Backstage News Brasil 27/02/2019 – Retaliação: Receita pode perder poderes e Paulo Guedes ser convocado

O Backstage News é um produto diário da Tracker Consultoria que reúne os principais colunistas de política do País com informações dos bastidores do Poder.

 

FOLHA DE S. PAULO

Painel
Daniela Lima

Sindifisco reage a auditoria do TCU e diz que corte tenta pressionar a Receita
O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita (Sindifisco) reagiu nesta quarta (26) à informação de que o TCU autorizou a realização de uma auditoria da corte no órgão. A decisão foi tomada após o vazamento de informações fiscais de ministros do STF e do STJ. A ofensiva do tribunal de contas foi revelada pelo Painel.
“Auditorias realizadas pelo Tribunal de Contas da União nos órgãos públicos, inclusive na Receita Federal, são rotina”, diz o início do comunicado do Sindifisco.
“Entretanto, a motivação específica trazida nesse caso chama a atenção, demonstrando que a engrenagem do Tribunal de Contas foi movida em razão da indignação de um contribuinte em especial, o ministro do STF, Gilmar Mendes.”
A entidade afirma que há uma disputa histórica entre TCU e Receita, e diz que a corte de contas “insiste em ter acesso integral e detalhado de todos os dados dos sistemas da Receita Federal”.
“Aparentemente, aproveitando-se do incidente [o vazamento dos dados de ministros], o TCU quer aumentar a pressão sobre o Fisco” conclui o documento.
A decisão do TCU autoriza auditores da corte a acessarem os sistemas de controle interno da receita, mas veda o tráfego de dados fiscais de contribuintes. O tribunal autorizou a auditoria a pedido de Ministério Público de Contas, que disse ver no vazamento de dados dos ministros risco de desvio funcional de servidores da Receita.

Auditoria ao quadrado
O TCU acatou pedido do subprocurador-geral do Ministério Público de Contas, Lucas Rocha Furtado, e determinou instauração de auditoria da corte na Receita. A ordem marca novo patamar na crise que se iniciou com o vazamento de uma investigação do fisco nas contas de Gilmar Mendes, do STF. O subprocurador alegou suspeitas de desvio de função no órgão –e consequente desperdício de recursos públicos. A autorização foi assinada na noite desta terça (26) pelo ministro Bruno Dantas.

A parte…
No despacho, Dantas afirma que, “como não nos cabe atuação disciplinar”, a devassa do TCU deve se ater aos mecanismos de controle que a própria Receita dispõe para evitar que servidores extrapolem sua função legal, e também impedir “o uso indevido das informações que a organização detém, bem como o vazamento de dados sensíveis”.

…que me cabe…
“Se confirmadas as informações constantes dos autos, há indícios de que os controles internos não foram efetivos”, diz o ministro. “Evidentemente, as informações que interessam à corte não alcançam dados e informações de contribuintes isolados”, salienta.

…nesse latifúndio
Dantas facultou aos auditores do TCU “acesso a todos os sistemas e procedimentos de controle, bem como aos registros das ocorrências nos sistemas informatizados”, mas vedou o tráfego de dados fiscais de contribuintes.

Panos quentes
O secretário da Receita, Marcos Cintra, atua para conter danos. Ele telefonou para o presidente do STF, Dias Toffoli, para pedir desculpas pelo vazamento de informações da mulher do ministro, que também entrou na mira do fisco.

Panos quentes 2
Em outra frente, Cintra pediu a um emissário que levasse suas escusas a Isabel Gallotti, do STJ.

Mais realista…
Ricardo Vélez (Educação) tentou atender a um pedido de Jair Bolsonaro ao ordenar que crianças fossem filmadas cantando o hino após a leitura de carta que terminava com o slogan da campanha do presidente.

… que o rei
Bolsonaro havia recomendado a exaltação de “símbolos pátrios”, mas a cúpula do MEC reconhece que Vélez exagerou na dose.

Bloco do eu sozinho
Uma das apostas de Jair Bolsonaro para melhorar a articulação política no Congresso, a indicação de vice-líderes do governo na Câmara foi executada de maneira tão desastrada que surtiu o efeito contrário. O Planalto divulgou os nomes dos escolhidos sem antes consultar as direções partidárias.

Caçador de mim
Foi o que aconteceu com PR e Solidariedade, que souberam pela imprensa que seus quadros atuariam na defesa da atual gestão. Resultado: as duas siglas desautorizaram a indicação.

Poder de veto
O presidente do Solidariedade, Paulinho da Força (SD-SP), chamou o deputado Lucas Vergílio (SD-GO) e recomendou que ele avisasse ao Planalto que não iria assumir uma das vagas de vice-líder do governo na Câmara.

Poder de veto 2
Algo semelhante ocorreu no PR. O mandatário da sigla, Valdemar da Costa Neto, externou contrariedade com a indicação de Capitão Augusto (PR-SP) para o posto. Um aliado do mandachuva do partido diz que, se a ideia era amansar a bancada, o tiro saiu pela culatra. O governo quer ter 14 vice-líderes.

Persona non grata
Na reunião desta terça (26) com Bolsonaro, líderes da Câmara se queixaram do tratamento que parlamentares têm recebido de ministros do governo. Alguns auxiliares do presidente foram citados nominalmente, como Nabhan Garcia, secretário de Assuntos Fundiários.

Daí para pior
Historicamente favorável à reforma, a bancada do PSDB deu ao secretário da Previdência, Rogério Marinho, um bom termômetro do ânimo dos deputados com a medida. Avisou que é contra reduzir o BPC e que nada deve andar até a chegada do projeto que mexerá na aposentadoria dos militares.

Tiroteio
Na primeira leitura, achei que era fake. Ao descobrir que não, desejei que fosse. A carta do MEC é inadequada e inoportuna
De Arthur Fonseca Filho, presidente da Associação Brasileira de Escolas Particulares, sobre a mensagem disparada por Ricardo Vélez

Mônica Bérgamo

USP repudia texto de professor que elogia ditadura e diz que LGBTs são ‘aberração’
Eduardo Lobo Gualazzi ainda afirma que pobres são ‘minoria do submundo’
A Faculdade de Direito da USP decidiu reprovar publicamente as declarações de um de seus professores, Eduardo Lobo Gualazzi. Na segunda (25), ele distribuiu um texto aos alunos elogiando a ditadura militar e afirmando, entre outras coisas, que pobres são “minoria do submundo” e LGBTS, “aberração”, além de “tarados e taradas”.

REPÚDIO 
O diretor em exercício da faculdade, Celso Fernandes Campilongo, afirma que a USP “zela pela liberdade de cátedra e expressão” mas repudia “manifestações de discriminação, preconceito, incitação ao ódio e afronta aos Direitos Humanos”.

TRADIÇÃO 
Num texto enviado à coluna, ele afirma ainda que a USP mantém a tradição “da promoção dos valores da igualdade e da cidadania”.

EM ORDEM 
E segue: “É dever dos docentes, em consonância com a ordem constitucional, enfrentar estereótipos de gênero, raça, cor, etnia, religião, origem, idade, situação econômica e cultural, orientação sexual e identidade de gênero (LGBT), dentre outras, jamais incentivá-los”.

RESPEITO 
Segundo Campilongo, “a liberdade de cátedra e expressão não pode se traduzir em abuso e desrespeito à diversidade”. Para ele, “o respeito a todos, maiorias ou minorias, é valor inegociável. Vozes que, eventualmente, fujam dessas diretrizes não representam o pensamento prevalecente na Faculdade de Direito e merecem veemente desaprovação”.

SILÊNCIO 
O professor Gualazzi não se manifestou sobre a polêmica gerada por suas afirmações depois que elas foram divulgadas pela coluna.

TIME 
Além de elogiar a ditadura no texto distribuído em sala de aula, Gualazzi fez questão de informar a seus alunos em quem votou em 2018.

TIME 2 
O professor votou em Jair Bolsonaro para presidente da República, Major Olympio para senador, Luiz Philippe de Orléans e Bragança para deputado federal e Paulo Skaf para governador de SP no primeiro turno. No segundo, cravou João Doria.

SINAL AMARELO 
A OAB estuda a possibilidade de entrar com ações na Justiça pedindo a condenação do ministro da Educação, Ricardo Vélez, por improbidade administrativa.

EU ME AMO 
Vélez enviou às escolas texto para ser lido pelos estudantes com a frase “Brasil acima de tudo, Deus acima de Todos”, slogan da campanha de Jair Bolsonaro depois adotado como lema de governo.

PRAZO DE VALIDADE 
O recuo do ministro levantou dúvidas na entidade sobre que tipo de ação é cabível e se é o caso de levar o assunto adiante.

EM PÉ 
O STJ (Superior Tribunal de Justiça) negou o pagamento de indenização por dano moral a um consumidor individual que ficou mais de duas horas na fila de um banco.

SENTADO 
A corte entendeu que, aberto um precedente, esse tipo de aborrecimento, salvo em situações excepcionais, faz parte do cotidiano e não pode, portanto, se tornar uma indústria de enriquecimento sem causa.

CASTIGO 
Por outro lado, o tribunal reconheceu que o serviço mal prestado tem que ser objeto de autuação das agências fiscalizadoras, que podem multar os estabelecimentos.

CURTIDAS 
O Ministério da Saúde vai lançar nesta quinta o vídeo da campanha de Carnaval no Twitter, Youtube, Facebook e Instagram oficiais.

CURTIDAS 2 
O filme, que tem como protagonista o cantor Gabriel Diniz, do hit Jenifer, estará disponível nas redes um dia antes de sua divulgação em cadeia nacional de TV.

TROCA 
O ex-secretário de Cultura de SP André Sturm está entre os nomes apontados para substituir Mariana Ribas na direção da Ancine.

 

O ESTADO DE S. PAULO

Coluna do Estadão
Alberto Bombig

Nos Estados, 178 penduricalhos ampliam efeito cascata do Judiciário
É maior do que se supunha o efeito cascata nas contas públicas provocado pelo reajuste nos salários do Judiciário. Levantamento obtido pela Coluna com base nos Tribunais de Justiça dos 27 Estados mostra que pelo menos 178 benefícios e gratificações, os chamados penduricalhos, estão atrelados, via porcentual, aos vencimentos dos magistrados. Em Minas, por exemplo, os 1.537 juízes e desembargadores, ativos e inativos, tiveram reajuste automático do auxílio-livro e do auxílio-saúde. Nesse último caso, alguns saíram de R$ 3.047 para R$ 3.547/mês.

A propósito
Jair Bolsonaro gostou da ideia de incluir na reforma da Previdência aposentadoria compulsória de ministros do Supremo após 20 anos de serviço público. Tiraria ao menos cinco da Corte.

Presta…
Se o governo federal não voltar atrás na suspensão do subsídio na conta de luz, que beneficiava ruralistas, o caso pode parar no STF, avisa um membro da Frente Parlamentar da Agropecuária.

… atenção
O caso passou pelo TCU, que deu parecer contrário ao benefício. “O tribunal está metendo a colher onde não deve. Subsídio é política pública, política pública é coisa do Executivo”, afirma o tucano Domingos Sávio (MG).

Prévia
A reunião da bancada do DEM, ontem, deu uma sinalização da dificuldade que a reforma de Jair Bolsonaro enfrentará no Congresso. Nem o partido do presidente da Câmara está 100% satisfeito com o texto. Não há consenso nem mesmo sobre a capitalização, ponto que Rodrigo Maia já disse que “aprova fácil”.

Ainda…
Parlamentares que trabalharam com Ana Beatriz Groba na Câmara destacam a habilidade técnica da funcionária que agora assumirá Subchefia de Assuntos Parlamentares da Casa Civil de Onyx.

… falta
Lembram, no entanto, que a substituta de Leonardo Quintão não tem perfil político, ponto fraco do governo na tumultuada relação com o Congresso.

Assim fica fácil
Nenhum petista fez perguntas para o ministro da Educação, Ricardo Vélez, em audiência pública ontem no Senado. Na véspera, o MEC havia disparado e-mails pedindo para alunos lerem carta com o slogan do governo, conforme revelou o Estado.

Click
Sem mandato, o aliado de primeira hora de Bolsonaro, Magno Malta, circulou ontem no Senado. No café, conversou longamente com Eduardo Girão (PROS-CE).

Tamanho…
Um veterano de campanhas acha que o maior problema eleitoral de Bruno Covas (PSDB) está longe de ser a provável candidatura do PSL em 2020.

…da encrenca
Antes de encarar um nome do PSL de Jair Bolsonaro, o prefeito de SP precisa ordenar o caos que toma conta da cidade neste início de ano e criar uma marca da gestão.

Receita
Covas também tem de buscar uma imagem pessoal mais afirmativa: ressalvadas algumas exceções, paulistanos costumam eleger personalidades fortes, observa o veterano.

Pre-pa-ra
O presidente do PSL em São Paulo, Major Olímpio, acha que, a exemplo do que ocorreu no Senado, onde a pressão das redes sociais com o “Fora, Renan” foi decisiva na eleição da Mesa, Janaína Paschoal pode ser beneficiada na Assembleia.

Auxílio
Olímpio lembra que, na Assembleia paulista, o voto para a escolha da Mesa Diretora é aberto e favorece a pressão. O senador do PSL não descarta baixar no plenário da Casa para pedir votos, à sua maneira pouco discreta, para a correligionária de PSL.

Pronto, falei!
Aguinaldo Ribeiro, deputado federal (PP-PB): “Eu não conheço nova política nem velha política. Só conheço a boa e a má”, sobre o que o governo tem dito a respeito das relações entre o Congresso e o Executivo.

Direto da Fonte
Sônia Racy

“Há 40 anos temos um Estado em desequilíbrio”
Entre todos os Estados brasileiros, é o Rio Grande do Sul que está em maior dificuldade financeira. Nem o governador Eduardo Leite tem dúvidas sobre isso. “Se tudo der errado, acabamos o ano com R$ 22 bilhões em dívidas”, explicou à coluna o ex-prefeito de Pelotas. Vale registrar que, entre outras, o político-advogado, de 33 anos, estudou gestão pública na Universidade de Colúmbia, em NY.
Juntando financiamentos, operações e tudo mais, o Estado arrecada R$ 58 bilhões por ano. E a receita corrente líquida, segundo o governador, está em torno de R$ 30 bilhões e pouco. “Mesmo assim, se alguém me desse de graça um cheque de R$ 100 bilhões e eu pagasse toda a dívida com a União, todo o estoque de precatórios, todos os restos a pagar e tudo mais, e iniciasse este ano no zero a zero, eu terminaria 2019 com divida de R$ 2 bilhões pois estruturalmente o Estado está desajustado.”
O tucano tem consciência de que não vai resolver o estrago nos seus quatro anos de gestão. “Mas acredito ser possível – e temos agenda para isso – que o Rio Grande do Sul consiga alcançar um nível de equilíbrio que permita retomar pagamento em dia dos seus servidores e conquiste alguma capacidade de investimento pelo menos para poder conseguir empréstimos.”

Vai privatizar?
“Sim, a primeira medida que tomei foi encaminhar para a Assembleia Legislativa uma emenda para retirar a exigência de realização de plebiscito para a venda de estatais gaúchas.” Leite, entretanto, não está sozinho. Ontem, o Estado publicou que nove governadores herdam um rombo total de R$ 71 bilhões. Aqui vão trechos da conversa com a coluna.

Como a situação chegou a esse ponto?
Ha 40 anos temos um Estado em desequilíbrio. Com raras exceções, entre elas o governo da Yeda Crusius, que só gastou o que arrecadou. Antonio Brito privatizou buscando o equilíbrio mas perdeu a eleição e os recursos arrecadados foram gastos no custeio da máquina.

Não havia regra determinando para onde iam os recursos?
Tem, mas no item custos abriu-se espaço para botar no custeio. E aí, entre outras inovações, é introduzido o caixa único. Os governos, via de regra, em função de fluxo de caixa, olham: tem que pagar funcionário hoje, Se não tem dinheiro, tira do fundo e amanhã, quando entrar receita, eu reponho lá. So que, com o caixa único, fizeram isso sem repor nada.

Isso foi o gatilho para o descontrole?
Pois é. Olívio (Dutra) acabou tendo que parar de pagar precatórios. Não foi exclusividade dele, vários Estados deixaram de pagar. Mas depois veio o governo (Germano) Rigotto, que inovou com saques dos depósitos judiciais. Dinheiro que não é do Estado foi usado para custeio

Bom, limparam os cofres?
Com autorização legal. Hoje tem uma limitação estabelecida em lei federal. O Rigotto fez um pequeno uso, a Yeda um pouquinho e parou, conseguiu equilibrar, aí veio o governo do Tarso (Genro) e pisou fundo. Sacou R$ 7 bilhões de depósitos judiciais para colocar em reajustes salariais. Ou seja, aumento do custo da máquina. Pagou isso com dinheiro finito.

Qual foi o total usado dos depósitos judiciais?
R$ 10 bilhões. E o RS paga hoje juros sobre isso. Outros Estados também fizeram isso, mas não neste montante. Tudo somado, eu herdei, de restos a pagar, R$ 4 bilhões.

Havia uma emenda constitucional determinando depositar 1,5% da receita corrente líquida. O STF a julgou inconstitucional e o Congresso decidiu que o estoque de precatórios tem que ser zerado até 2024. Como vocês saem dessa?
O Estado depositava R$ 600 milhões por ano, conforme a emenda exigia. A partir de janeiro último, temos que pagar $3 bilhões. Tanto assim é que no primeiro mês do ano fui lá, depositei R$ 50 milhões e a Justiça me sequestrou R$ 160 milhões das contas. Pedi liminar no STF, consegui fazer devolverem os recursos. Mas ainda estamos com uma espada na cabeça, a questão dos precatórios.

E a dívida com a União?
O governo renegociou dívidas com os Estados exigindo respeito à legislação sobre o Teto dos Gastos. O teto está furado. A STN vai apurar isso no meio do ano. Se cair nossa liminar, teremos de pagar R$ 900 milhões, a parcela mensal, em lugar de R$ 250 milhões.

Vera Magalhães

Fim da lua de mel
Após receber dois alertas nesta terça-feira, a hora é, como venho dizendo aqui, de Jair Bolsonaro arregaçar as mangas e cuidar da política se quiser avançar com a pauta de seu governo – reforma da Previdência à frente
Na falta de um alerta, Jair Bolsonaro recebeu dois nesta terça-feira de que a lua de mel pós-eleitoral chegou ao fim e a hora é, como venho dizendo aqui, de arregaçar as mangas e cuidar da política se quiser avançar com a pauta de seu governo – reforma da Previdência à frente.
O primeiro recado foi a pesquisa CNT/MDA, que mostrou que é de apenas 39% o contingente dos brasileiros que avaliam seu governo como ótimo ou bom. Bem abaixo dos índices de largada dos primeiros mandatos dos presidentes que o antecederam, inclusive Dilma Rousseff, que tinha a aprovação de 49,1% na mesma pesquisa em fevereiro de 2011.
O segundo sacolejo veio da lúcida fala do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), na conferência do BTG Pactual. Ele, um insuspeito defensor da reforma da Previdência, disse sem meias palavras que Bolsonaro é “refém do discurso da campanha”. Que prometeu que o País mudaria rapidamente, e as coisas não se dão desta maneira na democracia. E que “não dá para continuar nessa discussão do que é nova e velha política”. “Existe A POLÍTICA”, ensinou. As maiúsculas são minhas, mas a ênfase foi dele.
Há elementos à mesa de Bolsonaro para que ele dê um freio de arrumação em seu governo antes dos 100 dias: se dedicar mais à política e menos à propaganda ideológica passadista como a que fez ontem, ao louvar ditadores, eleger a reforma como pauta a ser defendida por todos os ministros e entender que comunicação de um presidente da República, para atingir efetivamente o conjunto da sociedade (e não as macacas de auditório das redes sociais), tem de ser institucionalizada.

Governo vai correr com projeto dos militares
A advertência de Rodrigo Maia parece ter surtido efeito e o governo deve correr com o projeto que vai regulamentar as regras de aposentadoria e pensões dos militares e incluí-los na nova Previdência. O presidente da Câmara se comprometeu com o governo a só colocar o projeto dos militares para votação em plenário depois da aprovação da proposta de emenda constitucional que fixa as novas regras para servidores civis e a iniciativa privada. Mas convenceu o núcleo político do governo (a equipe econômica já estava nessa página) de que não seria possível convencer deputados a se desgastarem votando a reforma e deixar o pessoal de farda para sabe-se lá quando.

Enquanto Vélez investe em propaganda, MEC está parado
O ministro Ricardo Vélez Rodríguez passou três horas na Comissão de Educação do Senado no dia seguinte à divulgação de sua peça de propaganda política do governo que deveria ser lida nas escolas para gerar vídeos que seriam usados como peça de propaganda. Falou em volta do ensino de educação moral e cívica (rebatizada de educação para a cidadania), chamou ensino médio de segundo grau e demonstrou que olha a Educação pelo prisma da ideologia e da nostalgia. Enquanto isso, o MEC está parado. Em sua curta passagem pela pasta no governo Temer, Mendonça Filho promoveu avanços significativos. Foram aprovadas a reforma do ensino médio e a Base Comum Curricular, para ficar em duas medidas que representaram uma guinada não apenas retórica na política petista. Mas há metas a serem perseguidas: a formulação de currículos a partir da Base Comum, a expansão da rede de ensino médio em tempo integral e a expansão da rede de educação infantil.

 

O GLOBO

Bernardo Mello

As confissões de Cabral e a Lava-Toga
Sérgio Cabral demorou dois anos e três meses para admitir o que todo mundo já sabia: ele montou uma quadrilha para saquear os cofres do estado. A confissão do ex-governador não é uma novidade em si. A notícia está no que ele pode vir a contar.
Cabral governou o Rio por dois mandatos. Somando o período do sucessor, Luiz Fernando Pezão, comandou a política fluminense por 12 anos. Apesar de todas as revelações da Lava-Jato, ele simulava indignação ao ser questionado sobre o esquema. “Que maluquice é essa?”, reagiu, há oito meses, quando o juiz Marcelo Bretas mencionou a cobrança de propina em obras.
Ontem o ex-governador adotou um tom diferente. Mais humilde, disse ter desenvolvido uma relação de “apego” com o dinheiro e o poder. “Isso é um vício”, afirmou, sem pedir desculpas às vítimas da roubalheira. A confissão tardia é melhor do que nada, mas está longe de justificar algum benefício penal.
Se a lógica das delações premiadas é chegar ao topo das quadrilhas, Cabral tem pouco a acrescentar sobre a corrupção no Executivo fluminense. Ele era o chefe da organização criminosa que se instalou no Palácio Guanabara. Seus principais escudeiros já foram presos. O vice, que herdou a cadeira e comando do esquema, está na cadeia desde dezembro.
O Legislativo também foi depenado. A PF prendeu dez deputados estaduais, incluindo os últimos dois presidentes da Assembleia Legislativa. A devassa se estendeu ao Tribunal de Contas do Estado, que nunca se mexeu para conter os desvios da gangue. Dos sete conselheiros do órgão, seis foram afastados.
Até aqui, o Judiciário é o único Poder que não foi atingido em cheio pela Lava-Jato. Isso tende a mudar se o réu confesso começar a abrir seus arquivos.
Em conversas reservadas, Cabral tem indicado disposição para revelar segredos da magistratura. Além de influir em decisões do Tribunal de Justiça do Rio, ele apadrinhou a indicação de ao menos quatro ministros do STJ e um ministro do Supremo. Uma delação do ex-governador pode ser o ponto de partida para a aguardada operação Lava-Toga.

As confissões de Cabral e a Lava-Toga
Sérgio Cabral demorou dois anos e três meses para admitir o que todo mundo já sabia: ele montou uma quadrilha para saquear os cofres do estado. A confissão do ex-governador não é uma novidade em si. A notícia está no que ele pode vir a contar.
Cabral governou o Rio por dois mandatos. Somando o período do sucessor, Luiz Fernando Pezão, comandou a política fluminense por 12 anos. Apesar de todas as revelações da Lava-Jato, ele simulava indignação ao ser questionado sobre o esquema. “Que maluquice é essa?”, reagiu, há oito meses, quando o juiz Marcelo Bretas mencionou a cobrança de propina em obras.
Ontem o ex-governador adotou um tom diferente. Mais humilde, disse ter desenvolvido uma relação de “apego” com o dinheiro e o poder. “Isso é um vício”, afirmou, sem pedir desculpas às vítimas da roubalheira. A confissão tardia é melhor do que nada, mas está longe de justificar algum benefício penal.
Se a lógica das delações premiadas é chegar ao topo das quadrilhas, Cabral tem pouco a acrescentar sobre a corrupção no Executivo fluminense. Ele era o chefe da organização criminosa que se instalou no Palácio Guanabara. Seus principais escudeiros já foram presos. O vice, que herdou a cadeira e comando do esquema, está na cadeia desde dezembro.
O Legislativo também foi depenado. A PF prendeu dez deputados estaduais, incluindo os últimos dois presidentes da Assembleia Legislativa. A devassa se estendeu ao Tribunal de Contas do Estado, que nunca se mexeu para conter os desvios da gangue. Dos sete conselheiros do órgão, seis foram afastados.
Até aqui, o Judiciário é o único Poder que não foi atingido em cheio pela Lava-Jato. Isso tende a mudar se o réu confesso começar a abrir seus arquivos.
Em conversas reservadas, Cabral tem indicado disposição para revelar segredos da magistratura. Além de influir em decisões do Tribunal de Justiça do Rio, ele apadrinhou a indicação de ao menos quatro ministros do STJ e um ministro do Supremo. Uma delação do ex-governador pode ser o ponto de partida para a aguardada operação Lava-Toga.

Lauro Jardim

A tropa de Kassab e a cantada da turma de Bolsonaro
Um governo antipático a partidos políticos não pode esperar agrados vindo das legendas.
Marx Beltrão procurou os colegas da bancada do PSD da Câmara para dizer que foi sondado para assumir a vice-liderança do governo e saber o que eles achavam da ideia.
A maioria o aconselhou a não embarcar na nau de Bolsonaro.
A turma pediu para, caso aceite o eventual convite, deixe claro que trata-se de um movimento individual, ou seja, que a bancada não se moverá um milímetro na direção do Planalto.

O preferido de Robson
Nem que quisesse, Robson Andrade conseguiria esconder que Paulo Afonso Ferreira é o favorito para substitui-lo no comando da CNI, na eleição marcada para amanhã.
No início do ano, quando tirou uns dias de folga, Robson escolheu Ferreira para tocar a lojinha na sua ausência.
A propósito, na CNI dá-se como certo o retorno do chefe daqui a 90 dias, quando expira o prazo estabelecido pela Justiça para que ele fique longe da presidência.

Governo perde pontos na bancada ruralista
Rogério Marinho recebeu a bancada ruralista ontem para fazer uma explanação sobre a proposta de reforma da Previdência.
Ao fim do bate-papo, o governo corre o risco de ter perdido mais votos do que conquistado.
As excelências não conseguiram tirar todas as dúvidas e foram embora com medo de chegar em seus estados e gaguejar quando forem cobradas a explicar suas posições a respeito do assunto.

Beltrame não é citado por Cabral entre os secretários que não sabiam de propina
No depoimento que Sérgio Cabral prestou ao juiz Marcelo Bretas, o ex-governador declarou que alguns secretários sabiam do recebimento de propinas e outros não.
Cabral citou apenas quatro nomes de secretários que não tinham conhecimento das roubalheiras que ele organizava: Renato Villela e Joaquim Levy, que ocuparam a Fazenda; e Nelson Maculan e Wilson Risolia, que comandaram a Educação.
Chamou atenção o fato de Cabral não ter incluído na lista o nome o seu secretário de Segurança, José Mariano Beltrame.
Em abril passado, uma reportagem do GLOBO revelou que em sua delação Carlos Miranda, operador de Cabral, garantiu que Beltrame recebia propina. Na época, Beltrame negou.

Cabral pode ser transferido de Bangu
Sérgio Cabral vem desde a semana passada despejando alguma coisa do que sabe e do que fez, jogando a propina recebida por ele e por seus comparsas no ventilador.
Um dos benefícios a que ele poderá ter direito por ter aberto o bico é sua transferência de Bangu 8 para o presídio de Benfica, onde as condições são menos piores.

PCO foi o líder em candidaturas indeferidas nas eleições de 2018
O Partido da Causa Operária foi o que mais teve candidaturas indeferidas nas eleições do ano passado. Um levantamento inédito da ONG Transparência Partidária revela que 55% das candidaturas do PCO foram barradas pela Justiça Eleitoral. Entre os partidos com maior representatividade, o PT foi o que mais teve candidaturas indeferidas, 8%. E DEM e o PR o que tiveram menos, 3%.

Marido de juíza que bloqueou R$ 550 milhões de Perillo: demitido e agora readmitido no governo de Goiás
O marido da juíza Zilmene Manzolli, que na semana passada bloqueou R$ 550 milhões de Marconi Perillo, trabalhou na administração do ex-governador de Goiás, e agora, trabalha para o atual, o adversário político de seu ex-chefe, Ronaldo Caiado.
Pedro Manzolli Neto dava expediente em um cargo comissionado na Secretaria de Fazenda de Goiás, nomeado por Perillo, de 2005 a 2014, quando o próprio Perillo, de volta ao cargo, exonerou os servidores da categoria da qual ele fazia parte.
No início do ano, Manzolli foi nomeado assessor especial da Secretaria de Gestão e Planejamento do governo de Ronaldo Caiado.
A juíza bloqueou os bens de Perillo em um processo a que o ex-governador responde por improbidade administrativa.

Na fila da Ideia Legislativa
Desde janeiro, cerca de 1,4 mil pessoas enviaram propostas de projetos de lei ao portal Ideia Legislativa, uma ferramenta de participação popular do Senado. São 2,2 mil sugestões até agora.
A tendência, porém, é que apenas uma pequena parte delas seja apreciada na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa da casa — onde podem virar projeto de lei. Para chegar aos senadores, é preciso que a ideia seja “apoiada” por 20 mil usuários em 4 meses.
Atualmente, 59 propostas populares tramitam na comissão. A mais antiga delas é o “Fim da imunidade tributária para as entidades religiosas (igrejas)”, sugerida em março de 2015 e ainda sem parecer dos parlamentares.
Outras 22 ideias, mais recentes, aguardam para serem apreciadas. A mais popular é o “Afastamento definitivo e absoluto de político condenado”, apoiado por 93 mil pessoas.
“Realização de exame toxicológico para matrículas e rematrículas em universidades públicas” e “Revogação da Lei Rouanet” também estão na fila, com 65,9 mil e 27,9 mil “apoios”.

Bebianno e o PSL do Rio
A chance de Gustavo Bebianno ter algum cargo executivo no PSL do Rio de Janeiro é zero. No diretório estadual fluminense quem manda é Flávio Bolsonaro.
Bebianno, contudo, permanece como membro da executiva nacional do partido.

R$ 100 bilhões do BNDES ao Tesouro em suspenso
A longa entrevista de Joaquim Levy ao “Valor Econômico” de hoje contém uma indefinição que pode afetar o ajuste fiscal e, por tabela, a política monetária.
O presidente do BNDES afirmou que o banco ainda não definiu o cronograma de devolução dos R$ 100 bilhões ao Tesouro, como quer o seu chefe, Paulo Guedes.
Disse Levy:
— Ainda é cedo para dizer qual vai ser o volume (…) da devolução efetiva de recursos ao Tesouro.
Em 6 de janeiro, o ex-diretor financeiro do BNDES Carlos Thadeu de Freitas afirmou ao próprio “Valor” que a devolução seria de R$ 100 bilhões.
O Ministério da Economia tem cobrado essa devolução dos recursos ao BNDES. Ainda restam R$ 260 bilhões a serem quitados ao Tesouro Nacional.
A área financeira do BNDES entrou em contato para esclarecer alguns pontos da nota acima. Eis o texto: “Dentro do BNDES não há dúvidas da determinação do presidente do banco, Joaquim Levy, em promover a devolução dos recursos que a instituição ainda deve ao Tesouro. Aliás, nunca houve a discussão entre devolver ou não devolver e quanto pagar este ano. Essa etapa já é considerada como matéria vencida. A grande questão a ser decidida hoje é o como fazer. A situação atual destes recursos não interfere em nada a política fiscal porque esse dinheiro não pode ser usado pelo governo para engordar o resultado primário. Quem está preocupado que isso possa afetar de alguma forma o ajuste pode ficar tranquilo. O impacto da antecipação neste caso não existe, nem no resultado primário do governo, nem na política monetária. Além disso, o BNDES remunera ao Tesouro integralmente, em 100%, o custo de captação destes recursos. Ou seja, os cofres públicos não perdem um centavo sequer. O que está sendo discutido de fato é como fazer a devolução de forma que ela esteja coordenada à melhor estratégia de atuação do banco. O objetivo desta operação precisa estar definido. E é isto que está sendo construído. Daí Joaquim Levy estar sendo bastante cuidadoso com as palavras nas manifestações que tem feito sobre o tema. É importante que a devolução seja previamente bem amarrada para que tudo pare em pé e fique plenamente enquadrada na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). A LRF impede expressamente que bancos públicos sejam usados pela financiar a União. Joaquim Levy tem experiência no assunto. Além de promover as “despedaladas” do governo Dilma, foi ele que iniciou o processo de antecipação das devoluções do BNDES e teve a primeira operação ratificada pelo TCU.”)

A CNI vai trocar de presidente para continuar a mesma
Paulo Afonso Ferreira, presidente da federação das indústrias de Goiás, franco favorito para a eleição à presidência da CNI, na quinta-feira, será um continuador do trabalho e das práticas de Robson Andrade no comando da entidade.
Ferreira é ligadíssimo a Andrade. É o dirigente da CNI que atua defendendo os interesses da entidade no Congresso.

Merval Pereira

Escolas com (outro) partido
Está tudo errado na “sugestão” do ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, para que as escolas coloquem seus alunos cantando o Hino Nacional, o que foi mantido ontem, apesar da polêmica que provocou. E indica que o governo que denuncia a partidarização das escolas no governo petista quer apenas trocar de partido.
Retirar o slogan político da campanha de Bolsonaro é o de menos, mas colocá-lo na mensagem oficial indica que o novo ministro da Educação tentou infiltrar nas escolas do país uma propaganda política do governo a que serve. Só não conseguiu porque seu abuso de poder foi denunciado.
Mandar pedir autorização dos pais para que seus filhos sejam filmados, também, é só uma questão de cumprir a legislação em vigor. Mas indica que o governo estava se preparando – e pelo visto continua com a ideia – para promover campanhas “educativas” utilizando-se dos alunos e professores. O problema maior é o subterfúgio usado para implementar uma promessa de campanha do presidente eleito.
Durante a campanha eleitoral, tanto Jair Bolsonaro quanto seus filhos prometeram que o Hino Nacional voltaria a ser cantado nas escolas brasileiras.
O Ministério da Educação (MEC) afirma que se trata de um “pedido de cumprimento voluntário” e que os diretores que quiserem seguir a recomendação do ministro devem ler a carta aos alunos no primeiro dia letivo deste ano.
Ora, para as escolas particulares, não haverá muito problema em recusar a “sugestão” do ministro. Mas, e as escolas públicas? Terão seus diretores segurança para recusar a proposta do ministro? Outra questão grave é a permissão dos pais para que seus filhos sejam filmados.
Não me parece uma solução, pois também nas escolas públicas do país a maioria dos pais se sentirá constrangida diante de um pedido da diretoria da escola. Especialmente nas regiões menos desenvolvidas.
Quem se recusar, qual garantia terá de que não será perseguido, do ponto de vista institucional, no caso dos diretores discordantes, ou do pessoal, no caso de constrangimento para assinar a autorização? E os alunos que se recusarem, que ambiente passarão a ter nas suas escolas?
O ministro Vélez Rodríguez diz, com razão, que cantar o hino nacional “não é constrangimento, é patriotismo”. Mas patriotismo só é imposto em governos autoritários. É um sentimento de pertencimento que move muitos cidadãos espontaneamente. Ninguém precisa mandar a torcida brasileira cantar o Hino Nacional, às vezes à capela. Estímulos oficiais pelo patriotismo podem levar a frases como o de Samuel Johson, que dizia que o patriotismo é o ultimo refúgio do canalha”.
Uma sugestão dessas só poderia ser feita pelo MEC depois de ouvidas as entidades ligadas à educação, num ambiente institucional adequado, certamente o Conselho Nacional de Educação (CNE).
Não se trata de concordar ou não com cantar o hino, mas de uma orientação oficial que muda o cotidiano das escolas. A recomendação lembra o governo Vargas, que estimulava esse tipo de “patriotada”, ou a implantação das matérias Estudo de Moral e Cívica (EMC) e a Organização Social e Política do Brasil (OSPB), que se tornaram obrigatórias no currículo das séries dos hoje ensinos fundamental e médio em 1969, em substituição a sociologia e filosofia. Aliás, a volta dessas duas matérias está nos planos do novo governo. O Hino Nacional seria apenas o começo.
Mas, mesmo na ditadura, essas mudanças no currículo seguiram os trâmites legais, sendo aprovadas no Conselho Nacional de Educação. No governo Temer, em 2017, o Ministério da Educação decidiu promulgar a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do Ensino Médio, com alcance para todos os alunos da Educação Básica no Brasil, depois de amplo debate no Conselho Nacional de Educação e também no Congresso Nacional.
É uma norma de Estado e, como disse na ocasião da sua aprovação o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), “deve ser implementado independentemente de quem esteja no governo federal ou estadual”. O mesmo Consed protestou contra a “sugestão” do ministro da Educação.
Segundo especialistas, são a autonomia e a liberdade do ensino que estão em jogo, e sem isso não existe aprendizado, existe controle mental, o que é bem grave do ponto de vista, inclusive, legal.

Depoimento de Cabral não comove
O depoimento do ex-governador Sergio Cabral ao juiz Marcelo Bretas não me comove; ao contrário, me embrulha o estômago, pois ele continua com a mesma empáfia que tinha antes de ir para a cadeia e falando da mesma maneira de quando negou seus crimes. É duvidosa a afirmação de que resolveu confessar apenas para preservar a família e ficar tranquilo com a consciência, sem qualquer interesse próprio. Será que vai ficar preso 30 anos sem fazer acordo com a justiça para encurtar a pena?

Miriam Leitão

O desemprego não cede
Ano novo, velhos problemas. O mercado de trabalho repetiu no trimestre até janeiro as fragilidades que apresentava nos últimos meses de 2018. O desemprego ficou em 12%, ou apenas 0,2 ponto a menos que no mesmo período do ano anterior. O IBGE considera a pequena variação como “estabilidade”.
Até meados de 2018, o ritmo da queda anual era mais intenso, de 0,6 ponto percentual. Com o desemprego praticamente estável nesses níveis, o consumo não deslancha e trava a recuperação. O país tem 12,7 milhões de desempregados, o mesmo que há um ano.
É verdade que a população ocupada cresceu, alta de 0,9%. São agora 92,5 milhões de pessoas com emprego. Mas isso só acompanha o aumento da população em idade de trabalhar, que avançou o mesmo 0,9%, de acordo com relatório do Goldman Sachs.
O tipo de ocupação também importa na análise. O emprego com carteira assinada ficou estável na comparação anual. O que puxou o aumento no número de empregados foi o mercado informal (mais 320 mil vagas em um ano) e os trabalhos por conta própria (mais 719 mil). O resultado é que a massa de rendimentos não cresceu no confronto com o ano anterior. A precariedade dessas vagas é outra barreira para a volta do consumo.

Bolsonaro nada ganha ao ligar sua imagem a um ditador sanguinário
O presidente Jair Bolsonaro tratou como “estadista” o ditador Alfredo Stroessner, militar que governou o Paraguai entre 1954 e 1989. A ficha desses 35 anos é extensa. Foram assassinadas de 3 mil a 4 mil pessoas, de acordo com a comissão da verdade de lá. Mais de 18 mil sofreram torturas, até crianças e adolescentes foram presos. O atual presidente paraguaio, Mario Abdo Benítez, ouviu o elogio de Bolsonaro e não repercutiu a fala. O seu país não concorda com essa visão do presidente brasileiro. A posição de Bolsonaro é intrigante.
Stroessner se destacou também pela corrupção. Montou uma cleptocracia, roubou para si e para o seu grupo no poder. Drenou a economia do Paraguai assim. Portanto, até se diferencia dos ditadores brasileiros, que cumpriam mandato e deixavam o cargo. Não há contra eles a acusação de roubos sistemáticos como se viu no Paraguai.
Bolsonaro é admirador de ditaduras latino-americanas, ele já disse isso antes. Mas não se sabe por que o presidente, constitucionalmente eleito, tenta ligar a sua imagem a uma pessoa com um histórico tão ruim. Ele não elogia o que os governos autoritários fizeram de bom, uma obra específica, por exemplo. Bolsonaro prefere chamar de “homem de visão” e “estadista” um assassino, sanguinário, torturador e corrupto como foi Stroessner. Uma fala lamentável do presidente brasileiro.

Transição no BC já estava em curso
O Senado aprovou na terça-feira o nome de Roberto Campos Neto para a presidência do Banco Central. Ele substituirá Ilan Goldfajn e a expectativa é de continuidade no trabalho. A transição, inclusive, já começou. Os assessores do novo presidente estavam no BC na semana passada, acompanharam até a produção da entrevista que fiz com Ilan.
O único ponto um pouco divergente falado por Campos Neto na sabatina é que o país talvez não precise de tantas reservas cambiais.
Nesses dois meses de governo, muitos problemas já surgiram. Mas a indicação para o Banco Central teve apoio maciço e a previsão é de continuidade no trabalho de Ilan, que foi bastante elogiado. A gestão dele atravessou momentos de dificuldade com sabedoria e cautela. Conseguiu reduzir a inflação e também os juros, hoje no menor nível da era do real.

Negociação política falha tem um custo para a economia
A descoberta dos esquemas de corrupção traumatizou o país e provocou uma confusão sobre o que é fazer política. A impressão é que há uma simbiose entre as duas coisas. Mas não necessariamente a negociação política tem que resultar em desvios. O próprio governo está com dificuldade em compreender essa diferença. O entendimento sobre isso é importante para o país. Sem a política, não haverá melhora na economia, que precisa da aprovação de reformas.
Os parlamentares se queixam. Dizem que não sabem quem é o interlocutor do governo no Congresso. A reunião de terça-feira foi um bom passo. Jair Bolsonaro chamou deputados aliados para conversar. Ele é o presidente dessa coalizão, tem mesmo que dialogar com a base.
É normal que o político defenda suas ideias e melhorias na região que o elegeu. É normal até que ele queira indicar um quadro técnico e qualificado para o governo. O anormal é colocar uma pessoa sem a qualificação em um cargo para conseguir vantagens ao parlamentar que o indicou, é aprovar uma obra desnecessária ou acima do preço. Isso não pode acontecer.
O governo, com dificuldade em entender a diferença, não tem feito política. Mas não há essa possibilidade. O governo é de coalizão, precisa de interlocutores com o Congresso. Ao nomear líderes sem experiência sobre o regimento, o Planalto corre um risco. O deputado Major Vitor Hugo, líder do governo na Câmara, convocou uma reunião que foi boicotada pelos partidos. É um exemplo da liderança que não lidera.
A negociação política tem que continuar existindo. Sem a política, não haverá projeto econômico.

A economia depois da Previdência
A aprovação da reforma da Previdência pode evitar o pior, mas ela sozinha não garante o cenário que está sendo vendido por alguns integrantes do governo e os mais entusiastas do mercado financeiro. Alguns economistas, mais realistas, calculam que mesmo com a aprovação da reforma o teto de gastos não se sustentará nos próximos anos. Outras medidas no campo fiscal terão que ser implementadas para aumentar a competitividade e acelerar o crescimento do PIB. Mas antes disso será preciso aprovar a reforma. Não será fácil.
Há uma tendência entre defensores da reforma de apresentá-la como uma panaceia. Ela é absolutamente indispensável, mas é o primeiro passo de uma difícil caminhada para resolver problemas crônicos do país. O economista Pedro Schneider, especialista em política fiscal do Itaú Unibanco, fez um cálculo a pedido da coluna. Mediu o impacto da reforma sobre a despesa primária do governo. Hoje, a Previdência consome 58% do Orçamento e, mesmo com a economia prevista de R$ 1,1 trilhão em 10 anos, esse percentual subirá 17 pontos percentuais, até alcançar 75% no fim desse período. Por causa desse forte crescimento, o teto de gastos aprovado pelo governo Temer, e que congela as despesas em termos reais, não ficará de pé. A Previdência continuará drenando recursos da saúde, educação, dos investimentos e de várias outras áreas cruciais para o país.
— A reforma da Previdência não é suficiente nem para o teto de gastos, nem para o reequilíbrio fiscal. O teto de gastos precisa de medidas além da Previdência, já em 2020, dado que o impacto da reforma é mais de médio prazo. As medidas principais, além da reforma, são a redefinição da regra de reajuste do salário mínimo e o controle de reajustes do funcionalismo público — disse Schneider.
Como não foi aprovada a reforma do governo Temer, o país perdeu tempo. Muito provavelmente este ano será consumido pela tramitação da nova PEC. O governo prevê que a reforma será aprovada nas duas Casas do Congresso até junho, mas não explica como se dará uma tramitação tão célere de uma proposta que já enfrenta bloqueios e críticas. É preciso ficar atento ao risco sobre o qual o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, está alertando: o de perder a batalha da comunicação. Maia alerta que não há ganho visível com a medida que muda o Benefício de Prestação Continuada (BPC), ou a que iguala idade mínima de homem e mulher na área rural, dado que na área urbana as idades são diferentes. Podem ser bodes na sala. Ou serem equívocos que elevarão resistência ao projeto.
Os técnicos do governo garantem que o projeto vai gerar uma economia de R$ 1,1 trilhão em dez anos, mas o relator da PEC 287, de Temer, deputado Arthur Maia (DEM-BA), duvida, argumentando que não há tanta diferença entre o substitutivo dele, que economizaria, R$ 450 bilhões, do projeto atual que reduziria o gasto em mais que o dobro disso.
São parecidos em vários pontos, mas o atual é mais abrangente e tem regras de transição mais curtas. Até chegar ao Congresso a proposta dos militares, a PEC da reforma ficará em banho-maria. Se a mudança dos militares vier com um plano de carreira que eleve salários, vai ser outro ponto de polêmica. Até agora já se sabe que a paridade e a integralidade serão mantidas. Isso será um problema enorme para as finanças estaduais, por causa dos gastos com a Polícia Militar.
Muitas polêmicas começam a se formar. Algumas são criadas por grupos que têm muitas vantagens em deixar tudo como está, outras são produzidas pela incapacidade que o governo demonstrou até agora de ter boa comunicação e boa articulação. Há outras críticas, como a do senador Randolfe Rodrigues, da Rede. Com a autoridade de quem abriu mão do direito à aposentadoria especial dos políticos, o senador critica o fato de as regras não serem mais duras para os que têm mandato atualmente. Só os futuros políticos serão enquadrados. Randolfe poderia requerer aposentadoria ao fim do atual mandato, com 16 anos de senatoria. Esses pontos vão ser usados por quem não quer a reforma de maneira alguma. E a Previdência é só a primeira batalha da economia brasileira.

Mesmo nessa época de discórdias, presidente do BC é aprovado por unanimidade em comissão
Foi por unanimidade que a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado aprovou o nome de Roberto Campos Neto para comandar o Banco Central. O placar de 26 a zero é um bom sinal nesse tempo em que o debate está repleto de desavenças. A CAE também aprovou Bruno Fernandes e João Manoel Pinho de Mello para a diretoria. As indicações seguem para o plenário.
Campos Neto aproveitou a sabatina para defender projetos em tramitação no Congresso, como a lei que dará autonomia formal ao BC. Ele defende que a medida contribui para a queda da taxa de juros. Nas palavras de Campos Neto, a garantia “trará ganhos para a credibilidade da instituição e para a potência da política monetária.” Os novos dirigentes reconheceram que o sistema financeiro é concentrado e que o spread, a diferença entre os juros da captação e a taxa cobrada pelos bancos aos consumidores, não é “adequado”.
Vem aí uma gestão de continuidade. Campos Mello adotou até o vocabulário que o BC tem usado. Usou no discurso as palavras “cautela”, “serenidade” e “perseverança”. A transição tem tudo para ser tranquila. A gestão de Ilan Goldfajn já preparou os detalhes para a passagem do cargo para o novo presidente.

Venezuela precisa de uma transição para a democracia sem intervenção militar
O Brasil busca uma forma de ajudar a Venezuela no caminho da democracia e da recuperação econômica. Não será simples. A questão-chave para a transição talvez seja estabelecer o diálogo diplomático pelos canais militares. O Brasil tem um papel importante na tentativa de diálogo com as Forças Armadas da Venezuela. Uma intervenção estrangeira seria desastrosa.
O chavismo arregimentou uma série de tropas no país. Esse conjunto de forças protege o governo Maduro até da impopularidade interna, o que deu a ele a oportunidade de vencer a queda de braço sobre a entrada da ajuda humanitária no fim de semana.
Além das Forças Armadas, o chavismo montou a Guarda Nacional Bolivariana, a Polícia Nacional Bolivariana e as milícias, que teriam atualmente 1,5 milhão de participantes. Em 2003, no Palácio de Miraflores encontrei panfletos explicando como as pessoas deveriam organizar os milicianos. Há ainda os colectivos. O embaixador Rubens Ricupero conta sobre o perigo desses grupos. Os participantes atuam fora da lei, misturam tráfico de drogas com outros tipos de crimes e apoiam o governo, que em troca lhes fornece armas.
Faz bem o vice-presidente Hamilton Mourão em sua defesa contra uma aventura militar na Venezuela. O que pior poderia acontecer era o Grupo de Lima aprovar uma ação militar americana no continente. Seria um desastre. O Brasil vive em paz com seus vizinhos, o último conflito foi há um século e meio. O vice tem dado o tom neste momento tão tenso na fronteira.
Uma sugestão é levar Nicolás Maduro à corte internacional. Essa proposta já foi discutida aqui na região na época do governo Temer, que se absteve. A justificativa é que os países não poderiam fechar todas as saídas de Maduro. A ameaça de terminar como um ditador condenado agravaria a reação. A ideia é encontrar uma porta de saída para ele. O que se deve trabalhar arduamente, por todos os canais, é levar a Venezuela para novas eleições, com fiscalização internacional. O país assim poderá iniciar sua recuperação na economia.

Reforma dos militares trará ganho menor que fim do abono para quem ganha dois salários
A política está mapeando os pontos da reforma que serão muito atacados e trarão poucos ganhos fiscais. Um deles é a proposta para a previdência dos militares, que ainda não foi apresentada. Quando for, trará duas condições que os servidores civis não terão. O reformado terá o direito de se aposentar com o último salário e receberá os aumentos concedidos para os ativos. O governo calcula que terá mais economia com o fim do abono salarial para quem ganha dois salários mínimos do que com a mudança no sistema dos militares. A articulação política do governo será colocada à prova.
O outro ponto de ataque já identificado é o BPC. O Benefício de Prestação Continuada, destinado aos idosos pobres e portadores de deficiência, é atualmente de um salário mínimo, concedido para quem tem a partir de 65 anos. Passará a ser de R$ 400, concedido aos 60 anos. Só aos 70 anos o beneficiário receberá um salário mínimo. Não trará ganho fiscal algum. Como atinge os muito pobres, vai provocar perdas no debate.
A regra para os políticos será também um foco de polêmica. Eles passarão a seguir as regras do INSS para se aposentar. Mas elas só valerão para os que forem eleitos depois da reforma. O senador Randolfe Rodrigues deu seu exemplo. Ele abriu mão da previdência, mas se quisesse poderia pedir a aposentadoria ao fim deste mandato, quando completa 16 anos de contribuição.

Carta do ministro Vélez mistura Estado e governo, típico de regimes autoritários
O ministro da Educação conseguiu conjugar diversos erros num ato só. Ricardo Vélez Rodríguez enviou carta a escolas pedindo que alunos sejam gravados cantando o hino e repetindo o slogan de campanha do atual presidente.
É claro que a sociedade quer que as crianças aprendam o hino, entendam sobre o país e admirem a bandeira nacional. Faz parte da formação do pertencimento a uma pátria. Isso tem que ser natural. Os símbolos nacionais são do país. A pátria é permanente, já o governo é transitório. Não se pode confundir uma coisa e outra. Só os regimes autoritários misturam pátria e governo.
Na época da ditadura, aquele governo tentava incutir nos estudantes que amar a pátria era amar o governo. Ame o governo ou deixe o país. Essa mistura é perniciosa.
A mensagem de Vélez tem outros pontos absurdos. Filmar as crianças é um constrangimento. Além disso, elas só poderiam ser usadas em propagandas com autorização dos pais.
O país tem inúmeros problemas no aprendizado dos alunos e o ministro se envolve em temas sem importância. Vélez chegou a dizer em entrevista que os brasileiros em viagem se comportam como “canibais” que roubam toalhas em hotéis.
Vélez é o tempo inteiro inadequado. Não discute o essencial sobre a educação, tema em que cada vez mais brasileiros procuram se envolver para melhorar o aprendizado dos alunos. O ministro desvia o olhar do principal e demonstra uma incapacidade de avaliação das mais mínimas questões que envolvem a educação brasileira.
O governo terminará em 2022. O Brasil, a bandeira, o hino, os símbolos pátrios permanecerão porque são parte do pertencimento brasileiro.

BLOG DO CAMAROTTI
Gerson Camarotti

Governo quer evitar qualquer atrito diplomático na fronteira para não dar pretexto à Venezuela
Depois do momento de maior tensão no fim de semana com a tentativa de ajuda humanitária, a ordem no governo brasileiro é evitar qualquer tipo de pretexto na fronteira de Roraima com a Venezuela para evitar um atrito diplomático. A avaliação é que a situação está mais tranquila na região entre os dois países.
Segundo integrantes do governo brasileiro, a determinação permanece evitar qualquer tipo de movimento favorável de intervenção militar no país vizinho. Essa foi uma das possibilidades colocadas pelos Estados Unidos, mas rejeitada pelo Grupo de Lima.
Nas palavras de um integrante do Palácio do Planalto, qualquer ação militar na Venezuela causaria muito problema ao Brasil, já que criaria instabilidade na América do Sul, e especialmente na região de fronteira.
Por isso mesmo, a estratégia defendida permanece a da pressão diplomática. E da possibilidade de ganhar o apoio da casta militar – principalmente de generais – que tem dado o suporte para a manutenção do regime Maduro.

Governo diz a aliados que vai liberar recursos e analisar indicações para cargos
O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, informaram a deputados aliados que o governo vai liberar recursos das emendas e analisar as indicações dos parlamentares para cargos nos estados, informa o repórter Nilson Klava, da GloboNews.
Bolsonaro e Onyx se reuniram nesta terça-feira (26) com líderes da base para discutir a articulação política do governo e as medidas necessárias para aprovar a reforma da Previdência Social.
Onyx disse que começará a se reunir com as bancadas estaduais e partidárias depois do carnaval para começar a analisar todas as demandas. Disse também que, além das emendas impositivas dos parlamentares reeleitos, irá conversar com o ministro da Economia, Paulo Guedes, para encontrar meios para liberação de recursos para os novos parlamentares.
Na reunião com o PSL, na semana passada, o governo sinalizou que deve liberar entre R$ 2 milhões e R$ 3 milhões aos novos parlamentares, além de destinar outros R$ 2 milhões a cada um para conclusão de obras inacabadas nos estados.
“Foi uma sinalização boa, um início, mas ainda está engatinhando”, disse um líder que esteve presente à reunião desta terça-feira.
O presidente e o ministro também ouviram uma série de reclamações dos aliados. Deputados reclamaram da falta do diálogo do governo, falaram que alguns ministros estão criando dificuldades para receber parlamentares.
Durante a reunião, o presidente, mais uma vez, disse que errou ao ser contra a reforma da previdência em projetos anteriores e sinalizou que o governo está disposto a fazer concessões para aprovar as mudanças na aposentadoria. “A reforma vai ser a possível”, disse o presidente.

 

BLOG DA CRISTIANA LOBO

Rodrigo Maia transmite otimismo ao mercado ao falar sobre reforma da Previdência
Ao participar nesta terça-feira (26) de um encontro com representantes do mercado financeiro, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), transmitiu otimismo em relação ao andamento da proposta de reforma da Previdência.
Embora faça reparos à articulação política do governo, Rodrigo Maia prevê que, com alguns ajustes, a reforma deve ser aprovada pela Câmara. No mercado, um ponto central é a fixação da idade mínima para trabalhadores do setor privado, setor público e rurais.
Diante das declarações públicas de Maia, considerado um importante aliado da agenda das reformas, o presidente Jair Bolsonaro reuniu-se com líderes aliados e designou a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) para a liderança do governo no Congresso – movimento que teve o apoio aberto de Rodrigo Maia.
No Senado, Bolsonaro referendou a sugestão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, de ter o senador Fernando Bezerra Coelho (MDB) na liderança na Casa.
Com o objetivo de reunir os votos necessários para aprovar a reforma da Previdência, Rodrigo Maia tem avaliado que o governo precisará de algo como 20 votos de partidos de oposição.
A maior atenção é dedicada ao PDT, que teve na disputa eleitoral o candidato Ciro Gomes defendendo que as mudanças nas regras da Previdência passassem por uma transição para o modelo de capitalização, tal como aconteceu no Chile.
É por isso que Rodrigo Maia tem trabalhado com a possibilidade de ter na presidência da Comissão Especial que vai analisar a proposta do governo alguém do PDT – no caso, o deputado Mauro Benevides Filho, um dos principais assessores de campanha de Ciro e que defende o sistema de capitalização.
“Tem de haver contribuição também do empregador”, disse Maia ao blog, nesta terça-feira, lembrando que os economistas se espelham nas mudanças feitas no Chile, mas que, agora, o governo chileno propõe mudança para incluir exatamente uma contribuição para o empregador.
Depois de adiar a instalação da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, movimento que ajuda o governo porque dá tempo para o Planalto organizar a base, Rodrigo Maia avalia nomes para a relatoria da proposta.
O objetivo dé fazer isso logo depois do carnaval para que o atraso se resuma a apenas um dia, uma vez que a contagem de prazo é feita somente incluindo dias de sessão. Depois disso, a ideia é tentar acelerar a tramitação sem que a oposição, que também o apoiou na disputa pela presidência da Casa, se sinta ferida em seus propósitos na discussão da reforma da previdência.

 

BLOG DO VALDO CRUZ

Para evitar nova derrota, Bolsonaro revoga decreto sobre sigilo de dados públicos
Governo estuda revogar decreto do sigilo de documentos
O presidente Jair Bolsonaro assinou nesta terça-feira (26) a revogação do decreto que ampliou o número de servidores autorizados a impor sigilo a documentos públicos.
Na semana passada, a Câmara aprovou a suspensão do decreto, e a decisão de Bolsonaro foi tomada após o governo ser avisado que sofreria uma nova derrota, desta vez no Senado.
A revogação do decreto foi publicada na edição desta quarta (27) do “Diário Oficial da União”.
Segundo apuraram o blog e o repórter Nilson Klava, da GloboNews, a recomendação para revogar o decreto foi apresentada pelo líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), que pediu ao presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), para adiar a votação no plenário.
O decreto foi assinado pelo vice-presidente Hamilton Mourão na condição de presidente da República em exercício e foi muito criticada por entidades que defendem a transparência pública.
“Aqui no Senado a pancada seria ainda maior. Eu mesmo sou contra o decreto”, disse, de forma reservada, um senador da base aliada.

Bolsonaro tem de ‘empoderar’ Onyx Lorenzoni, dizem líderes
Encaminhada a reforma da Previdência Social ao Congresso Nacional, os líderes da futura base aliada do presidente Jair Bolsonaro dizem que o diálogo com o governo ainda está muito desorganizado. O primeiro passo para superar essa dificuldade, segundo eles, é uma conversa formal com o presidente, que vai acontecer nesta terça-feira (26).
O segundo passo, e considerado o mais importante, destacam os líderes governistas, é que nesta conversa o presidente diga que irá “empoderar” o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, para conduzir as negociações com seus aliados.
Segundo eles, ainda há muito ruído na relação com o Legislativo, com alguns integrantes do Palácio do Planalto ainda demonstrando certa aversão às articulações com a base aliada.
“Empoderar” Onyx Lorenzoni significa dar a ele diretamente, e somente a ele, o poder de negociar a liberação de verbas de emendas parlamentares e a nomeação de cargos de segundo escalão nos estados.
Até agora, há a promessa de que isso seja feito, mas alguns assessores palacianos enviam mensagens em sentido contrário. Resultado: as negociações não andam e a base aliada está desarticulada no Congresso Nacional.
O encontro desta terça-feira entre Bolsonaro e líderes partidários será o primeiro depois que a proposta de reforma da Previdência Social foi encaminhada ao parlamento.
Os partidos governistas avaliam que há um consenso sobre a necessidade de se aprovar a medida, mas os deputados querem ouvir do presidente como será a parceria entre Palácio do Planalto e base de apoio. Principalmente, como eles irão ter condições de capitalizar a aprovação de uma proposta que, apesar de necessária, é impopular.
Enquanto isso, o secretário de Previdência, Rogério Marinho, corre para fechar a proposta de mudança nas regras de aposentadoria dos militares, ponto reclamado pelos líderes e colocado como condição para iniciar a análise da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Além disso, ele está se reunindo com bancadas para explicar os pontos da nova Previdência, principalmente, os que geraram mais questionamentos, como a aposentadoria do trabalhador rural e as mudanças no Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Marinho tem dito que não irá economizar nem sola de sapato nem saliva para explicar e negociar bem a reforma da Previdência. O ministro da Economia, Paulo Guedes, conta com a habilidade de seu assessor, que era deputado federal e conhece bem os caminhos do Legislativo, para diminuir as resistências e acelerar a votação da proposta.

 

CORREIO BRAZILIENSE

Brasília-DF
Denise Rothenburg

Governo vai demitir apadrinhados dos políticos
Ok, o presidente Jair Bolsonaro abriu o Alvorada para os líderes partidários simpáticos ao governo e que ainda não se consideram base. Mas nada vai se resolver com canapés e boca livre. Muitos líderes foram avisados de que os apadrinhados deles no governo estão para ser demitidos. É que o governo quer acabar com os chamados feudos de cada partido no Executivo, por isso, está disposto a trocar todos aqueles ocupantes de cargos de direção que tiveram indicação política. Nessa linha, Arthur Lyra, líder do PP, perderá a indicação da Codevasf de Alagoas e o próprio líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho, ex-ministro da Integração, verá os técnicos que colocou na Codevasf serem demitidos.
Essa decisão, já comunicada a alguns líderes partidários, foi tomada depois que o governo sofreu a sua primeira derrota na Câmara, semana passada. Ocorre que esse sistema enfrentará resistências. Deputados querem cargos que possam fazer bonito perante as suas bases eleitorais. E quem perder começará essa temporada de votações de mau humor em relação ao governo. Há quem diga que o melhor é deixar passar a votação da reforma da Previdência na Câmara e, aos poucos, mexer nos vespeiros. O governo, entretanto, não quer saber de contornar os problemas políticos com o Congresso e sim enfrentá-los de frente.

Quando a esmola é demais…
O PSL está à procura de Isabel Bulhões, candidata a deputada federal pelo Pros no Maranhão, em coligação com o PT. Ela recebeu R$ 373 mil para a sua campanha, R$ 200 mil do PT e R$ 173 mil de seu partido. Para uma legenda que nunca foi generosa em ceder espaços políticos para seus aliados, há quem desconfie que os petistas cederam muito dinheiro.

.. tudo fica muito estranho…
A prestação de contas da candidata do Pros do Maranhão inclui apenas R$ 55 mil. A turma do PSL está desconfiada de que tem caroço nesse angu. Ela tem ainda duas notas fiscais, da HB Representação, de um total de R$ 103 mil, de uma firma de material elétrico que tem como atividade secundária impressão de material publicitário, em São Luís.

… Estranho demais
As notas fiscais apontam ainda outra de R$ 90 mil a uma empresa Saint German Consultoria e Administração Internacional de Bens. Também em São Luís. Os dados pessoais de Isabel no TSE apontam que ela tem ensino médio completo. Porém, a ocupação escrita ali é “advogado”. Ela obteve 1.278 votos. Ou seja, mais do que muitos classificados como “laranjas”.

Cheque em branco, não!
Quem acompanha passo a passo a relação do governo com o Congresso descobriu por que os deputados decidiram derrubar o decreto que ampliava o número de pessoas com capacidade para determinar sigilo de documentos oficiais. É que as indicações pelos políticos seria feita com base em uma lista tríplice de funcionários de cada repartição ou estatal que tem interesse político. Ou seja,a excelência indicaria alguém que não conhece. A revolta foi geral e deu no que deu.

O livro de Aécio
Discretíssimo na Câmara, o deputado Aécio Neves (PSDB-MG) se dedica à literatura. Começou a escrever suas memórias políticas. Histórias não faltam, passando por todo o período da redemocratização do Brasil.

A moda pegou I
Desde que Leila do Vôlei (PSB-DF) dispensou o nome de guerra e adotou o senadora Leila Barros, outros seguiram o mesmo caminho.

A moda pegou, mas nem tanto
O senador Capitão Styvenson também tirou a patente. Agora é Styvenson Valentim (Rede-RN). O senador delegado Alessandro virou senador Alessandro Vieira (PPS-SE). E, para completar, a juíza Selma, que foi eleita assim, virou senadora Selma Arruda (PSL-MT). Um dos poucos que continua como nos tempos da eleição é o senador Major Olímpio (PSL-SP). Esse é raiz.

E a escola, hein?
A deputada Bia Kicis (PSL-DF), defensora da escola sem partido, saiu em defesa do ministro da Educação, Ricardo Velez, ontem, no plenário da Câmara, ao dizer que ele se retratou em relação ao slogan do governo nas escolas. Foi aplaudida pelos colegas de PSL quando disse que o PT, ao colocar uma estrela vermelha nos jardins do Alvorada, só tirou mediante decisão judicial.

Nas entrelinhas
Luiz Carlos Azedo

A força de Bolsonaro
Dois meses após tomar posse e às vésperas do debate sobre a reforma da Previdência no Congresso, o presidente Jair Bolsonaro tem uma avaliação positiva de 57,5% da população e seu governo conta com a confiança de 38,9%, segundo pesquisa do instituto MDA divulgada ontem pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT). A distância entre seu desempenho pessoal e o do governo, da ordem de 18,6%, corrobora as avaliações de que precisa descer do palanque e cuidar mais da gestão para atender as expectativas da população. Avaliaram o governo como regular 29% dos entrevistados; como ruim ou péssimo,19%.
Em palestra para empresários, em São Paulo, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), foi ao xis da questão: “A sociedade pós-eleição gerou muita expectativa do governo do presidente Bolsonaro de que nós teríamos aí um novo país. Só que as mudanças não são tão rápidas em um país democrático”. A pesquisa mostra as prioridades da população: saúde (42,3%); segurança (34,3%); educação (31,6%); corrupção (29,2%); emprego (23,7%); economia (14,3%); combate à pobreza (13,3%); meio ambiente (1,5%); saneamento (1%); energia (0,9%); transporte (0,8%). São demandas objetivas, que não se encaixam no discurso de ordem ideológica.
Em compensação, Bolsonaro leva grande vantagem na comparação com os antecessores: para 55,4%, seu governo é melhor do que o de Michel Temer; para 55,9%, do que o de Dilma Rousseff. Lula e Dilma, porém, estavam melhor no começo de seus governos: 56,6% e 49,2%, respectivamente. Já o governo Temer tinha apenas 11,3%. O grande desafio do novo governo é corresponder ao otimismo popular gerado pelo resultado das eleições: 51,3% avaliam que o emprego vai melhorar; 51,2%, a saúde; 47,2% a educação; 53,3%, a segurança pública; e 48,3%, a corrupção. Todas essas tarefas do governo estão a cargos de ministros civis e dependem da aprovação da reforma da Previdência para ter mais recursos, com exceção do combate à corrupção. É aí que entra a política, como deixou claro Maia na conversa com empresários.

Patriotismo
Ontem, na posse do general Silva e Lula na presidência da Itaipu Binacional, Bolsonaro cobrou apoio do Congresso para aprovar a reforma da Previdência: “Nós contamos com o patriotismo e o entendimento do Parlamento para que nós possamos ter uma reforma da Previdência. Porque, caso contrário, economicamente o Brasil é um país fadado ao insucesso”, disse. A reforma precisa ser aprovada por pelo menos 308 dos 513 dos deputados, e por 49 dos 81 senadores e só vai começará a andar na Câmara quando o governo encaminhar ao Congresso as propostas relativas à Previdência dos militares, com os quais o ministro da Economia, Paulo Guedes, ainda não chegou a um acordo.
O apoio ao governo Bolsonaro e à reforma da Previdência, entretanto, é robusto na Câmara. Segundo pesquisa da Arko Advice, 39,4% dos deputados avaliam como positivo o governo; 60,55% consideram a relação entre o Executivo e o Legislativo como ótima ou boa; 68,8% são favoráveis à reforma da Previdência; e 34% acham que será aprovada até junho. Mas a situação se complica quando se discutem os detalhes. A idade mínima de aposentadoria apresentada pelo governo — 62 anos para mulheres e 65 anos para os homens —, por exemplo, divide opiniões na Câmara: e apenas 37,6% concordam com a proposta.

 

DIÁRIO DO PODER
Cláudio Humberto

BOLSONARO ESTÁ BEM NAS RUAS, NÃO NO CONGRESSO
Posta à prova com a reforma da Previdência, a popularidade do presidente Jair Bolsonaro continua em alta nas ruas, de acordo com levantamento realizado pelo instituto Paraná Pesquisa, mas no Congresso ainda não se cristalizou. Até na Bahia, onde o petista Fernando Haddad o derrotou em novembro (ele teve 27,31% dos votos no 2º turno), Bolsonaro virou o jogo e já é aprovado por 57,7%. Já no Congresso, ainda são modestas as estimativas de apoio à reforma.

TRÊS QUINTOS
Para ser aprovada, a emenda que vai mudar o sistema previdenciário necessita de 308 votos na Câmara ou três quintos dos deputados.

MOTIVO PRINCIPAL
Eleito prometendo o fim do “toma lá, dá cá”, Bolsonaro tem negado cargos ambicionados por parlamentares. Cresce a birra do Congresso.

PRESSÃO DAS REDES
O governo conta com a pressão popular (especialmente através das redes sociais) para “motivar” parlamentares a reformar a Previdência.

PONTO IMPORTANTE
O apoio à reforma da Previdência cresce vagarosamente. Deputados parecem ignorar que as redes sociais elegem, mas também cobram.

EVACUAÇÃO INCLUI APENAS TURISTAS E CAMINHONEIROS
O plano de evacuação de brasileiros do território venezuelano inclui apenas uma pequena parte dos quase 13 mil residentes no país, que manifestem essa vontade. A maioria constituiu família no país. Por enquanto, os cuidados com a repatriação de brasileiros estão concentrados em Santa Helena de Uairen, cidade próxima à fronteira, para onde se dirigem aqueles que desejam retornar ao Brasil.

GRUPO RESTRITO
Os brasileiros concentrados em Santa Helena de Uairen são turistas, caminhoneiros em trânsito e alguns poucos residentes.

ATÉ AGORA, 130
Nesta terça (26), uma centena de brasileiros voltaram ao país, bem mais que os cerca de trinta que deixaram o território venezuelano.

PLANO AMBICIOSO
O Ministério da Defesa tem pronto um plano de evacuação mais ambicioso de brasileiros, no caso de conflito armado, por exemplo.

PAUTA PRINCIPAL
“A pauta principal da Câmara é a Reforma da Previdência”, afirmou o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ). O deputado espera que as discussões sobre a reforma dominem a pauta neste semestre.

CASCATEIRO MILITANTE
O ex-deputado Jean Wilis deve ter vazado para mentir mais à vontade. Em Lisboa, disse que Bolsonaro foi eleito pela ‘homofobia’. Indignação com a roubalheira dos governos que ele apoiou foi só um mero detalhe.

SHOW DA MORDOMIA
O carro oficial do presidente do Senado, um Hyundai de placa verde e amarela, deu show nas imediações da rodoviária de Brasília, pelas 10h30 da manhã de ontem, para indignação dos transeuntes. Com direito a cantadas de pneu, acelerações e saída em disparada.

PATROCÍNIO SUSPENSO
Estão suspensos na Caixa Econômica Federal os patrocínios e outras ações de marketing envolvendo clubes de futebol. Com a exceção do glorioso Botafogo, mas só até março.

CARGO MENOR
O ex-governador e ex-senador Roberto Requião (MDB-PR) não conseguiu voltar ao Congresso no ano passado, mas já se prepara para tentar se eleger vereador na Câmara de Curitiba (PR).

PECULIAR NO NINHO
Ninguém explica a indicação de Renê Garcia Júnior para a Secretaria de Fazenda de Ratinho Jr. (PSD), no Paraná. Garcia foi secretário de Orçamento do Rio de Janeiro no governo Benedita da Silva (PT) e foi indicado por Antonio Palocci à Superintendência de Seguros Privados.

GOLPE DA MALA
Interditados pelo Procon-DF em outubro, vendedores de assinaturas voltaram a aplicar o “golpe da mala” no aeroporto de Brasília. Usam uniformes de aeroviários para coagir passageiros humildes e idosos a informar dados de cartão de crédito em troca de uma mala vagabunda.

CARNAVAL NA CAPITAL
São esperadas mais de 75 mil crianças no bloco Baratinha, no Parque da Cidade, em Brasília. É um dos blocos mais tradicionais do DF e sai às ruas no domingo e na terça-feira de Carnaval, às 14h.

PENSANDO BEM…
…o ditador Maduro diz que está “más duro [mais firme] do que nunca”. Se estivesse, não precisava falar nada.

 

VEJA

Radar
Maurício Lima

Deputados do partido de Bolsonaro vão mexer na reforma da previdência
Mexidas atrasam o trânsito da reforma
Deputados federais do PSL vão meter o bedelho no texto da nova previdência. Carlos Jordy (PSL-RJ) passou o fim de semana lendo a proposta e já definiu que apresentará emenda para incluir guardas municipais nas regras de aposentadoria para policiais civis, federais, agentes penitenciários e socioeducativos.
A colega de bancada, Major Fabiana (PSL-RJ), também defende a nova previdência e não considera privilégio uma reforma específica para militares, cujo texto ainda será apresentado pelo governo federal.
“Vou defender a paridade, integralidade, reforma justa para todos, mas com manutenção dos direitos dos militares devido aos riscos da missão de servir e proteger”, explica.

A interlocutores, Bolsonaro admite que dois pontos da reforma podem cair
Benefício de Prestação Continuada (BPC) e a aposentadoria rural
Em conversas privadas, o presidente Jair Bolsonaro admite que podem ficar de fora da reforma dois pontos considerados mais sensíveis.
O primeiro é o Benefício de Prestação Continuada (BPC). Atualmente, ele é concedido no valor de um salário mínimo para idosos de baixa renda, a partir de 65 anos.
Pela proposta, o valor cairia para R$ 400. E apenas quando o idoso completar 70 anos ele subiria para um salário mínimo.
O outro é a aposentadoria rural, que teria idade mínima de 60 anos, sendo 20 anos de contribuição.
A regra existente não prevê tempo de contribuição, apenas tempo mínimo de atividade rural de 15 anos.

Evento da Aneel que premiava melhores distribuidoras sofre apagão
Ministro das Minas e Energia, Bento Albuquerque, estava presente
Piada pronta.
Corria normal evento na qual a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) premiava as melhores distribuidoras, segundo os consumidores. Anteontem, em Brasília.
Até que ocorreu um apagão. De uns cinco minutos.
O ministro das Minas e Energia, o almirante Bento Albuquerque, estava presente.

Líder do PT, Paulo Pimenta gasta R$ 1 150 em restaurante
Amante da boa mesa
A liderança do PT na Câmara dos Deputados gastou R$ 14 428 apenas nos dois primeiros meses do ano.
Destes, R$ 4 183 foram destinados à alimentação dos petistas.
Somente numa ida ao restaurante, feita no dia 1º de fevereiro, em Brasília, o líder Paulo Pimenta (RS) torrou R$ 1 150.
Além da fatura exorbitante em banquetes, os petistas também já gastaram R$ 4 841 em passagens aéreas, R$ 2 250 em aluguel de veículo e R$ 1 684 em combustível.

Lava-Jato utiliza extrato incompatível em denúncias contra o PSDB e MDB
Crédito chegou na conta da Gvtel antes de ser debitado pela Innovation
A Lava-Jato utilizou extratos aparentemente incompatíveis para acusar o PSDB, na semana passada, ao deflagrar a Operação Ad Infinitium, que prendeu o ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, apontado como operador dos tucanos.
Em 2017, o ex-PGR Rodrigo Janot apresentou três denúncias contra a turma do MDB. Em 26 de junho, a primeira paulada: Michel Temer, então presidente, foi acusado de corrupção passiva, mas a Câmara barrou a consecução do processo.
E é ai que ambos os casos se encontram.
Na página 77 da denúncia contra o então presidente e seus asseclas, extratos do Meinl Bank indicam que a Innovation Research teria depositado US$ 1.650.000,00 em 24/05/2012 na conta da Gvtel. Apontadas como offshores da Odebrecht, o dinheiro seria usado para transações nada republicanas a políticos.
Ocorre que no extrato da Gvtel, utilizado agora para acusar o PSDB e Paulo Preto, o extrato da Gvtel, juntado na página 19 do Anexo 65 do inquérito, acusa o crédito desta mesma transferência um dia antes da data do débito na conta remetente. Ou seja, o dinheiro teria caído em 23/05/2012.

Deputados do PSL vão se encontrar com o novo embaixador da China
Após polêmica viagem ao país asiático
Os deputados Aline Sleutjes (PSL-PR) e Castelo Branco (PSL-SP) participam nesta quarta (26), em São Paulo, de um encontro com o novo embaixador da China para o Brasil, Yang Wanming.
Esse evento é organizado pela filial internacional do Grupo de Líderes Empresariais (LIDE China).
Em janeiro, 12 parlamentares do PSL, incluindo Aline Sleutjes, foram duramente criticados por correligionários por viajar ao país asiático.
Entre os críticos estava o presidente Jair Bolsonaro, que já acusou o país de querer comprar o Brasil.

Planalto sofre derrota na escolha do líder da bancada do Rio
Hugo Leal (PSD) foi o eleito com o apoio da esquerda
Hugo Leal (PSD-RJ) foi reconduzido agora à noite, no voto, a coordenador da bancada de deputados do Rio. O Palácio do Planalto, que queria eleger Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), sai derrotado na disputa. E quem “atrapalhou” foi um deputado do PSL, de Jair Bolsonaro. O Sargento Gurgel insistiu na sua candidatura. O resultado final: Leal: 18 votos; Gurgel: 14; e Sóstenes: 11.
Com a divisão entre dois candidatos, o governo perdeu. O vitorioso contou com o apoio de parlamentares da esquerda, casos de PT, PSOL e do PCdoB.
Coordenar a bancada tem sua importância por dar poderes de controlar discussão de emendas do interesse do Rio a serem votadas.

Ao apoiar medida polêmica, deputada ligada aos Bolsonaro cita hino errado
Ela citou o Hino à Bandeira
Muito ligada à família Bolsonaro, a deputada estadual Alana Passos (PSL-RJ) fez, no Twitter, um post em louvor ao Hino Nacional, mas, no texto, citou trechos do Hino à Bandeira.
Ao reproduzir trecho da letra, de autoria do poeta Olavo Bilac, ela ainda cometeu erros: não há o artigo “o” antes de “lindo” e “símbolo”.
“Sou do tempo que respeitávamos as autoridades! cantávamos:salve o lindo pendão da esperança, salve o símbolo augusto da paz. Vivemos uma desconstrução de valores, onde o errado é certo, e o certo é errado. Pátria amada Brasil! #HinoNacionalSim“

Vice-líder do governo fala em greve geral da PM contra a Previdência
Capitão Augusto, recém-nomeado para o cargo, já ameaça o governo
O deputado capitão Augusto (PR-SP), desde ontem vice-líder do governo, contou hoje na reunião da bancada de seu partido que a Polícia Militar pode fazer uma greve geral nacional se a reforma da Previdência mexer na garantia de mesmo salário para PMs da ativa e da reserva.
Os deputados do PR se reuniram com o todo-poderoso do partido, o ex-deputado Valdemar Costa Neto. Esses encontros se dão sempre fora do Congresso, nas dependências do partido.
Augusto é conhecido por andar com a farda da sua corporação pelos corredores da Câmara.

PGR dá 24 horas para Ricardo Vélez explicar filmagem de crianças
Questionamento
A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, que integra o Ministério Público Federal, enviou ao ministro da Educação, Ricardo Vélez, pedido de esclarecimento sobre a mensagem que enviou a escolas de todo o país em que solicita a filmagem de estudantes.
O órgão dá 24 horas para que o ministro explique o imbróglio criado na última segunda (26), quando solicitou que diretores de escolas filmassem estudantes durante a execução do Hino Nacional.
“(…) a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão solicita que o MEC apresente, em até 24 horas, justificativa do ato administrativo praticado. De acordo com o órgão do Ministério Público Federal, a justificativa deve estar fundamentada nos preceitos constitucionais e legais a que estão submetidos todos os agentes públicos”, diz trecho do documento enviado ao Ministério da Educação.
Vélez queria que as crianças fossem perfiladas para a leitura de uma carta escrita por ele e para a execução do Hino Nacional.
A carta a ser lida aos estudantes se encerra com o bordão utilizado pela campanha do presidente eleito, Jair Bolsonaro, “Brasil acima de tudo. Deus acima de todos!”.

Mesada de Fichtner para Adriana Ancelmo era levada por advogada
“Familiares” receberam dinheiro de Regis Fitchner até o fim de 2018
Segundo informações obtidas pelo Radar, a mesada que Regis Fichtner pagou a Adriana Ancelmo até dezembro de 2018 era entregue através de uma advogada trabalhista. Essa advogada é bastante amiga da família de Adriana.
Na última segunda (25), o ex-governador Sérgio Cabral admitiu, pela primeira vez, ter participado de esquemas de corrupção.
Uma das revelações feitas ao juiz Marcelo Bretas foi a de que Fichtner, chefe da Casa Civil de sua gestão, continuou a pagar mesada para “familiares“ até dezembro de 2018. Segundo Cabral, o valor total seria de R$ 100 mil.
A ex-primeira-dama foi condenada a dezoito anos e três meses por lavagem de dinheiro e organização criminosa. Ela está em prisão domiciliar.
Atualização: O advogado Marcio Delambert, que responde pela defesa de Sergio Cabral, nega a informação e argumenta que seu cliente não disse isso no depoimento.

Caçula de Bolsonaro se lança como ‘blogueiro fitness’
Reality show dos Bolsonaro tem novo personagem
Jair Renan Bolsonaro, de 20 anos, tem exibido aos 152 mil seguidores do Instagram seu projeto de fortalecimento muscular.
Ao longo da última semana, Renan afirmou que pretende mudar o corpo. Ele visitou lojas de suplemento alimentar na Barra da Tijuca, bairro da Zona Oeste do Rio onde mora.
Também experimentou produtos e dividiu sua opinião com os seguidores.
Renan é, assim, o mais novo personagem do reality show em que se transformou a família Bolsonaro.

Ministro recuou de polêmica do hino por pedido do Planalto
Planalto considerou ruim a repercussão
O ministro da Educação Ricardo Vélez-Rodriguez recuou quanto ao pedido para que escolas colocassem em leitura uma carta com o slogan de campanha de Jair Bolsonaro, seguida da execução do Hino Nacional. As crianças seriam filmadas durante o ato sem autorização dos pais.

Juíza que condenou Lula evita citar nome do ex-presidente em palestra
Gabriela Hardt defendeu menos recursos em casos de corrupção, em evento do CNJ
No mesmo dia, ontem, que tomou-se conhecimento que a sentença de Gabriela Hardt condenando Lula contém omissões e contradições por erro material, a juíza fazia palestra num seminário do CNJ.
Ela exibiu alguns casos de sucesso, como a Lava Jato, mas sugeriu a simplificação do sistema recursal. Hoje, são quatro esferas.
Num dos casos que apresentou, de repatriação de recursos de roubo no exterior, disse ter sido possível porque a defesa perdeu o prazo de recorrer.
“Que maravilha!”.
Mas não citou o nome de Lula, mas de Paulo Roberto Costa, Barusco e Renato Duque, sim.A retirada foi um pedido do Palácio do Planalto, que considerou ruim a repercussão causada.

Auditores da Receita reagem às declarações de Gilmar Mendes
Ministro do STF tem se referido aos auditores da Receita como “milícias” e “bando”
O Sindfisco, entidade que representa os auditores-fiscais da Receita Federal, repudia, por meio de nota oficial, as declarações de Gilmar Mendes quanto aos funcionários da autarquia.
O ministro, alvo de um relatório da Receita que aponta variação patrimonial sem explicação e indícios de lavagem de dinheiro por parte da mulher do ex-ministro, negados pelo casal, tem se referido à Receita Federal e ao seu corpo funcional como ““milícias”, “bando”, e jogando ao vento especulações acerca da existência de “achaques” e de um suposto “mercado de dossiês”.
“Sem nenhum lastro fático, Gilmar Mendes cria uma temerária narrativa de que a Receita Federal teria se transformado num órgão de “pistolagem” a serviço de juízes e promotores”, diz a nota. “Tratando-se de Gilmar Mendes, nada segue o rito convencional. Valendo-se da condição de ministro da mais alta corte do país, avisou, sem papas na língua, que pretende extinguir a área da Receita Federal que ousou lhe investigar”, completa.
“Esse espetáculo deprimente contrasta com o papel e as responsabilidades de quem está investido do nobre encargo de zelar pelo respeito à Constituição Federal”, diz o órgão.

Bolsonaro nomeia sete vice-líderes na Câmara
Dois são do Rio: Carlos Jordy e Major Fabiana vão ocupar cargo de destaque
Jair Bolsonaro nomeou nesta terça (26) sete parlamentares como vice-líderes do governo na Câmara.
Dois são do Rio. Tratam-se de Carlos Jordy, muito próximo dos filhos do presidente, e Major Fabiana.
Além deles, também ocupam o cargo Capitão Augusto (PR-SP), Coronel Armando (PSL-SC), Darcício Perondi (MDB-RS), José Medeiros (Podemos-MT) e Lucas Virgílio (Solidariedade-GO).

Blog do Noblat
Ricardo Noblat

Ditadura nos seus estertores
Preso por perguntar
Jorge Ramos, cidadão americano e mexicano, repórter da Univision, rede de televisão americana com sede em Nova Iorque e programação em língua espanhola, foi detido, ontem, junto com sua equipe de trabalho no Palácio de Miraflores, em Caracas, sede do governo da Venezuela.
Seu crime: o ditador Nicolás Maduro não gostou das perguntas que ele lhe fez. O material de trabalho de Ramos e de sua equipe acabou confiscado. E depois de algum tempo, ele foi solto. Não é a primeira vez que isso acontece com jornalistas que ousam fazer perguntas consideradas incômodas por Maduro.
Há um mês, vários jornalistas estrangeiros foram detidos por autoridades venezuelanas e libertados 24 horas depois. Enquanto isso, por aqui, PT, PC do B e PSOL continuam devotos do regime de Maduro. Dizem que ele é vítima de uma conspiração internacional e pregam sua manutenção.

Reforma emagrece
Seja o que o Congresso quiser
Aos poucos, o governo do presidente Jair Bolsonaro começa a se convencer de que o Congresso só aprovará a Reforma da Previdência se ela sofrer uma razoável lipoaspiração.
Foi com essa certeza que líderes de partidos, e também o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia, saíram do encontro que tiveram ontem com Bolsonaro e alguns dos seus auxiliares.
Bolsonaro quase não falou. Mas ao fazê-lo, repetiu que reforma boa não é aquela proposta pelo governo, mas a que o Congresso aprova.

Sérgio Cabral, o bom marido
Por que abriu o bico
A certeza de que mofará na cadeia e um acordo familiar levaram Sérgio Cabral, ex-governador do Rio, a decidir confessar os crimes que cometeu – todos eles amplamente conhecidos pela justiça que já o condenou sete vezes a um total de 198 anos de prisão.
Cabral sabe que a confissão em nada o beneficiará. O que ele de fato pretende é livrar sua mulher, Adriana Ancelmo, da culpa pelos seus crimes. Ela já foi condenada uma vez a 12 anos e 11 meses de prisão. Está solta, mas com tornozeleira eletrônica.

O capitão voltou!
Em grande estilo
E 14 dias depois de livrar-se “em definitivo do risco de morte”, como disse ao receber alta no hospital Albert Stein, o presidente Jair Bolsonaro fez sua primeira reaparição pública longe de Brasília – mais exatamente em Foz de Iguaçu, no Paraná, para empossar o general Joaquim Silva e Luna como novo diretor da Usina de Itaipu.
Foi uma reaparição em grande estilo. Recusou-se a responder a uma pergunta sobre o escândalo das falsas candidaturas lançadas no ano passado pelo seu partido, o PSL. E ao discursar, foi pródigo em elogios a governos do período da ditadura militar de 64 que se envolveram diretamente na construção da usina.
O ponto alto de sua fala foi a referência feita ao general paraguaio Alfredo Stroessner, a quem chamou de “estadista”. Stroessner era o presidente do Paraguai quando Itaipu foi inaugurada. Não faltou uma menção à “esquerda nunca mais”. Devotos de Bolsonaro, cheios de entusiasmo, saudaram nas redes sociais a volta do capitão.
Stroessner governou o Paraguai durante 35 anos. No período, houve 59 execuções extrajudiciais, 336 desaparecidos, 18.772 torturados e 3.470 exilados. Admirador do nazismo, ele deu abrigo ao médico Josef Mengele, responsável pela morte de milhares de judeus no campo de concentração de Auschwitz durante a 2ª Guerra Mundial.
Deposto em 1989, Stroessner fugiu para o Brasil e aqui morreu em 2006. Ele se junta, portanto, à galeria das pessoas reverenciadas por Bolsonaro da qual faz parte o coronel Carlos Alberto Ustra, o primeiro militar brasileiro condenado pela prática de tortura de presos políticos.

 

BLOG DO JOSIAS
Josias de Souza

Bolsonaro dança conforme a música dos líderes
Jair Bolsonaro recebeu no palácio residencial do Alvorada os líderes partidários com os quais relutava em conversar. Contaram-se representantes de 19 partidos. Ao final da conversa, na noite desta terça-feira, o capitão dançava conforme a música dos convidados —um choro bem brasileiro. O espetáculo é triste. Mas sem ele a reforma da Previdência não sai do lugar, o PIB fica sedado e o governo do capitão definha.
Pela manhã, num encontro com empresários em São Paulo, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, disse o que faltava para a coreografia deslanchar: “O problema é que o presidente está refém do discurso dele de campanha. A sociedade pós-eleição gerou muita expectativa do governo do presidente Bolsonaro de que nós teríamos aí um novo país. Só que as mudanças não são tão rápidas em um país democrático.” Segundo Maia, o presidente precisa decidir se vai governar sozinho ou “junto com o Parlamento.”
De volta a Brasília, Rodrigo Maia foi ao encontro noturno do Alvorada. Testemunhou, finalmente, a descida de Bolsonaro do palanque. O presidente livrou-se do cativeiro da retórica eleitoral para tornar-se refém dos profissionais da política. Ouviu críticas à reforma previdenciária. Repetiu que a boa reforma não é a que o governo considera ideal, mas a que o Congresso se sente à vontade para aprovar. Ficou entendido que não transformará num cavalho de batalha o arrocho na aposentadoria rural e a torcida no braço dos velhinhos pobres que recebem um salário mínimo aos 65 anos.
Ecoou no salão o chororô contra a falta de articulação do governo, eufemismo para o “quanto é que eu levo nisso?” Coube ao chefe da Casa Civil, o desarticulado Onyx Lorenzoni, esclarecer que o relacionamento do novo governo com o Legislativo se dará em velhas bases. Aceitam-se indicações partidárias para cargos federais nos Estados, informou Onyx. De resto, o governo levará ao balcão, sem bloqueios, as verbas das emendas que os congressistas penduraram no Orçamento de 2019.
Bolsonaro entrou na dança porque prometeu na campanha providências que dependem de reformas constitucionais. A mexida na Previdência é a mais importante. Para aprová-la, precisa do voto de três quintos da Câmara e do Senado. Isso corresponde a 308 dos 513 deputados e 49 dos 81 senadores. Serão dois turnos de votação em cada Casa. O PSL, partido de Bolsonaro, é dono da maior bancada da Câmara: 54 deputados. Unido, passaria longe dos 308 votos. Desconjuntado como está, fica ainda mais distante. Por isso Bolsonaro precisa rebolar para obter apoio. Se fracassar, deixará de ser presidente para virar um gerente de crise. Se conseguir, segue o jogo. O capitão não será o primeiro presidente a capitular diante da força do fisiologismo. Se tiver disposição, pode tentar impor limites ao jogo. O segredo é não permitir que a coisa vire um abracadabra para a caverna de Ali-Babá. A Lava Jato mostrou que a farra fica perigosa quando chega a esse estágio. A desfaçatez passou a dar cadeia no Brasil. Que o digam Lula, Eduardo Cunha, Eduardo Azeredo, Sergio Cabral e tantos outros.

Cabral dispara a esmo, mas não atira para cima
Sérgio Cabral entrou em nova fase. Primeiro, dizia ser inocente. Desmascarado, passou a apresentar-se como injustiçado. O estouro de suas arcas levou-o ao estágio da admissão do “caixa dois”. Sentenciado a 200 anos de cana, decidiu encarnar sua versão 4.0. Nela, o larápio de mostruário ataca de malandro carioca. Quis emplacar uma delação tardia. Não colou. Então, declara-se viciado em propina e dispara balas perdidas a esmo. No afã de cavar uma redução de pena, virou um atirador sui generis. Só atira para baixo. Não há alvos federais na sua alça de mira.
Em dois mandatos como governador, Cabral despertou o ciúme dos colegas por conta do relacionamento que cultivou com Lula e Dilma Rousseff. Nenhum outro gestor estadual recebeu tanta verba federal na Era petista. Mas a lama de Cabral, como a chuva, não escorre para o alto. Mágica como essa exigiria um estímulo adicional. A oferta de um acordo de delação, por exemplo. Enquanto aguarda até que um procurador morda a sua isca, o larápio chuta portas já arrombadas e capricha na retórica. “Esse foi meu erro, apego a poder, dinheiro… É um vício”, disse ao juiz Marcelo Bretas. Nos lábios de Cabral, até o vício perde o encanto, de tão ensaiado. No seu caso, o melhor a fazer é assegurar que mofe na cadeia. Preso, talvez fique viciado em virtude.

Alunos patriotas dependem da melhoria da pátria
Poucas vezes um ministro trombou tanto com os interesses do seu ministério em tão pouco tempo. Na penúltima trombada, o ministro Ricardo Vélez Rodríguez, da Educação, mandou carta às escolas do país inteiro pedindo que filmem os alunos cantando o hino nacional depois de ouvir a leitura de uma mensagem escrita por ele para exortar os “novos tempos” e recordar o slogan da campanha de Jair Bolsonaro. Soterrado por críticas, o ministro abriu mão do bordão da campanha. “Foi um erro”, disse. Mas manteve o pedido de filmagem das crianças, perfiladas diante da bandeira do Brasil, cantando o hino
nacional. O ministro quer receber as imagens. Ricardo Vélez Rodrígues parece ter feito uma opção prioritária pela polêmica. O ministro fornece trapalhadas aos brasileiros assim como as bananeiras dão bananas. A pasta da Educação passou a produzir confusões em cacho. Num dia, o ministro diz em entrevista que a universidade não é para todos, que ela “representa uma elite intelectual para a qual nem todo mundo está preparado…” Noutra ocasião, o ministro declara que “o brasileiro viajando é um canibal; rouba coisas dos hotéis, rouba o assento salva-vidas do avião…”.
Agora mais essa. Filmar crianças sem autorização dos pais é crime. O ministro não tinha notado. Depois, disse que isso estava implícito. Veja a sequência de maluquices que um pedido maluco pode ocasionar: diretores e diretoras de escolas desperdiçarão nacos do seu tempo para incomodar os pais. Pedirão a eles que autorizem a captação da imagem dos filhos. Para quê? Ah, isso ninguém sabe. O ministro não disse o que será feito com as imagens. Ele afirma apenas que entoar o hino nacional revigora o patriotismo.
A maioria das escolas brasileiras, como se sabe, presta um serviço de quinta categoria. Isso acontece por muitas razões: professores desanimados, escolas desaparelhadas, currículos inadequados, o diabo… E o ministro ofende a inteligência alheia com um lero-lero patriótico. Seria fabuloso se os brasileiros entoassem o hino nacional em todo lugar. Mas uma pátria, para ser amada, precisa ser amável. Se o governo e o ministro da Educação desejam que as crianças sejam patriotas, a coisa é muito simples: basta melhorar a pátria.

Contra Maduro, Bolsonaro mima os seus Nicolás
Toda espécie de dependência é ruim. Não importa que o entorpecente seja o álcool, a morfina, a esquerda Maduro ou a direita Bolsonaro. A ideologia sempre será o caminho mais longo entre a felicidade e sua realização. O primeiro passo para se livrar do vício ideológico é não confundir presidente com divindade. Quem alcança a dádiva do distanciamento crítico pode observar a realidade sem tomar a falta de lógica como uma forma de normalidade. Nesta terça-feira, por exemplo, ao discursar num evento na hidrelétrica de Itaipu, Jair Bolsonaro mimou todos os ditadores brasileiros —de Castelo Branco a
a João Figueiredo. De quebra, chamou de “estadista” o ditador paraguaio Alfredo Stroessner. Quer dizer: em meio à cruzada internacional pelo restabelecimento da democracia na Venezuela, o presidente brasileiro revelou-se vítima de um desses paradoxos que só o vício em ideologia é capaz de explicar. Ferrenho opositor do ditador Maduro, o capitão não se constrange de mimar os seus Nicolás.
A ditadura, como se sabe, é um regime em que a opinião pública não pode se expressar nem em particular. Assim, deve-se assegurar a Bolsonaro o direito de atirar palavras livremente contra seus pés de barro. De resto, se você quer valorizar a democracia que lhe resta, seja inteligente o bastante para não ser de direita e rebelde demais para ser de esquerda. Numa conjuntura marcada pela sandice, a melhor ideologia ainda é a extrema-independência.

 

BLOG RISCOS E TENDÊNCIAS
José Maurício dos Santos

Retaliação
A polêmica em torno do vazamento de dados sobre uma investigação tributária envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, estimulou membros do Poder Legislativo e da Suprema Corte congressistas e ministros do Supremo Tribunal Federal a discutirem um projeto de lei com o objetivo de limitar os poderes de atuação da Receita Federal.

Efeito Colateral 
As alterações podem causar impacto no modo como o Fisco tem cooperado com grandes investigações de combate à corrupção e lavagem de dinheiro, como a Operação Lava Jato.

Efeito Colateral 2
O nova proposta em debate no Legislativo pretende deixar mais claros os limites de atuação da Receita. Há um descontentamento por grande parte do mundo político e jurídico pelo fato de os auditores avançarem no campo criminal em vez de focar em possíveis irregularidades tributárias.

Efeito Colateral 3
Parlamentares descontentes consideram a possibilidade de convocar o ministro da Economia, Paulo Guedes, para dar explicações

Harmonia
A afinidade entre alguns ministros do STF com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) pode dar capilaridade à ideia.



Jose Mauricio dos Santos
Autor: Jose Mauricio dos Santos
Jornalista, Cientista Político e especialista em Marketing Político.

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