gostar, não vai ganhar”. Foi como se Lula farejasse o risco de crescimento da banda minoritária do PT que prega internamente a necessidade de construção de uma alternativa à hipotética candidatura presidencial de um líder preso e ficha-suja.
Ao anunciar à multidão que cumpriria o mandado de prisão de Sergio Moro, entregando-se à polícia, Lula radicalizou o discurso. Disse que o encarceramento não iria silenciá-lo, porque seus apoiadores fariam barulho no seu lugar: “Eles têm que saber que vocês são até mais inteligentes do que eu. E poderão queimar os pneus que vocês tanto queimam, fazer as passeatas que tanto vocês queiram, fazer ocupações no campo e na cidade…”
Esse palavreado ácido tem efeitos negativos no campo jurídico e na seara política. Juridicamente, o timbre de Lula reforça uma linha de confronto que o transformou num colecionador de derrotas nos tribunais. Politicamente, o veneno de Lula condena o PT a reviver uma realidade da época em que fazia campanhas com o objetivo de converter os convertidos. O problema é que a multiplicação do amor dos devotos petistas por Lula não trará de volta os votos da classe média. Uma gente conservadora que acreditou na Carta aos Brasileiros, o documento em que Lula renegou o receituário radical que o impedia de chegar à Presidência da República.

 

PODER 360º
Fernando Rodrigues

Narrativa de Lula tenta ‘coesionar’ militância para longo período da prisão
O discurso de 55 minutos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC se prestou a 1 objetivo muito claro: dar coesão ao grupo que ele comanda há 4 décadas para que o patrimônio eleitoral da esquerda possa ser preservado na eleição de 2018.
A estratégia de Lula e de seu grupo foi politicamente a única possível diante da decretação da prisão do petista na última 5ª feira (5.abr.2018). Tinham pouco tempo para organizar e reforçar a narrativa da vitimação e da suposta sanha persecutória da mídia, Ministério Público e Justiça contra o petismo.
E o principal: passar a mensagem de que a prisão de Lula em nada atrapalha o lulismo. Todos que ficarem do lado de fora podem continuar a missão de seu líder. O próprio ex-presidente usou uma de suas metáforas para sintetizar o raciocínio:
“Não adianta acabar com minhas ideias. Elas já estão pairando no ar e não tem como prendê-las. Não adianta tentar parar o meu sonho porque quando eu parar de sonhar, eu sonharei pela cabeça de vocês e pelo sonho de vocês“.
“Não adianta achar que tudo vai parar no dia em que o Lula tiver um infarto. É bobagem. Porque o meu coração baterá pelo coração de vocês e são milhões de corações. Não adianta acharem que vão fazer com que eu pare. Eu não pararei porque eu não sou mais um ser humano. Eu sou uma ideia. Uma ideia misturada com a ideia de vocês”.
Do ponto de vista estritamente político, Lula foi bem-sucedido neste momento. Conseguiu uma cobertura maciça de mídia para o seu caso. Semeou na mídia internacional uma dúvida sobre a lisura institucional do processo que o condenou. Gravou cenas cinematográficas sobre sua “resistência democrática”.
As imagens serão usadas “con gusto” durante a campanha eleitoral. Colou em parte do seus seguidores a sua interpretação dos fatos. Como escreveu uma vez o espanhol Calderón de la Barca, “a vida é sonho”.
As esquerdas estavam todas no palanque de Lula neste sábado, na curiosa missa-showmício que foi até chamada de Lulapalooza por 1 dos presentes.
O fato é que, como indicam todos os sinais recentes do Judiciário, Lula passará alguns anos na prisão. Em regime fechado. Pelo caso do tríplex do Guarujá, pegou 12 anos e 1 mês. Mas há outros processos.
Cálculos realistas, que já consideram eventuais benefícios para redução de pena, indicam que dificilmente o ex-presidente deixará de passar de 4 a 6 anos em regime de prisão fechada.
Se isso se confirmar, Lula e seus aliados sabem que seria necessário preparar o terreno para atravessar o deserto sem o principal líder do PT em liberdade.
Estavam neste sábado (7.abr.2018) no palanque de Lula representantes do PT, do PC do B e do PSOL, entre outras organizações. Lula citou muitos do presentes nominalmente, mas tratou com especial deferência os pré-candidatos a presidente Manuela D’ávila (PC do B) e Guilherme Boulos (PSOL).
Lula tem hoje cerca de 25% das preferências de voto dos brasileiros, de acordo com a média das pesquisas realizadas recentemente sobre a corrida presidencial. Se ficasse em liberdade até outubro, não havia muita dúvida sobre sua capacidade de manter o discurso e o poder para transferir parte considerável desse patrimônio eleitoral para alguém do PT.
O PT precisa que a “marca Lula” sobreviva a ele próprio. Ter 1 bom desempenho nas eleições de outubro é oxigênio vital e necessário para que o petista siga influente, bem como seu grupo político –que vai defendê-lo do lado de fora da penitenciária. Daí a razão de tentar “coesionar” (no jargão político dos anos 80) toda esquerda novamente, algo que havia caído em desuso quando o petismo mandava e desmandava a partir do Palácio do Planalto, flertando com o mercado e com o grande capital.

ATUAÇÃO NA PRISÃO
Uma das dúvidas que existem –e para as quais não há respostas conclusivas– é como poderá atuar o ex-presidente a partir de sua cela.
Como se sabe, congressistas têm salvo-conduto para entrar em qualquer estabelecimento prisional brasileiro. Todos os dias.
Já se sabe que o petista terá condições especiais na cadeia. Lula poderá ter visitas diárias de deputados e de senadores do PT.
Não custa lembrar que apesar do mensalão e da Lava Jato, o PT é hoje o partido que tem a maior bancada na Câmara dos Deputados, em Brasília.
Esses congressistas que visitarão Lula diariamente vão manter essa rotina por quanto tempo? Poderão gravar conversas em vídeo quando estiverem na cela? Esse tipo de procedimento vai ser proibido pelas autoridades responsáveis pela prisão do petista?
Esses limites serão testados durante a rotina das visitas. Ninguém deve duvidar, entretanto, de que o PT vai explorar ao máximo todas as formas de comunicação entre seu maior líder e o público em geral.

CONSEQUÊNCIAS INCERTAS
Converse com 1 petista e ele dirá: “O Lula vai crescer na adversidade. A economia não melhorou o suficiente. O desemprego está altíssimo. A prisão do Lula fará aumentar a votação do PT e da esquerda em outubro”.
Fale com 1 adversário do PT, a interpretação será oposta: “Depois de 1 ou 2 meses preso, Lula fará parte da paisagem dos presos. Sua luz vai se enfraquecer. A esquerda ficará órfã e terá sua pior eleição em décadas agora em 2018”.
O mais provável é que a verdade esteja entre uma interpretação e outra. Nem o PT e as esquerdas terão 1 desempenho absolutamente exuberante nas urnas e nem serão tampouco dizimados da cena política.
Só o tempo dará mais segurança para uma análise real do impacto da prisão de Lula sobre as eleições.

 

REVISTA ISTOÉ
Murillo de Aragão

Moedas, acaso e eleições
O tempo que a moeda leva para girar no ar antes de cair é o momento de se tomar a decisão. A teoria, meio maluca, é de Gerd Gigerenzer, psicólogo alemão especialista em tomadas de decisão. Tradicionalmente, consultores recomendam o seguinte processo para a tomada de decisões: listar os pros e os contras em colunas opostas e escolher o lado que contiver maior número de itens positivos. Se você tiver de escolher entre dois candidatos, por exemplo, o processo natural é esse mesmo: liste as qualidades e os defeitos de cada um e analise o saldo.
Se, evidentemente, um deles apresentar muito mais vantagens comparativamente, o melhor a fazer é escolhê-lo. Porém, às vezes, a situação fica mais complexa e não se tem clara visão a respeito do melhor candidato. Aí entram as instruções de Gigerenzer: pense na sua escolha e jogue a moeda para o alto. Enquanto ela estiver girando, você saberá qual escolha não deve ser feita. Aí nem precisa ver de que lado a moeda caiu.
Na fração de segundo em que a moeda gira, o processo decisório se adensa em sua mente e daí resulta um claro sinal do que, pelo menos, não deve ser escolhido. A inevitabilidade da escolha revela o pior que pode acontecer. Ao se evitar a pior escolha, reduz-se o risco do pior cenário.
A omissão da sociedade e a destruição de valor na política — tanto por parte dos políticos quanto por parte da mídia — levam hoje a um quadro deserto de boas escolhas no cenário brasileiro. Como disse um ex-ministro e deputado federal, nenhum político no País aguenta um cutucão bem dado. Sempre aparecerão coisas que não são lá muito republicanas.
Assim, nosso quadro eleitoral caminha para a situação descrita por Gigerenzer, em que a moeda deve ser adotada. Isso porque, até o momento, o que temos visto é uma corrida de candidatos com defeitos semelhantes. Uns com defeitos de natureza ideológica e outros com defeitos de natureza ética e moral, sendo que temos até alguns campeões, que padecem de defeitos tanto éticos quanto ideológicos.
Ao cidadão comum, a escolha que então se apresenta é a escolha do menos pior. Se não conseguir fazer logo a decisão do menos pior, jogue a moeda para o céu e pense no pior que pode acontecer ao País. A escolha será revelada naquele que não deve ser escolhido. Depois de jogar a moeda para o alto, lembre-se de que não se deve nem olhar de que lado ela caiu.
O acaso pode estar jogando contra.
A inevitabilidade da escolha revela o pior que pode acontecer. Ao se evitar a pior escolha, reduz-se o risco do pior cenário



Autor: admin
Jornalista, Cientista Político, especialista em Marketing Político, consultor político ABCOP e sócio-fundador da Tracker Consultoria e Assessoria.

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