Rumo ao G20 com Mantega, Dilma vive dilema entre Meirelles e Barbosa para a Fazenda

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José Maurício dos Santos

Em meio às turbulências internas – eleição da Mesa da Câmara, reforma ministerial e escândalos na Petrobras – a presidente Dilma Rousseff embarcou para Austrália onde participará da reunião do G-20 no final da semana. Antes, na quarta-feira (13) fará uma escala em Doha, para se encontrar com o emir do Catar, Tamim bin Hamad Al Zani. A expectativa é que a presidente faça alguns encontros bilaterais às margens do G20.

Dilma terá uma semana para tentar minimizar os impactos dessa espinhosa agenda logo após a reeleição. A prioridade é definir um nome para substituir Guido Mantega no Ministério da Fazenda. Com o presidente do Bradesco mostrando resistente a um eventual convite, Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva travam uma disputa interna: Dilma se simpatiza mais com Nelson Barbosa, ex-secretário executivo de Mantega. Lula articula para emplacar seu ex-presidente dos Bancos Central e Mundial, Henrique Meirelles.

Para isso precisa tirar Barbosa do caminho. A ideia de Lula é deixá-lo dentro da equipe econômica à frente do Ministério do Planejamento. O que não contrariaria Dilma completamente, mas deixaria o ex-secretário com menos poder de decisão capaz de agitar o mercado.

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Barbosa tem uma relação próxima com Dilma. O que não é vista com bons olhos pelo mercado que quer um Estado menos intervencionista. Ele defende um freio nos gastos em programas sociais, entre os quais se encontram as grandes vitrines dos 12 anos da gestão petista, os programas Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida.

Meirelles possui menos afinidade com Dilma o que pode gerar uma relação mais conflituosa, embora seja um ex-banqueiro, executivo respeitado e bem acolhido pelo mercado financeiro.

Além de ser muito próximo de Gilberto Kassab (PSD), que pode ser um fiel da balança para garantir a governabilidade de Dilma no Congresso por meio de uma manobra que diminuiria a dependência do governo às exigências do PMDB: a recriação do Partido Liberal a fim de atrair parlamentares descontentes com suas legendas e fundi-lo com o PSD, criado em 2011 pelo próprio Kassab causando um rebuliço no Congresso por meio do troca-troca partidário.

O dilema está lançado. Barbosa larga na frente pelo seu perfil impetuoso de alcance de metas. Tudo que o Brasil precisa agora para combater a inflação acima da meta e o pífio crescimento econômico: uma política fiscal rigorosa. Algo parecido como os “Doze Trabalhos Fiscais”, apresentado pelo ex-secretário há menos de dois meses para economistas e investidores na Fundação Getúlio Vargas.



Jose Mauricio dos Santos
Autor: Jose Mauricio dos Santos
Jornalista, Cientista Político e especialista em Marketing Político.

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